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Criança é envenenada durante tratamento em Centro Médico de Campo Largo

Composto usado clandestinamente como veneno foi misturado de forma acidental ao carvão ativado. Centro Médico foi interditado pela Vigilância Sanitária por problemas estruturais

  • Vitor Geron
 
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O Centro Médico Hospitalar de Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, foi parcialmente interditado pela Vigilância Sanitária do Paraná na sexta-feira (16) depois que foram encontrados problemas estruturais no local. No dia 28 de novembro, uma criança de três anos com o quadro de intoxicação recebeu tratamento, mas no procedimento acabou contaminada com chumbinho - produto de venda proibida - usado irregularmente como veneno de rato.

De acordo com o diretor técnico da Secretaria Municipal de Saúde, Kengi Itinose, a criança tinha uma intoxicação por naftalina e foi tratada com lavagem gástrica e administração de carvão ativado, procedimentos comuns neste caso. Um frasco com chumbinho estava identificado como produto próprio para ser usado na administração do carvão ativado e o agrotóxico, que é altamente tóxico, acabou sendo usado no tratamento.

"A criança apresentou mal-estar e o quadro piorou. O material foi mandado para análise e no dia 15 confirmaram que havia um pesticida", diz Itinose. Uma sindicância foi aberta para investigar o caso.

Segundo Sezifredo Paz, superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa), a análise que comprovou que a criança foi contaminada com o veneno obrigou os técnicos a realizarem uma vistoria no local. "Houve um erro de administração, acharam que era carvão ativado, mas era chumbinho", explica.

Mesmo assim, o superintendente informou que a pediatria, a central de esterilização de materiais, a lavanderia e um posto de enfermagem foram interditados por problemas estruturais e higiênicos sanitários, sem relação direta com o caso envolvendo o chumbinho.

De acordo com Itinose, a criança foi tratada na UTI do Hospital Regional Infantil, mas já está em casa e não terá sequelas. Informações não oficiais apontam que o chumbinho chegou ao Centro Hospitalar depois que a mãe de um paciente contaminado com o produto levou amostra do agrotóxico para confirmação do diagnóstico. "O frasco não foi desprezado e acidentalmente foi misturado aos demais produtos", explica Itinose.

Com a pediatria fechada, a equipe que atuava no Centro Médico foi deslocada para o Hospital Regional Infantil que concentra os atendimentos agora. Os serviços de lavanderia e esterilização de materiais estão sendo realizados em outros hospitais enquanto as alas do Centro Médico passam por reforma. "Estamos pedindo prazo de 60 dias para a readequação de todo o Centro, inclusive das alas que não foram interditadas", diz o diretor técnico. No local são atendidos, em média, de 500 a 600 pacientes e o número de atendimentos foi reduzido pela metade com o fechamento das alas.

Produto proibido

O carbamato Aldicar, vendido clandestinamente com o nome de Temik, é proibido e altamente tóxico. Como a venda é proibida, equipes da Vigilância Sanitária e da Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon) realizaram, nesta terça-feira (20), buscas por estabelecimentos que vendem chumbinho em Campo Largo, mas nada foi encontrado. Três empresas do município foram autuadas pela venda de inseticidas com alto teor de veneno com venda permitida apenas para empresas especializadas. Também foram encontrados alimentos misturados a produtos tóxicos e medicamentos veterinários vencidos. A suspeita é que o chumbinho tenha chegado a Campo Largo clandestinamente.

A polícia e a Vigilância Sanitária prometem intensificar as buscas pelo chumbinho principalmente em Curitiba e região metropolitana, Londrina, Paranavaí e Apucarana, cidades onde há maior índice de intoxicação pelo produto. "É importante que quem tiver notícias sobre pessoas que vendem o chumbinho denuncie para a polícia ou para a ouvidoria da Vigilância. Garantimos sigilo total na denúncia", garante Sezifredo Paz.

As denúncias em Curitiba podem ser feitas pelos telefones 156 ou (41) 3350-9381. A Ouvidoria do SUS também recebe denúncias pelo 0800 644 4414.

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