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Código de Posturas Curitibanas

Os que aqui ficam e dão quórum ao reinado de Momo não são espectadores privilegiados, são testemunhas compulsórias

 | Antonio Scorza/AFP
Antonio Scorza/AFP
 
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Com o advento da “Balada Protegida”, quando o prefeito Rafael Greca instaurou fitas verdes no pulso de quem está limpinho e fitas vermelhas no pulso dos suspeitos de alguma sujeira, o assunto que voltou à mesa no Bar do Popadiuk é o Código de Posturas Curitibanas (CPC).

Para o conhecimento dos baladeiros recém-chegados, o CPC é um documento de caráter extraoficial que rege as regras de costumes, comportamento e funcionamento da cidade. Como se trata de um reduto de curitibaníssimos do Bigorrilho, na opinião da maioria dos frequentadores do Bar do Popadiuk de quatro em quatro anos o Código de Posturas precisa de alguns adendos, principalmente nos artigos referentes aos novos códigos de convivência que todo novo prefeito se acha no direito de impor à população.

Sobre a interminável questão do caráter introspectivo, ensimesmado e recatado da nossa gente, os irredutíveis do Popadiuk acham que agora, mais do que nunca, seria imperioso inserir o seguinte artigo no CPC: “São proibidas manifestações espontâneas de congraçamento em vias públicas sem o apoio e incentivo do prefeito”. Ou então, talvez, quem sabe, uma lei “proibindo qualquer ato de cordialidade com estranhos sem atestado de residência registrado em cartório”. E mais: “Toda e qualquer manifestação de apreço deve ser restrita ao recesso do lar”.

O novo Código de Posturas Curitibanas deve transferir de forma definitiva o carnaval curitibano para o Litoral

Entre outras alterações no Código de Posturas Curitibanas (criado em 1953, com muitos dos seus 921 artigos revogados após a criação de leis específicas), serão revistos os artigos 751 (que proíbe cavalgar em disparada em vias públicas) e 773 (os empresários de cinemas e teatros devem impedir que os espectadores, sem distinção de sexo, assistam às funções de chapéu à cabeça).

No capítulo de alvarás – dizem os mais ortodoxos do Popadiuk –, considerando certa alergia dos curitibanos em relação ao carnaval, um inciso decretaria que “as folias do entrudo só podem ser realizadas com todo recato e respeito, acatando normas civilizadas de comportamento que respeitem a moral e os bons costumes, com a anuência do senhor prefeito”. E no Facebook será postado o fac-símile daquele jornal do século passado que convidou os curitibanos para os bailes carnavalescos com o destacado aviso: “Fica proibida a entrada no salão do instrumento musical chamado cuíca”. Outrossim, os batuques e batucadas não serão permitidos dentro do perímetro urbano da capital.

Para tanto, o novo Código de Posturas Curitibanas deve transferir de forma definitiva o carnaval curitibano para o Litoral. Antes de exterminar, de não restar um único falso brilhante, devemos tratar da transposição do carnaval de Curitiba para Antonina. No estado em que se encontra, minguado e esquelético, o desfile não pode continuar: a prefeitura ainda é capaz de desmoralizar esta instituição que é o carnaval brasileiro. Contudo, se para melhorar é preciso haver alguma mudança, que se transfira, então, a folia para Antonina. Com a alegre e teimosa exceção dos resistentes pré-carnavalescos Garibaldis & Sacis, há muitos anos neste Primeiro Planalto a folia já não resta. A maioria dos foliões desce a serra em busca de sol, samba, suor e cachaça de Morretes. Os que aqui ficam e dão quórum ao reinado de Momo não são espectadores privilegiados, são testemunhas compulsórias.

Para desmentir os eternos inconformados com o “espírito de curitibanidade”, birrentos que ainda insistem em nos rotular como um tipo frio e casmurro, no Bar do Popadiuk foi decretado o seguinte parágrafo único do Código de Posturas Curitibanas: “Todo curitibano, a partir desta data, é um cidadão feliz, risonho, alegre e contente, sobretudo muito limpinho. E revogam-se disposições em contrário”.

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