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Após ser duramente atacado pela esquerda e fustigado por nomes da direita, Zema adota a discrição e diz estar focado em fazer um bom governo em Minas
Após ser duramente atacado pela esquerda e fustigado por nomes da direita, Zema adota a discrição e diz estar focado em fazer um bom governo em Minas| Foto: Imprensa Governo de Minas

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), avaliou, em entrevista à Gazeta do Povo, que a "renovação da direita fez bem à democracia", diante do "cansaço da população com a política tradicional".

Apesar de ser uma das principais apostas para unir a direita na corrida presidencial de 2026, o político afirmou não estar pensando em eleições e que prefere apoiar outro candidato do campo conservador, “um bom nome que possa apresentar um projeto robusto para o Brasil”.

"Entendemos que sem apoio e sem convergência de ideias não é possível tirar do papel um projeto de governo, por melhor e mais bem-intencionado que ele possa ser", comentou. O governador também declarou estar satisfeito com o Novo, quando perguntando sobre uma possível mudança de partido.

Após ser duramente atacado pela esquerda e fustigado por nomes da direita, Zema adota a discrição e diz estar focado em fazer um bom governo em Minas, marcado pela atração de investimentos e geração de empregos.

Ele procurou se esquivar de polêmicas, por exemplo, ao comentar que dá "tratamento igualitário" a todas as autoridades, após ser questionado sobre o seu discurso durante homenagem a Jair Bolsonaro (PL) na Assembleia Legislativa de Minas, no fim de agosto, no qual afirmou que o ex-presidente poderia “contar com Minas Gerais”.

O governador, no entanto, destacou a continuidade da renovação da direita como um fenômeno positivo para a democracia no Brasil. Nesse contexto, ressaltou a ascensão de políticos como o senador Cleitinho (Republicanos-MG) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), este último o mais votado do país.

Ainda nesta entrevista, o governador enfatizou a importância da austeridade fiscal e do respeito ao dinheiro público como fatores-chave para a recuperação da confiança dos investidores em Minas Gerais. Romeu Zema se esforça para levar adiante a proposta de privatização das maiores estatais mineiras, a Cemig (eletricidade) e a Copasa (saneamento), salientando a necessidade de melhorar a qualidade dos serviços públicos e a eficiência na gestão. Ele argumenta que a iniciativa privada pode eliminar burocracias e proporcionar melhor custo-benefício para a população. Confira a entrevista:

Homenagem a Bolsonaro, polêmica do "separatismo" e 2026

Na recente homenagem que Jair Bolsonaro (PL) recebeu da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que o tornou cidadão honorário do estado, o senhor disse a ele que podia “continuar contando com os mineiros”. No momento em que o ex-presidente enfrenta retaliações do governo federal e da Justiça, o seu gesto pode ser visto como um contraponto ou uma resistência?

Romeu Zema: Desde que iniciei minha trajetória na vida pública, repito que não abro mão de dar tratamento igualitário a todas as pessoas, inclusive às autoridades, sejam deputados, vereadores, prefeitos, presidentes da República e ex-chefes de Estado. Como governador, viajo frequentemente pelo estado inteiro e, independentemente do partido do prefeito, estou sempre ouvindo as demandas e buscando atender diferentes necessidades das cidades.

A exemplo de postagens que o senhor fez com frases antológicas, buscando provocar a reflexão do público, sua entrevista dada ao Estadão em agosto, com tônica na reforma tributária, foi distorcida e explorada negativamente por boa parte da imprensa e, sobretudo, por rivais políticos de esquerda. O senhor se sentiu intimidado com essa forte reação?

Romeu Zema: Quem leu a matéria na íntegra entendeu a mensagem. A discussão ideológica em nada contribui para a melhoria de vida no país. A minha visão, que é congruente com os governadores do Sul e do Sudeste, é que devemos sempre priorizar a geração de empregos e trabalhar para defender as populações, dentro do contexto nacional.

Políticos famosos de Minas Gerais, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e o deputado Aécio Neves (PSDB), aproveitaram desse episódio envolvendo uma suposta manifestação separatista sua para lhe disparar duras críticas. Acredita que essas falas se deram por conveniência ou por estratégia visando as eleições de 2026?

Romeu Zema: Minha prioridade neste momento, como governador eleito para mais um mandato, é cuidar da população de Minas Gerais, trazendo investimentos para o estado, melhorando a educação, fortalecendo a saúde. E mantendo as contas em dia.

O presidente do seu partido, Eduardo Ribeiro, nega a chance de o senhor migrar para outra legenda e diz que o Novo continuará resistindo às pressões da legislação eleitoral para manter sua coerência, de não crescer a base de fundos estatais. Os ideais do Novo podem conquistar o debate nacional? O senhor já disse que prefere apoiar que postular a candidatura presidencial, trabalhando pela unidade da direita em 2026. Essa tarefa parece também difícil, não?

Romeu Zema: Estou satisfeito com o partido Novo, que recentemente passou por algumas reformulações. Entendemos que sem apoio e sem convergência de ideias não é possível tirar do papel um projeto de governo, por melhor e mais bem-intencionado que ele possa ser. Tenho a preferência por apoiar um bom nome que possa apresentar um projeto robusto para o Brasil. Mas, não estou pensando em eleições, como já disse. Minha prioridade é governar Minas Gerais.

Pragmatismo do eleitor

Durante a campanha presidencial no segundo turno, o senhor frisou que nenhum estado tinha sofrido mais as consequências trágicas de uma gestão petista como Minas Gerais. Sua chegada ao Palácio da Liberdade, como um político de perfil e bandeiras inversos ao de seu antecessor, parece confirmar isso. Contudo, como explicar a vitória do presidente Lula nas urnas de Minas em 2022?

