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Confira o índice de reprovações no psicotécnico entre 2008 e 2010 |
Confira o índice de reprovações no psicotécnico entre 2008 e 2010
Futuros condutores

Carteira de motorista esbarra no psicotécnico

Só em 2010, pelo menos 31,1 mil pessoas que fizeram o teste no Paraná foram reprovadas. Exame avalia o controle emocional dos condutores

Texto publicado na edição impressa de 24 de abril de 2011

Carteira de motorista esbarra no psicotécnico Ampliar

Pode parecer incomum, mas a probabilidade de alguém reprovar na avaliação psicológica quando vai tirar a carteira de motorista, mais conhecido como exame psicotécnico, é maior do que muita gente imagina. No ano passado, em todo o Paraná, 11% das 282.922 pessoas que fizeram a avaliação psicológica foram reprovadas. Em Curitiba, o índice é o mesmo: 8,9 mil dos 79 mil candidatos falharam no teste.

Instituído em 1975, o exame psicotécnico serve para avaliar características como controle emocional, ansiedade, impulsividade, autoconfiança, resistência à frustração, memórias auditiva e visual, controle e canalização produtiva da agressividade, iniciativa, relacionamento interpessoal, criatividade, fluência verbal e sinais fóbicos dos futuros condutores. As reprovações, entretanto, para alguns não faz sentido.

Ainda na luta pela primeira habilitação, o supervisor operacional de uma empresa de segurança Alisson Souza, 27 anos, teve uma surpresa há dois meses quando viu o resultado do psicotécnico. "Eu vi na autoescola. Nem eles conseguiram me explicar o que aconteceu", diz. Souza, que fez a prova novamente e passou, diz que não estava nervoso no dia do teste. "Eu tinha dormido bem", lembra. Antes de fazer o psicotécnico, o supervisor conta que havia passado por uma avaliação psicológica. "Eu tenho porte de arma. Eu tive que fazer um exame psicológico muito mais completo e passei de primeira. Realmente não sei o que aconteceu", afirma.

Para arquiteta Angelita Feitosa Rodrigues, 25 anos, o resultado negativo foi traumático. Ela fez o psicotécnico no fim do ano passado, quando tentava a primeira habilitação. "Eu já tinha feito o psicotécnico alguns anos antes, para tirar uma carteira de moto, e tinha passado. Eu sabia como seria a prova, apesar do formato ter mudado um pouco", conta.

O que mais deixou a arquiteta frustrada foi o fato de ninguém explicar os motivos da reprovação. "Quando fiz a prova novamente, quis saber porque havia reprovado. Fiquei indignada, ninguém disse nada. Não é transparente", afirma. Angelita foi aprovada na segunda tentativa.

Quando o estudante de Filo­sofia Gilberto de Arruda Mogash fez o exame pela terceira vez, ele achou que realmente tinha problemas. "Fiquei preocupado. Todos os meus amigos passaram na primeira e eu reprovei duas vezes. Procurei uma psicóloga e ela me tranquilizou. Fiz a terceira vez e passei", diz.

A psicóloga especialista em trânsito Adriane Piqueto Machado diz que imagem de reprovação na avaliação psicológica é deturpada. "O que existe é um aprofundamento. Quando alguma característica, como agressividade, por exemplo, é identificada. O condutor é chamado novamente para que possam, com outros testes, investigar melhor aquela característica. E isso pode ser feito quantas vezes for necessário", explica.

Eficácia

Para os especialistas, avaliação psicológica é importante, mesmo que ela não seja um fator determinante para evitar que acidentes aconteçam. A psicóloga Iara Thielen, coordenadora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), diz que no Brasil não existem pesquisas que possam comprovar que o motorista aprovado no psicotécnico vai ser um bom motorista. "A prova é apenas uma triagem, mas ela não garante um trânsito seguro."

Para a psicóloga Adriane Machado, ainda faltam pesquisas que detalhem as características psicológicas dos motoristas que se envolvem em acidentes. Mesmo assim, ela acredita que a avaliação psicológica é vital para a segurança do trânsito. "A avaliação deveria ser feita com mais frequência, porque no decorrer dos anos as pessoas podem desenvolver problemas psicológicos graves. O porte de arma, por exemplo, a avaliação é feita de três em três anos", diz.

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