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Desenvolvimento municipal

As cidades em que o Paraná dá (muito) certo

Índice da Firjan mostra que cidades apostam em soluções simples para ter bons resultados

  • Fernanda Trisotto
Francisco Beltrão: parceria entre prefeitura, sociedade e empresas para gerar emprego e renda; | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Francisco Beltrão: parceria entre prefeitura, sociedade e empresas para gerar emprego e renda; Hugo Harada/Gazeta do Povo
 
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TOPO

Oferecer boa qualidade de vida para os habitantes é a meta de qualquer cidade do mundo. O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) – que analisa indicadores de emprego e renda, educação e saúde nos municípios brasileiros – mostra que o Paraná está em situação mais confortável que o restante do país. Embora o nível de desenvolvimento do estado seja elevado, ainda há o que melhorar. E uma maneira de fazer isso é olhar o exemplo daquelas cidades que obtiveram resultados superiores.

SAIBA MAIS: As características de Bom Jesus do Sul, Francisco Beltrão e Novo Itacolomi

INFOGRÁFICO: O mapa do desenvolvimento no Paraná

No caso do Paraná, não há repetição na lista dos dez municípios com melhores resultados em cada uma das três vertentes analisadas pela Firjan, com base nos indicadores de 2013. Em comum, há um predomínio de cidades pequenas – e muitas localizadas no Oeste do estado. A predominância desses municípios só é quebrada quando se trata de emprego e renda. Mas, nesse caso, são as cidades médias que dominam a lista. Curitiba, capital e maior cidade do estado, só aparece na lista de melhores indicadores de saúde, na décima colocação.

Líderes em educação e saúde, as cidades de Bom Jesus do Sul, no Sudoeste, e Novo Itacolomi, no Noroeste, têm poucos habitantes (menos de 4 mil cada, de acordo com o IBGE) e não são destaque pela renda per capita (pouco mais de dois salários mínimos na zona urbana e menos que isso na zona rural, para ambas). Porém, a boa aplicação de recursos públicos e um plano de ação definido garantiram excelentes desempenhos nessas áreas.

Cidades menores têm mais facilidade para se organizar . Se você tem um bom recurso, faz um bom uso do dinheiro público, suas demandas vão reduzindo.

Daniel Nojima diretor do centro de pesquisas do Ipardes

Já o melhor desempenho em emprego e renda é de Francisco Beltrão, no Sudoeste. A cidade, de quase 80 mil habitantes, desbancou os grandes municípios buscando uma solução conjunta entre prefeitura, sociedade e setor produtivo. Foi num esquema de parceria que a cidade melhorou a capacitação para o mercado de trabalho, permitindo tanto a ocupação de postos de trabalho como espaço para o empreendedorismo.

Análise

Para Daniel Nojima, diretor do centro de pesquisas do Ipardes, a prevalência de cidades do Oeste na liderança dessas vertentes tem a ver com a economia. “Renda não explica tudo, mas explica um bom pedaço dos acontecimentos”, diz. Ele observa que Francisco Beltrão tem atividade econômica interessante e é um pequeno centro para a região.

Já as pequenas cidades de Bom Jesus do Sul e Novo Itacolomi se beneficiam de um outro fator. “São cidades em que a população até não cresce mais, pelo contrário. São municípios que perdem população, tanto por gente que deixa a cidade como pela taxa de fecundidade baixa.” Apesar dessa vantagem, Nojima avalia positivamente os méritos dos dois municípios. “Cidades menores têm mais facilidade para se organizar . Se você tem um bom recurso, faz um bom uso do dinheiro público, suas demandas vão reduzindo.”

Colaboraram: Getúlio Xavier e Larissa Mayra

Bom Jesus do Sul

- Região Sudoeste

- IFDM educação: 0,9891
- Ranking estadual geral
do IFDM:
146º

Três fatores são importantes quando se trata de educação em Bom Jesus do Sul, no Sudoeste do Paraná: escola em tempo integral, professores pós-graduados e 90% das crianças matriculadas. Apesar de ser uma cidade pequena, com apenas 3,7 mil habitantes, a atenção com a área é constante. “Desde 2010 o município implantou o sistema de educação integral, e atendemos assim crianças de quatro meses a 14 anos o dia todo nas escolas. Hoje, 90% das crianças que ainda nem estão em idade escolar obrigatória já frequentam as escolas em tempo integral”, explica Clauderis Farias, secretário de Educação e Cultura da cidade. Todos os professores do município também possuem pós-graduação nas áreas em que atuam e contam ainda com auxiliares o tempo todo em sala de aula. “A presença dos professores bem qualificados em sala também oferece a segurança de que os filhos estão em boas mãos. Esses fatores fazem com que a gente mantenha o maior número de crianças dentro das escolas.”

Novo Itacolomi

- Região Noroeste

- IFDM saúde: 0,9861

- Ranking estadual geral
do IFDM:
95º

Novo Itacolomi, no Noroeste do Paraná, tem 2,9 mil habitantes e uma avaliação de saúde que a coloca entre as dez melhores cidades do Brasil. Para um resultado tão bom, a aposta é no planejamento e trabalho coletivo. O município tem dois postos de saúde com uma equipe de cerca de 40 pessoas, entre profissionais de saúde e demais servidores. A secretária de saúde Priscila Felisbino diz que a cidade procura desenvolver com eficiência os programas estaduais e federais e destina parte do orçamento municipal para a área, agilizando o atendimento de exames e cirurgias que não seriam realizados com tanta rapidez pelos SUS. No caso da Rede Mãe Paranaense, programa estadual que acompanha as gestantes atendidas pelo SUS, a quantidade de exames é limitada. Na cidade, caso o médico ache necessária a realização de mais exames, o município cobre esse valor. O mesmo acontece com as cirurgias eletivas. Atualmente, somente 20 pessoas aguardam na fila de espera para realizar um procedimento cirúrgico.

Francisco Beltrão

- Região Sudoeste

- IFDM emprego e renda: 0,852 - Ranking estadual geral
do IFMD:

Em Francisco Beltrão, no Sudoeste, o bom desempenho na área de emprego e renda é atribuído à união do município, aproximação entre sociedade e o setor produtivo e melhoria da educação. Até 2013, o desemprego na cidade assustava e foi justamente nesse ano que começou a virada. “Primeiro, tentamos enquadrar as pessoas nas demandas iniciais das empresas da cidade. O segundo passo foi preencher as vagas que exigiam uma qualificação maior, para isso contamos com a ajuda das próprias empresas para capacitar esse pessoal. O resultado foi um sucesso”, conta a secretária responsável pelo setor de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de Beltrão, Jovelina Chaves da Silva. Também pesou no processo a boa infraestrutura de educação presente na cidade, que oferece bons profissionais para os setores de construção civil e agroindústria. O aumento do nível de capacitação do pessoal serviu para ocupar as vagas em aberto, reduzindo o índice de desemprego, e a incentivar o surgimento de microempresas na cidade.

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