Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Enkontra.com
PUBLICIDADE

Incoerência

Água tratada se perde pelo caminho

Cidades que buscam novos mananciais registram altas taxas de desperdício durante a distribuição da água. No Paraná, índice chega a 43% em São José dos Pinhais

  • Katia Brembatti
De cada 100 litros captados para a Grande Curitiba, 38,1 não entram no caixa da Sanepar |
De cada 100 litros captados para a Grande Curitiba, 38,1 não entram no caixa da Sanepar
 
0 0 COMENTE! [0]
TOPO

Há uma incoerência no sistema de distribuição de água no Brasil: cidades que têm dificuldades para captação também registram altas taxas de desperdício. Das 100 maiores cidades brasileiras, 33 estão na lista das que precisam encontrar novos mananciais para a população até 2015. Contudo, todas essas localidades que devem investir em mais fontes de captação de água têm em comum o fato de contabilizarem perdas acima de 20% do que é coletado. Diminuir o desperdício poderia significar economia de recursos naturais e financeiros, prolongando a vida dos mananciais existentes.

De cada 100 litros captados para a Grande Curitiba, 38,1 litros não entram no caixa da Companhia de Saneamento do Parará (Sanepar), responsável pelo abastecimento da capital e de outros 344 municípios do estado. Vazamentos na rede de distribuição não são as únicas causas de desperdício, mas são as principais. Além de Curitiba, outras quatro grandes cidades paranaenses estão no rol das que precisam encontrar novos mananciais. (Veja números abaixo). Já o Paraná está em posição mais confortável, como o segundo estado brasileiro que menos desperdiça, na distribuição, a água captada e tratada.

Todos esses dados constam em um estudo encomendado pelo Instituto Trata Brasil, que combina também informações do Atlas preparado pela Agência Nacional de Águas (ANA). A pesquisa avalia quanto de água é retirada de mananciais e compara com o que é faturado pelas companhias de abastecimento. Ligações clandestinas e medições erradas ajudam a inflar o porcentual de perdas. O levantamento não considera como essa água é usada: se é para lavar calçada, se escorre displicentemente da torneira ou é aplicada em processos antiquados de produção industrial.

“Inaceitável”

Para Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, o índice nacional de desperdício, baseado nos dados das 100 maiores cidades, é inaceitável. Ele ressalta que os parâmetros internacionais, em países desenvolvidos, ficam na faixa de 10% a 15% enquanto nas principais metrópoles brasileiras oscilam de 20% a 40%. “Em Tóquio, o índice é de 3%”, exemplifica. Carlos destaca que é possível resolver o problema com investimento na rede de distribuição. “O sistema é muito antigo. A maior parte é da década de 80”, diz.

A informatização do monitoramento das tubulações, com sensores de vazamento, é uma das alternativas para tentar evitar os desperdícios. “Quando uma companhia particular assume o saneamento de uma cidade, antes de buscar ampliar a rede, ela tenta encontrar os vazamentos”, enfatiza.

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Vida e Cidadania

PUBLICIDADE