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Rodrigo Constantino
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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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O cérebro "desenvolvimentista": quando emoções dominam totalmente a razão

seesaw with heart and brain, 3d illustration

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Em Esquerda Caviar, levantei 20 possíveis explicações para o fenômeno paradoxal de empresários ricos, atores gananciosos, intelectuais no conforto capitalista e jovens de classe média-alta detonarem o capitalismo, o lucro, a ganância. A insistência nas bandeiras sensacionalistas e românticas é impressionante, e é tema recorrente aqui no blog. Mas se tivesse que reduzir para somente duas alternativas, diria que temos a canalhice de um lado, e o romantismo do outro.

O primeiro grande grupo é simples de compreender: pessoas que não introjetaram valores éticos, que não ligam para a moral, para princípios, e se vendem em troca de “esmolas” estatais, influência política, poder etc. A lista é grande: atores pendurados na Lei Rouanet, intelectuais que vivem de verbas públicas, empresários “amigos do rei” que recebem subsídios etc. Mas o segundo grupo também é expressivo e não deve ser ignorado.

Há, sim, gente com boas intenções vítima da armadilha sensacionalista, incapaz de raciocinar de forma mais lógica e buscar conhecimento objetivo e imparcial para reduzir a ignorância, alimentada pela visão romântica de mundo. Essas pessoas simplesmente não conseguem abandonar os slogans e dogmas da esquerda, pois eles as confortam. Acabam, então, imunes aos argumentos e fatos, insistindo em crenças fracassadas mesmo após todas as evidências de seus estragos. Os “desenvolvimentistas” fazem parte desse grupo.

A economista Monica De Bolle escreveu um artigo no GLOBO de hoje justamente sobre o cérebro desses “desenvolvimentistas”, mostrando como ele opera com base em emoções, não na razão. Os rótulos, tais como “elite”, “rentista” e “neoliberal” são fundamentais para simplificar o mundo deles: basta identificar alguém que pensa diferente para jogar para o lado dos “malvados”, que não desejam melhorar a vida dos mais pobres, ao contrário deles, abnegados “desenvolvimentistas”. Diz Monica:

O corpo caloso do cérebro desenvolvimentista é composto por tipo de complexidade peculiar. As estruturas que conectam os dois hemisférios, a lógica, de um lado, a criatividade, de outro, são incapazes de conectar salários que crescem acima da produtividade com a inflação galopante que assola o país. Termos como “inflação de custos” proliferam entre aqueles que se autodenominam defensores do crescimento, inimigos dos neoliberais que querem… Bem, eles não sabem articular o que os ignóbeis neoliberais querem. Sabem apenas acusá-los de serem “contra o povo”, “a favor dos bancos”. “Inflação de custos” é expressão para lá de enganosa. Se os custos sobem pressionando preços, é porque em algum lugar a demanda cresce acima da capacidade de oferta. Às vezes, a demanda cresce acima da oferta, mas o governo não deixa o mercado se ajustar, represando os preços. Tal atitude desarranja o balanço das empresas e o papel dos preços como sinalizadores de abundância e escassez, situação insustentável. Mais dia menos dia, os tais dos custos têm de ser corrigidos, levando à escalada inflacionária que hoje testemunhamos. O cérebro desenvolvimentista, entretanto, não faz a conexão entre um lado e o outro.

Em português mais coloquial, essa gente não consegue ligar “lé” com “cré”, não conecta causa com efeito. São seres emotivos ao extremo, dominados pelo sistema límbico, “a parte mais primitiva do cérebro”. Sim, são seres mais primitivos, não resta dúvida. Parecem incapazes de aprender com os próprios erros. Continuam pregando receitas absurdas, mesmo após novos fracassos. Causam inflação e depois condenam o empresário “ganancioso” pela alta de preços. Geram desemprego, mercado negro, e depois pedem mais intervenção para curar o problema causado por excesso de intervenção. Produzem rombos no orçamento público e depois pedem mais gastos do governo.

Como a marca registrada dessa turma é não aprender com a história, fica difícil ter muita esperança em sua capacidade de mudança. Mas Monica, talvez tentando manter uma postura otimista e lembrando do alerta de Dante, decide apostar no melhor: “O cérebro humano exibe plasticidade única na natureza. Talvez seja possível crer que o cérebro desenvolvimentista passe por transformações súbitas após testemunhar o desastre da economia brasileira. A esperança, afinal, a esperança”.

Mas confesso que não é fácil manter a chama da esperança acesa. Eu mesmo já recebi muitas mensagens de gente doutrinada pelo “desenvolvimentismo” que conseguiu se curar, descobrir o liberalismo, criticar com argumentos lógicos e fatos históricos as baboseiras dos inflacionistas. Logo, deveria ter alguma esperança. Ocorre que os que são capazes de superar o estrago causado pelos professores inflacionistas estão em minoria. Muitos ficam perdidos para sempre, olhando invariavelmente para o governo em busca de salvação para os males econômicos, pregando mais gastos públicos, mais impostos, mais intervenção. É complicado, viu? O Brasil cansa…

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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