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Laumir Santos: venda de material reciclado rende até R$ 400 por mês |
Laumir Santos: venda de material reciclado rende até R$ 400 por mês
Ambiente

Brasil tem 1,5 mil lixões

Sem tratamento, 13,6% dos resíduos sólidos coletados no país são jogados em depósitos rudimentares

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O Brasil conta com 1,5 mil lixões espalhados por todo o seu território. Esses depósitos constituem a forma mais rudimentar no armazenamento dos detritos. “São pedaços de terra onde o lixo é jogado, sem cuidado e sem tratamento nenhum”, explica o secretário nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski.

Segundo dados do Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos 2006, que reuniu informações de 247 municípios onde está concentrada quase 50% da população – 61% do lixo coletado nessas cidades vai para aterros sanitários, “o que é o ideal”.

Os aterros controlados – que têm uma estrutura melhor do que os lixões, mas onde há o trabalho de catadores – recebem cerca de 25% do lixo. Já o lixões ficam com 13,6% do material coletado, nos municípios que repassaram informações para o diagnóstico. Tiscoski ressaltou, no entanto, que a amostra analisada representa, em grande parte, cidades maiores, grandes centros urbanos, enquanto a maioria dos lixões ainda está nas cidades pequenas e médias.

É o caso de Antonina, no litoral do Paraná, onde o lixão funciona a céu aberto e os detritos são disputados entre as 12 famílias que trabalham ali e os urubus. Como não há compostagem – tratamento dado ao lixo orgânico –, o que contraria a Lei Federal 1.445, de janeiro de 2007, a promotora Maria Aparecida Mello da Silva move ação de improbidade administrativa contra o prefeito Kléber Oliveira Fonseca. “O prazo para adequação era 23 de fevereiro e nada foi feito”, explica.

Sem solução para o lixo orgânico, a reciclagem do plástico, de metais e de papel/papelão é garantida pelos catadores. Laumir da Silva Santos, de 36 anos, é um deles. Vendendo o que acha no local para as recicladoras, ele consegue até R$ 400 por mês. Com o cheiro, Santos nem se incomoda. “Já me acostumei”, diz. O grande problema está nas surpresas que o lixo reserva. “Já cortei a mão várias vezes e tomei uma mordida de cobra no pé que me deixou meses parado. Quase perdi a perna.”

Durante toda a tarde de ontem, a reportagem tentou contato com a prefeitura de Antonina, mas não obteve retorno.

Maria Aparecida move ação semelhante na vizinha Guaraqueçaba, onde a prefeitura chegou a erguer um muro para cercar o lixo depositado. Segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, a cidade já prepara uma solução definitiva para o local, com a construção de um aterro sanitário.

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