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Felizes e descontraídos

Apesar de carregar o rótulo de fechado e individualista, morador da Grande Curitiba diz que gosta de conhecer pessoas e fazer novas amizades

  • Ana Letícia Genaro
O norte-americano Neil (à esq.) e a sua esposa Kátia, nascida em Maringá, com os amigos curitibanos Michelle  e Maurício Gulin. O grupo se reúne uma vez por mês e discorda que os nascidos na capital tenham dificuldades em fazer amizades |
O norte-americano Neil (à esq.) e a sua esposa Kátia, nascida em Maringá, com os amigos curitibanos Michelle e Maurício Gulin. O grupo se reúne uma vez por mês e discorda que os nascidos na capital tenham dificuldades em fazer amizades
 
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Frio, individualista e fechado no seu mundo. Essas são características típicas do curitibano, certo? Os dados da pesquisa da Gazeta do Povo revelam o contrário: a imagem daquele que nasce em Curitiba ou mora muito tempo na cidade é bastante positiva. Entre os entrevistados, 86% afirmaram que o curitibano gosta de conhecer pessoas e ouvir opiniões diferentes das suas e 82% que ele gosta de fazer novas amizades.

“Graças à multiplicação de migrantes de todo o país na região, o curitibano mudou muito. Ele está adquirindo novos hábitos e estilos de se relacionar e interagir que tendem a ser mais abertos e receptivos”, explica Naim Akel, psicólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

O filósofo e professor da Universidade Positivo, Roni Eder Bernardinis, acredita que a influência dos “forasteiros” pode ser vista não só no comportamento como também no aspecto linguístico. “O número de pessoas que tem o sotaque forte, típico do curitibano, está diminuindo”, diz. Na lista de fatores que desencadearam essas mudanças estão a globalização e o desenvolvimento tecnológico. “Como qualquer cidadão do mundo, o curitibano está mais exposto a culturas diferentes. Além disso, há inúmeras ferramentas que facilitam a comunicação e o início de novas amizades”, observa Bernardinis.

Bem-recebido

Ao chegar em Curitiba – há 12 anos – o empre-sário norte-americano Neil Dallas, 39 anos, não esperava ser tão bem aceito quanto foi. “A ideia era ficar só seis meses, mas me encantei pela cidade e pelo povo e decidi ficar”, conta. Foi na capital do Paraná que ele conheceu a maringaense Kátia Nishimura, 41 anos, professora de inglês com quem casou e teve duas filhas. Ainda quando eram namorados, o casal deu início a uma amizade estreita com os curitibanos Maurício e Michelle Gulin – que hoje se estende também aos filhos. “Injustamente o curitibano é criticado por sua cultura, que é diferente da do paulista ou e do carioca, mas nem por isso é pior. Aqui, quando as pessoas fazem amigos, são para a vida toda”, argumenta o norte-americano que costuma se reunir com o grupo pelo menos uma vez por mês.

Forasteiros

Na contramão dos que acreditam que as pessoas que vêm de fora trazem coisas positivas para a cidade, uma parcela considerável ainda enxerga o “forasteiro” com preconceito. A pesquisa apontou que para 53% dos entrevistados, os nascidos em outras cidades que vêm morar na região trazem mais coisas boas do que ruins para a cidade. Em contrapartida, 36% dizem que as pessoas que vêm de fora prejudicam a qualidade de vida na cidade; 35% responderam que o curitibano não gosta que pessoas de fora venham morar na cidade, enquanto que 27% pensam que quem vem de longe para morar em Curitiba suja a cidade.

A socióloga mestre em História e professora da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Isabel Cristina Couto, explica que culturalmente é normal as pessoas não enxergarem com bons olhos quem vem de fora. “Temos a tradição de considerar nossa cultura e nossos hábitos como mais importantes do que os dos outros. É o que chamamos de cultura etnocêntrica”, explica. Na visão de Isabel, o olhar crítico sobre os que vêm de outros lugares pode ser explicado pelo discurso popularizado no século 20 de que Curitiba é a cidade em que tudo dá certo. “No imaginário coletivo a ideia de que o curitibano zela pela limpeza de sua cidade é muito forte. Aí quando os cidadãos veem que algo saiu da normalidade, eles não conseguem enxergar que é um problema institucional e atribuem àqueles que vem de fora”, explica.

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