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Escândalo de desvio de dinheiro em obras de escolas no PR atinge políticos

Nomes de autoridades e parlamentares apareceram em depoimentos ao Gaeco. Procurador-geral do MP é quem pedirá ou não à Justiça para que citados sejam investigados

Colégio Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul, é uma das seis obras de escolas sob responsabilidade da Valor que estão suspensas pelo Tribunal de Contas. | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Colégio Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul, é uma das seis obras de escolas sob responsabilidade da Valor que estão suspensas pelo Tribunal de Contas. Albari Rosa/Gazeta do Povo
 
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Nomes de autoridades e de políticos do Paraná – incluindo ao menos três parlamentares – foram citados durante as investigações da Operação Quadro Negro, que apura desvio de dinheiro em obras de escolas a partir de contratos firmados entre a empresa Valor Construtora e Serviços Ambientais e a Secretaria de Estado da Educação (Seed), durante o primeiro mandato do governador Beto Richa (PSDB).

Por serem detentores de foro especial, todo o material com os nomes dos políticos e das autoridades foi encaminhado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) ao procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia, chefe máximo do Ministério Público do Paraná. Cabe a ele a decisão de pedir ou não ao Judiciário a abertura de uma investigação contra os citados. Os nomes não foram divulgados pelo Gaeco.

A reportagem apurou que os nomes foram citados em depoimentos prestados em dezembro ao Gaeco. Os relatos apontam que parte do dinheiro inicialmente destinado a reformas e construções de escolas estaduais foi parar nas mãos de políticos e autoridades.

A primeira fase da Operação Quadro Negro foi deflagrada em julho do ano passado pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil. Na ocasião, ficaram presos por dez dias o dono da construtora, Eduardo Lopes de Souza, e o ex-diretor de Engenharia, Projetos e Orçamentos da Seed Maurício Fanini. Na sequência, outras duas operações foram realizadas. A terceira e última, em 15 de dezembro, ficou a cargo do Gaeco, que foi chamado para dar auxílio às investigações do Nurce.

Nesta terceira etapa, Eduardo Lopes de Souza voltou para a prisão e mais um nome apareceu no escândalo: o do ex-vereador de Curitiba e irmão da atual vice-governadora Cida Borghetti (Pros), Juliano Borghetti. De acordo com o Gaeco, ele teria recebido quatro parcelas de R$ 15 mil da Valor Construtora com a missão de agilizar pagamentos à empresa a partir dos contatos que manteria com servidores da Casa Civil.

Juliano Borghetti e outras 14 pessoas foram denunciadas pelo Gaeco à 9.ª Vara Criminal de Curitiba no último dia 30. O irmão da vice-governadora foi denunciado por tráfico de influência. Já o empresário Eduardo Lopes de Souza foi denunciado por organização criminosa, corrupção ativa, falsidade ideológica, fraude a licitação, uso de documento falso, lavagem de dinheiro e obstrução à Justiça. Seus irmãos Viviane e Rogério, seu filho Gustavo e sua mulher Patrícia também estão entre os 15 denunciados.

O ex-diretor da Seed Maurício Fanini, que antes do escândalo vir à tona, em junho do ano passado, se preparava para assumir a presidência da Fundepar (Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná), foi denunciado por organização criminosa, corrupção passiva e fraude a licitação. Na denúncia, o Gaeco fala em prejuízo de ao menos R$ 18 milhões.

Nesta quinta-feira (7), a reportagem não conseguiu contato com as defesas dos denunciados.

“Laranjas” da Valor Construtora teriam recebido oferta para se calarem

Entre as 15 pessoas denunciadas pelo Gaeco à Justiça Criminal no último dia 30, estão Vanessa Domingues de Oliveira e Tatiane de Souza, que, conforme registro na Junta Comercial, figuraram como sócias-proprietárias da empresa. As duas alegam, contudo, que eram meras laranjas do verdadeiro dono da construtora, Eduardo Lopes de Souza, e que apenas trabalhavam como funcionárias dele.

As duas foram denunciadas por organização criminosa, mas a advogada delas, Alexssandra Saldanha Cabral, já pediu um acordo de colaboração premiada, que ainda será analisado pela Justiça. Segundo a própria denúncia encaminhada pelo Gaeco à Justiça Criminal, elas teriam recebido oferta de dinheiro para ficar em silêncio. A proposta teria partido de Eduardo e de sua irmã, Viviane, que atuava como engenheira responsável pela empresa.

A advogada das duas confirmou que foi feita a oferta e que suas clientes não aceitaram nada. Alexssandra Saldanha Cabral não deu detalhes sobre o episódio, mas repetiu que elas já estão contribuindo com as investigações desde agosto. Por causa da suposta oferta, Eduardo e Viviane foram formalmente acusados pelo Gaeco de obstrução à Justiça.

Fiscais

Entre os denunciados, também estão ex-fiscais do governo do Paraná que anotaram falsas medições sobre a evolução das obras das escolas para que os pagamentos pudessem ser liberados à construtora. Eles alegam que registravam medições fictícias a mando de Maurício Fanini. O ex-diretor da Seed nega.

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