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Rodrigo Constantino
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Brasileiros, compatriotas, irmãos em causa: precisamos salvar a Lava-Jato!

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Por Lucas Berlanza, publicado no Instituto Liberal

Escrevo sob profundo golpe desanimador. Já dizia ontem, horas antes da votação no STF acerca da Operação Lava Jato, que não devíamos desanimar. Já dizia ontem que a Lava Jato, a operação que, tendo à frente a figura implacável do juiz Sergio Moro, atordoava políticos e empresários e revolvia a estrutura criminosa de poder consolidada no país, era o acontecimento mais importante de nossa história recente. Que venha, sim, o impeachment de Dilma Rousseff, dizia eu, mas que a Operação Lava Jato vá em frente. Ela não é um mal, ela é uma purgação imperiosa para que possamos dar um passo adiante. Só vociferam contra ela os diretamente interessados em obstaculizá-la. Infelizmente, foi a esses últimos que o Supremo Tribunal Federal deu ouvidos, ignorando os reclames do tempo histórico e virando as costas aos brasileiros de bem nesta quarta-feira (23/09).

E que triste quarta-feira! O STF desmembrou o inquérito da operação Pixuleco II, que investiga a petista Gleisi Hoffman, retirando-o de Moro e Teori Zavascki, e acabou por redistribuir os casos dos investigados sem foro privilegiado para a Justiça Federal de São Paulo. Entenderam, como dizia o jornalista de O Globo,Noblat, “que só cabe a Moro investigar o roubo da Petrobras. Mesmo que os ladrões da Petrobras tenham roubado outras empresas”. Sequestraram as prerrogativas da equipe que desmontava, de forma centralizada e organizada, um esquema criminoso de profundas e múltiplas ramificações e que atentava contra a normalidade democrática em benefício de um projeto de poder. Entregaram a Dias Toffoli, ex-advogado do PT, o poder sobre o caso de Gleisi.

Gilmar Mendes, mais uma vez, como diante do outro duro golpe que o STF consentiu em aplicar sobre a democracia – o fim do financiamento empresarial de campanhas -, reagiu e denunciou que a medida desconstrói, ou ao menos enfraquece, a narrativa correta que as investigações construíam: a de que tudo era parte de um grande e mesmo projeto, de que tudo estava interligado. Enfraquece-se a perspectiva e, assim, celebram os culpados, vendo aumentarem suas chances de escapar da justiça. Enfraquece-se o ataque, necessário e imperioso, ao projeto lulopetista em curso. Enfraquece-se, mais ainda, o já combalido Brasil. Cumpre-se a profecia de Joaquim Barbosa, que receava o domínio da “maioria de circunstância com todo o tempo a seu favor”, na esfera máxima do Judiciário nacional.

Não posso conter minha revolta. Simplesmente não consigo. Por razões alheias à minha deliberação, talvez por tolice passional, talvez por infantilidade, mas eu ainda amo este país. Acredito estar condenado a esse amor. Minha terra, meu chão, meu povo; é, portanto, na pele que sentimos, que sofremos, quando esses vermes nos corroem o futuro; quando esses canalhas, infames e sem honra, com suas poses pedantes e falsamente sacrossantas, do alto de suas intoleráveis tergiversações para escandalizar com sua mediocridade os poderes da República e bater martelos sobre os rumos da nação – tratando-a como sua posse e seu feudo -, destroem nossas esperanças, devastam nossos sonhos, fazem troça da justiça e se apressam por matar – e enterrar – o Brasil. Responsáveis somos todos, porém, quando, inertes, nos acumpliciamos dessa vergonha. Responsáveis somos todos quando, calados, aceitamos que nos submetam a essa avacalhação. Quando nos dobramos, quando nos curvamos. Quando fazemos número entre os que nada fizeram.

Meus compatriotas, amantes da liberdade que o Ocidente forjou e que, em nossa terra, ainda que pairando como retórica sobre a realidade, fez parte das bases de sua formação desde os idos de Bonifácio e Nabuco, e hoje inspira, em ideal, aqueles de nós que se debatem contra a tirania cleptocrática da propina e do banditismo: algo precisa ser feito. Eu não sei exatamente o quê; espero ansiosamente que me digam. Que me perdoem se estiver sendo melodramático, realmente me perdoem, mas nossa atmosfera é sufocante, e quem se importa, meus amigos, não consegue ficar indiferente. Talvez reaja em exagero; mas não creio. No momento, não creio. Não enxergo assim. Enxergo um país que tem, no despertar de uma consciência alternativa, uma porta de esperança; mas que, ao mesmo tempo, vê os ratos que o enclausuraram em suas tocas fazendo o mais intenso e clandestino esforço para tapar cada fresta por onde essa pequena luz possa penetrar.

É preciso salvar a Lava Jato! Não sei, confesso, o que têm em mente, hoje, os movimentos populares que convocaram as manifestações. Não sei se existe algum tipo de pressão a respeito disso nos seus planos. Não sei se há o que fazer. Mas se houver, contem comigo. Se formos às ruas, estarei lá. Chamemos, conclamemos todas as vozes organizadas, pressionemos! A impunidade esmagará o Brasil; é a justiça prevalecendo, em todos os níveis, que pode resgatá-lo das sombras. Não quero descrer. Não quero desistir. Você quer? Você já conseguiu? Talvez eu devesse invejá-lo. Talvez recuar e mergulhar em desesperança completa seja mais cômodo. Entretanto, definitivamente não sou capaz.

Repetimos: a Lava Jato é ainda mais importante que o impeachment. Os dois, consumados, serão o triunfo da justiça. Abortados, abrirão as portas para a perdição.

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Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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