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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Reinaldo Azevedo: colocando os pingos nos is

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A imensa maioria dos meus leitores está decepcionada ou indignada com Reinaldo Azevedo por conta de seus últimos ataques chulos ao que vem chamando de “direita xucra”, na qual fui incluído num dos seus textos, e alguns acham que ele deve ser simplesmente ignorado. Não penso assim. Acho que esse tipo de “treta” sempre ajuda a esclarecer pontos de vista políticos e ideológicos, a separar o joio do trigo.

Tinha respeito e admiração por Azevedo, confesso. Basta verificar a quantidade de vezes em que o mencionei em textos no meu blog para perceber isso. O homem escreve bem, tem cultura e foi um combatente aguerrido do lulopetismo. Alguns leitores apontavam para a falta de recíproca, alegando que ele jamais me citava em seu blog. Nunca liguei. Meu lance não é inflar o ego, mas ajudar no avanço do liberalismo em que acredito.

E quando percebo que Reinaldo tem prejudicado essa meta mais do que colaborado com ela, aí é hora de torná-lo alvo sim. Não posso fazer vista grossa quando alguém que já foi tão influente na direita passa a defender bandeiras claramente de esquerda, minando a própria direita que começou a acordar em nosso país. Ficamos com a nítida sensação de que derrubar o PT era o grande objetivo de Reinaldo, e que agora a “direita” desejável seria aquela do PSDB, um partido… de esquerda!

Se Reinaldo Azevedo é a “direita permitida” pela grande imprensa, uma espécie de “direita da esquerda”, então é fundamental mostrar que ele não fala em nome da direita, que o seu “tucanismo” não representa o liberalismo clássico, muito menos o conservadorismo de boa estirpe, mas sim uma versão mais light do próprio petismo.

O ranço trotskista permanece presente no escritor, que tem deixado o estilo radiofônico dominá-lo cada vez mais, mesmo em seus textos. Está mais afetado, histriônico, arrogante, e se achando o senhor da razão. Eis um momento em que admite a permanência do passado em seu estilo e ainda afirma que o PT não é de esquerda, mas autoritário, como se não fossem praticamente sinônimos:

Por que tentar livrar a esquerda do petismo, se o PT é o símbolo dessa esquerda jurássica latino-americana? Qual o próximo passo: falar que o chavismo na Venezuela também não é esquerda? Livrar o esquerdismo dos terríveis resultados do “socialismo do século XXI”? Só falta agora culpar o capitalismo liberal pelas desgraças causadas pela esquerda no continente na última década…

Reinaldo se perdeu, deixou o poder subir à cabeça, não foi capaz de controlar seu ego cada vez mais inflado. E agora passa a atirar em qualquer um que fala em nome da direita, pois deseja monopolizar esse papel, sendo que nem mesmo é de direita! Aqui ele chegou a falar que seria meu “Tea Party”, o lado conservador do liberalismo, enquanto eu seria o lado mais liberal:

Mas se eu mudei desde então, foi justamente porque me tornei mais conservador dentro do liberalismo clássico. Então por que Azevedo agora me coloca como “direita xucra”? O que mudou? Não fui eu… Fica claro que quem mudou foi ele, abandonando o liberalismo, o conservadorismo, e se tornando um tucano cada vez mais estridente, cuspindo nos “excessos” da Lava Jato, defendendo de forma exagerada o governo Temer, aplaudindo o desarmamento, criticando a volta às ruas, ligando uma metralhadora giratória contra as lideranças conservadoras.

Que fique claro: é legítimo, como já cansei de escrever aqui, alertar para o risco de um crescente judicialismo da política nacional, ou até mesmo questionar se a volta às ruas é mesmo o ideal, ou se isso poderá fortalecer a esquerda com a pauta “fora Temer”. O ponto não é esse: mas a forma com a qual Reinaldo tem feito seus ataques chulos, suas prioridades, sua obsessão contra Sergio Moro e a Lava Jato, que não consegue mais esconder por trás do “legalismo” exacerbado.

Seu ataque deselegante, machista, desonesto e ofensivo a Joice Hasselmann foi a gota d’água para muitos, que finalmente acordaram para essas mudanças muito estranhas do autor. Mas Joice rebateu com luva de pelica, com elegância, mas sem deixar pedra sobre pedra, inclusive sobre o caráter de Reinaldo, pois não é aceitável um comportamento tão dissimulado desses:

Acho isso tudo muito lamentável. Não gosto de ter que desnudar o ex-colega de Veja dessa forma, de colocar os pingos nos is. Mas considero essa tarefa necessária, pois Reinaldo, como ele mesmo gosta de destacar com tanta fanfarra, ainda possui vários empregos, vários canais de comunicação que utiliza para influenciar leitores, ouvintes e telespectadores. Logo, não pode ser simplesmente ignorado. Não quando ainda banca o ícone da direita, atacando toda a direita e preservando os caciques tucanos de esquerda.

Sei que a perda de credibilidade de Reinaldo tem sido meteórica, que se assemelha a uma montanha-russa, como descreveu Nando Moura: ele acumulou ao longo de anos esse respeito, aos poucos, e de repente coloca tudo a perder, numa queda abrupta, melancólica, vertiginosa. As próprias quantidades de curtidas e “descurtidas” em seus vídeos e naqueles de seus (agora) adversários comprovam isso: Reinaldo perdeu o contato com a realidade, o pulso da população, e passou a defender o outro lado, aquele que tem se colocado contra o Brasil.

Num momento de mudanças como esse, ninguém consegue sair impune dessa traição. Reinaldo Azevedo acabou para muita gente. É uma pena. Mas foi ele mesmo quem cavou esse buraco. Só falta agora, num ato de resquício de honestidade intelectual, ele fazer um favor para nós, da direita, e para si mesmo: sair do armário! Que tenha coragem e se assuma logo um tucano social-democrata, defensor de Obama e Hillary Clinton, de FHC e José Serra, e deixe o liberalismo verdadeiro para os liberais…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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