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Páscoa

Chocolate faz bem, mas sem exageros

Benefícios diminuem quanto maior o exagero. Especialistas afirmam que o mais indicado é comprar ovos menores e de melhor qualidade

A bailarina Anna Maranhão come chocolate todo dia e não entende como as pessoas conseguem guardar ovos de Páscoa por muito tempo |
A bailarina Anna Maranhão come chocolate todo dia e não entende como as pessoas conseguem guardar ovos de Páscoa por muito tempo
 
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Chocolate faz bem, mas sem exageros

Nos supermercados, olhar para cima começa a se tornar um hábito entre crianças e adultos. Ao passar por corredores repletos de ovos de Páscoa pendurados, não tem como não ceder à tentação de levar para casa o seu chocolate predileto em tamanho família. Para especialistas, o alimento faz bem, mas com moderação.A publicitária e bailarina Anna Paula Maranhão, de 30 anos, conhece bem sua “patologia”: ela é viciada em chocolate, principalmente nos efeitos do doce no seu organismo. “Ele causa uma euforia e acaba com todos os meus problemas”, brinca ela, que come pelo menos um tabletinho diário, depois do almoço. Mas Anna espera a Páscoa para botar para quebrar. “Eu vou comprar ovos para mim, ganhar outros, mas eles não vão durar. Aliás, não entendo como alguém consegue fazer os ovos durar todo o ano.” Quase sempre sua escolha recai sobre o chocolate com 50% de cacau: “É mais saudável!”, diz ela. Anna está certa. Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez Duarte, o ideal na Páscoa seria que as pessoas se satisfizessem com chocolates com mais cacau, mas em quantidades menores. “Os doces com mais cacau saciam rapidamente, e dificilmente você irá comer tudo em um dia”, diz ela, que é diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). Presentear com ovos e cestas gigantescas não faz bem nem para o bolso, nem para a saúde caso o presenteado queira comer tudo de uma vez. Para as crianças, o ideal seria dar um ovo pequeno acompanhado de um brinquedo. “Muitas vezes elas gostam de abrir para ver o que tem dentro, não de ficar devorando chocolate, e quem acaba comendo tudo são os pais”, diz.

Benefícios

O fascínio que o chocolate causa tem explicação científica. O segredo dos benefícios do chocolate está na teobromina, um composto fitoquímico que, como a cafeína e outros alcaloides, atua estimulando o sistema nervoso central e o músculo cardíaco, como explica a engenheira de alimentos Laura Beatriz Karam, professora do curso de Engenharia de Alimentos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). “O consumo moderado melhora o desempenho no trabalho e nos estudos, mas a alta ingestão causa irritabilidade, insônia e distúrbios gastrointestinais, por isso, chocolates e achocolatados devem ser evitados para bebês e controlados para crianças”, diz ela, que cita outro componente benéfico dos chocolates: os flavonoides atuam como antioxidantes e estão presentes também em chás (verde e preto), uvas vermelhas, vinho tinto e café.

Fisiologicamente, o chocolate estimula a liberação de serotonina pelo organismo. Mesmo em pequenas quantidades, segundo a nutróloga Marcella Garcez Duarte, a reação química ocorre – e também passa –, em poucos segundos, o que justifica a vontade de continuar comendo. “Todo doce realiza este processo, o que pode ser um problema no caso do chocolate ao leite, que tem uma grande quantidade de açúcar e calorias, uma bomba para quem tem diabete, dislipidemia ou facilidade para engordar”, diz.

Segundo o chefe do Serviço de Neurologia do Instituto de Neurologia de Curitiba (INC), Pedro André Kowacs, tanto os alcaloides quanto os flavonoides contidos no chocolate melhoram a função neural e o desempenho cerebral, conforme afirmam pesquisas recém-publicadas sobre a influência do consumo do doce em funções visuais e cognitivas. “Além disso, o açúcar contido no chocolate serve como combustível das células cerebrais, o que explica em parte porque as pessoas têm tanta vontade de comer chocolate”, diz. O neurologista assinala que o sabor e aroma complexos e agradáveis ao paladar também fazem do chocolate uma tentação.

Segundo ele, a compulsão por chocolate pode fazer parte de uma desordem alimentar, como a bulimia, de uma oralidade exacerbada, de uma compulsão específica, ou simplesmente derivar de um gosto exagerado pelo doce. “Quando ela oferece riscos à saúde como no caso de diabéticos e obesos, a compulsão pode e deve ser tratada – e curiosamente, tem sido utilizada nesses casos a mesma medicação com a qual se trata o alcoolismo (cloridrato de naltrexona), embora as evidências ainda sejam experimentais”, diz ele, que assinala que há evidências recentes, mas ainda frágeis, de que o chocolate escuro pode baixar a pressão arterial e diminuir o risco cardiovascular.

Exagero

Na Páscoa, é comum as pessoas se esbaldarem de chocolate, o que pode causar problemas pontuais tanto em crianças quanto em adultos. A sobrecarga de gordura e açúcar desequilibra o aparelho digestivo e pode causar agitação, enjoos, náuseas, diarreias e problemas gastrointestinais. “O adulto deve controlar o consumo, não é correto deixar uma cesta nas mãos de uma criança de 2, 3 anos. O chocolate deve ser dado gradativamente: o ideal é comer 25g ao dia, o que dá uma fileira de quadradinho de um tablete grande”, diz Marcella.

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