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Rodrigo Constantino

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Ricaços pedem a Congresso americano que não corte impostos dos mais ricos

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Todos preferem pagar menos impostos, certo? Bem, na prática sim, mas nas aparências nem sempre. Um grupo de 400 milionários e até bilionários enviou ao Congresso americano uma carta com uma mensagem bem simples: “Não corte nossos impostos”.

A carta é atribuída a 400 “ricos e pagadores de impostos de alta renda”. Há os de sempre, como George Soros e Rockefeller. A ONG por trás é a Responsible Wealth, um grupo de causas “progressistas”. De acordo com o site, o grupo é formado por líderes de negócios, investidores e herdeiros entre os 5% americanos mais ricos, que acreditam que a crescente desigualdade não é de seu interesse, tampouco da sociedade.

Eis as razões para o grupo defender mais, não menos impostos sobre os ricos:

  • Eles temem uma perda de receita do governo que leve a cortes nos serviços públicos, como educação e saúde;
  • Eles alegam que o plano de corte dos republicanos favorece desproporcionalmente os mais ricos;
  • Eles acreditam que a melhor forma de fortalecer a economia é investir em instituições cívicas em vez de conceder corte nos impostos;
  • Eles calculam em $269 bilhões a perda em dez anos com a retirada do “estate tax”;
  • Eles concluem que o melhor seria o governo aumentar os impostos sobre os mais ricos.

O que leva a uma defesa aparentemente tão contraditória? Seria puro altruísmo? Estariam esses ricos, em muitos casos herdeiros de grupos como Rockefeller e Disney, preocupados apenas com os outros, a sociedade? Há controvérsias, e há de tudo ali.

Em parte, temos herdeiros culpados tentando expiar seus “pecados”, tentando se sentir bem com esse discurso. Em parte, temos figuras como o próprio Soros, que tem sede insaciável por poder, e quer concentrar mais e mais recursos no estado, no afã de controlá-lo depois. Em parte, há ainda o puro interesse mesquinho, de quem já chegou no topo e quer chutar a escada, impedindo o acesso dos demais.

Na prática, as medidas pregadas não beneficiam os mais pobres. Concentrar recursos no estado nunca foi boa medida para retirar pessoas da miséria, ou sequer para combater as “desigualdades”. A ideia de que somente os mais ricos pagariam é ilusória, como vários economistas já cansaram de mostrar. Fala-se em taxar os mais ricos, mas no fundo é a classe média que paga o pato, sempre, pois os ricaços possuem várias brechas para fugir de parte da bocada do leão.

Por fim, resta questionar por que esses herdeiros ricos não simplesmente doam suas fortunas para o estado, se acham que esse é mesmo o melhor caminho para a prosperidade. Reparem que até mesmo Soros, que recentemente “doou” sua fortuna de $18 bilhões, não assinou o cheque para o governo americano, mas sim para sua própria fundação “Open Society”. Não confia no estado? Quer que os outros sejam obrigados a pagar mais para o estado, mas quer controlar o destino de sua fortuna para causas “progressistas”?

Incoerente e hipócrita, não? Todo rico que se sente culpado, talvez por não ter criado a própria riqueza, talvez por tê-la obtido com especulações contra burrices de governos que custaram caríssimo para a população (como o próprio Soros ao ganhar $1 bilhão apostando na desvalorização da libra), pode simplesmente abrir mão de seus bens, doá-los ao governo. Por que, então, não fazem? E pior: por que querem obrigar os outros a fazê-lo?

Reduzir impostos é deixar mais recursos nas mãos dos indivíduos, que via de regra investem de forma bem mais eficiente do que os burocratas e políticos. O discurso de que o corte de impostos favorece os mais ricos é falacioso e feito sob medida pela esquerda para instigar a inveja dos leigos. É preciso passar a ideia de riqueza como jogo de soma zero, em que um é rico porque o outro é pobre, e que cabe ao estado, então, “redistribuir” as riquezas.

Isso é socialismo. E é isso que Soros, um especulador bilionário, defende. Para quem estudo história não há nada de estranho aqui. O socialismo sempre foi bancado por ricaços…

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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