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Rodrigo Constantino

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A hipocrisia do socialista Michael Moore: ele pode decidir com quem faz negócios, mas o cristão não?

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Imagine, caro leitor, que você é um fotógrafo que costuma trabalhar em eventos como casamentos e festas em geral. Ou então que você tem uma pequena empresa que faz doces para esses mesmos eventos. E acrescente também o fato de que você é um cristão devoto, que encara o homossexualismo como pecado terrível. Deveria o estado, por meio de coerção, obrigá-lo a trabalhar para um casamento gay? Deveria você ser forçado a tirar as fotos dessa festa, ou a produzir o bolo com os noivos em destaque?

Não é preciso ser um libertário para perceber o dilema aqui, e o abuso de poder de um estado que pode impor tal escolha a um cidadão, contra a sua vontade. Claro que viver em sociedade significa abrir mão de alguns direitos, de parte de nossa liberdade. Afinal, não somos ilhas isoladas, e um convívio civilizado demanda a tolerância. Mas ao acusar de “homofobia” essa recusa com base em crenças enraizadas e defender o uso da força contra o indivíduo, muitos “progressistas” deixam transparecer seu viés autoritário.

Um viés que, como sempre, é bastante seletivo, hipócrita. Sim, pois eles são os primeiros a pregar boicote a Israel (sendo que claramente não vão abrir mão dos produtos idealizados ou criados no país, pois teriam que viver sem boa parte da tecnologia moderna). E também acham que podem abrir mão dessa obrigação e exercer sua liberdade de escolha individual quando lhes der na cabeça.

Foi o que deixou transparecer o cineasta Michael Moore, bufão socialista milionário que produz inúmeros “documentiras” contra o capitalismo. Acabou levando uma resposta humilhante:

Ou seja, Michael Moore acha que tem todo o direito de vetar a distribuição de seus filmes em locais onde há leis “preconceituosas” contra a comunidade LGBTXYZ. Mas ele não acha que os outros devem ter o mesmo direito. Claro, ele é a voz da tolerância, da pluralidade, do combate ao racismo, ao atraso, à homofobia.

E, nessa cruzada, vale tudo, inclusive ignorar os mesmos direitos quando vêm do lado oposto. O fotógrafo cristão deve ser obrigado a trabalhar no casamento gay contra suas crenças, mas Moore pode vetar seu filme onde quiser e como bem entender. Parece justo?

O livre mercado, como sabem os liberais, costuma ser o melhor antídoto para preconceitos, até porque eles costumam custar caro e doer no bolso, parte sensível de todos – da esquerda à direita (mais à esquerda, pela minha experiência). Escolher com base em preconceitos, portanto, pode significar perda de receita, lucro menor. E isso é um grande incentivo para a pluralidade.

Mas devemos respeitar os indivíduos para quem há valores mais importantes do que o vil metal. Para algumas pessoas, ter que fazer um bolo com dois “pombinhos” homens para um “casamento” pode ser insuportável, uma agressão que vai contra as suas crenças mais básicas. Você tem o direito de considerar isso um atraso, claro.

Mas pense bem antes de demandar o uso da força para combater tamanho atraso: a mesma força poderá ser usada contra você, quando você quiser vetar o seu produto em determinados meios que julgar terríveis. Não vale defender a liberdade individual de escolha só para os “progressistas iluminados”…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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