Romeu Zema: Já disse outras vezes: esse fenômeno eu encaro com naturalidade, não é algo novo, até porque o eleitor é bastante pragmático. Faz parte do sistema democrático em que vivemos.

Os cientistas políticos há décadas apontam o eleitorado mineiro como sendo o fiel da balança nas eleições presidenciais, o que parece ter ficado ainda mais flagrantes nas últimas eleições de Dilma Rousseff e Lula. Nesses dois casos, a diferença de votos de ambos os petistas quase coincide com a vantagem que cada um teve sobre o rival no segundo turno. Ao que o senhor credita esse fato, ante uma perspectiva geral de maioria de direita e conservadora no estado?

Romeu Zema: Como disse, o eleitor costuma ser bastante pragmático, mas não podemos desconsiderar que em cada disputa há cenários específicos. Observamos nos últimos anos um movimento de renovação da direita em todo o Brasil e isso é positivo para a democracia: novos nomes, propostas e formas de pensar a política surgiram.

Acredito que ser bem votado é uma consequência de conjunturas e que a principal motivação de um gestor público deve ser realizar o melhor governo possível, independentemente dos cenários adversos. Eu, por exemplo, acredito que cheguei à vitória na reeleição porque fiz um bom governo, sendo honesto e transparente com os mineiros.

Além do senhor, Minas Gerais elegeu com grandes votações parlamentares de direita, como o senador Cleitinho (Republicanos) e Nikolas Ferreira (PL). A que o senhor atribui esses fenômenos, com personagens sem largo histórico na política, sem apoio de grandes grupos empresariais e ancorados apenas nas suas bandeiras e redes sociais?

Romeu Zema: Acho que isso ocorreu porque boa parcela da população brasileira se cansou de como a política estava sendo conduzida no país. Isso favoreceu uma efervescência de candidatos até então desconhecidos. Na minha primeira campanha, em 2018, fiz questão de rodar o máximo de cidades, olhar as pessoas de perto, e ver as diferenças culturais, sociais e econômicas do nosso estado. E eu sigo fazendo isso até hoje. Com certeza a minha postura contribuiu para que eu entendesse Minas melhor.

Privatizações em MG e Vale do Lítio

Como o senhor vê a proposta da oposição em MG de federalizar a Cemig e a Copasa como forma de impedir a sua privatização?

Romeu Zema: O interesse desta gestão é desestatizar as empresas públicas. Embora os recursos provenientes das vendas dessas empresas possam ser utilizados para melhorar a infraestrutura do estado, como investimentos em rodovias, escolas e hospitais, não se trata apenas de arrecadar para melhorar o caixa do estado. O nosso projeto de desestatização considera que o estado não tem capacidade de investimento e gestão na Cemig e Copasa. Isso envolve a qualidade do serviço que chega aos mineiros.

Na prática, a burocracia estatal impede que o fornecimento de saneamento e energia seja realizado com o máximo de qualidade. Para se ter uma ideia, a Cemig e a Copasa precisam cumprir um longo processo de licitação para que seja executado um serviço simples, como a troca de canos danificados que prejudicam o abastecimento de milhares de pessoas. Além disso, na maioria dos casos, esse processo acaba ficando mais caro para o estado, além de ser muito demorado. Com uma gestão privada, além de aumentar a capacidade de investimentos de empresas essenciais para Minas Gerais, várias etapas burocráticas podem ser eliminadas para que se faça uma obra com mais agilidade, segurança e melhor custo-benefício.

Governador, seu estado tem grandes dimensões territoriais e, como o Brasil, abriga regiões com indicadores sociais e econômicos muitos diferentes. Seu governo tem sinalizado como solução para superar os desequilíbrios regionais históricos o investimento privado em potenciais inexplorados, como tornar o Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais sofridas do país, o promissor Vale do Lítio. Esse pode ser um modelo sustentável para o plano federal?

Romeu Zema: A missão do nosso governo é transformar o Vale do Jequitinhonha no Vale das Oportunidades e da Prosperidade. Estamos falando de uma região de Minas Gerais que agrega ilimitado potencial econômico e humano, com um povo acolhedor e um artesanato riquíssimo e famoso, mas que foi historicamente deixada de lado. Na minha gestão, nós já estamos mudando isso de forma radical.

O Vale do Lítio visa desenvolver um programa econômico-social no Jequitinhonha, e que já está surtindo bons resultados e atraindo investimentos maciços, ampliando a cadeia produtiva do lítio e abastecendo mercados. Uma das condicionantes para as empresas atuarem no Vale do Lítio é a apresentação de ações sociais, como apoiar mulheres empreendedoras, desenvolver projetos ambientais, investir em estradas e infraestrutura. Assim, acabamos atraindo projetos em sintonia com o foco da nossa gestão, preocupados com uma economia verde, e com mais poder para agregar outros investimentos nas cidades da região.

Além disso, aumentamos a geração de emprego e renda, e ampliamos as oportunidades de formação profissional e educacional. Até agora, temos quatro grandes empreendimentos no Vale do Lítio, com R$ 5 bilhões de investimentos e 4 mil postos de trabalho gerados. Até 2030, queremos chegar a R$ 30 bilhões investidos em Minas através do lítio. Estamos diante de um cenário de esperança e muitas potencialidades pela frente. Acredito que o Vale do Lítio será um grande exemplo de sucesso para que possam ser criadas políticas públicas efetivas em todo o país, conforme a vocação de cada região.

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