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Jogo duro para validar médicos “estrangeiros”

Contrária à flexibilização do teste para revalidar diplomas tirados no exterior, setor médico defende rigor do Revalida

Jussara Rodrigues formou-se no Chile e foi uma das duas pessoas aprovadas no Revalida 2010 |
Jussara Rodrigues formou-se no Chile e foi uma das duas pessoas aprovadas no Revalida 2010
 
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Com a alegação de que faltam médicos no Brasil, o governo sinaliza uma flexibilização no Revalida, o Programa Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras, o que atrairia mais profissionais formados fora do país. Para exercer a profissão no Brasil, quem tem um diploma estrangeiro precisa passar pelo exame. No Senado há dois projetos de lei que facilitariam esse processo, eliminando a necessidade de realizar prova.

A medida desagrada à comunidade médica brasileira, preocupada com a qualidade da formação dos médicos que entrariam no país. Para Alexandre Gustavo Bley, presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná, a exigência da prova precisa ser mantida. “É absurdo o governo pensar em qualquer tipo de revalidação automática de diploma, isso não existe em nenhum lugar do mundo. Temos de premiar o mérito e quem está bem preparado vai conseguir passar na prova. Infelizmente essa não é a realidade, pois muitos estudam em escolas ‘pagou-passou’ e jamais vão conseguir a suficiência”, diz.

8,4 mil horas de estudo

Um diploma de Medicina é entregue a um estudante brasileiro após uma média de 8,4 mil horas de estudos. Em paí­ses vizinhos, há escolas que não têm convênios com hospitais para as aulas práticas e que oferecem o diploma de médico formado a quem cumpre 3,2 mil horas durante todo o curso. Ainda há a opção de procurar alguma universidade brasileira que não tenha aderido ao programa e que tenha um processo independente de revalidação.

2 aprovados em 507

Lançado em 2010 como pro­­jeto piloto, o Revalida é apli­­cado anualmente pelo Ins­­tituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira e tem comprovado a falta de qualidade de formação recebida por muitos candidatos em terras estrangeiras. Em sua primeira edição apenas 2 dos 507 inscritos foram aprovados. No ano passado, entre 677 inscritos, 612 não tinham condições mínimas para atuar no país.

Segundo os médicos brasileiros, o nível geral dos formandos é muito baixo em alguns países da América Latina, de onde vem a maior parte dos profissionais que querem trabalhar no Brasil. Segundo o coordenador do curso de Me­­dicina da Universidade Federal do Paraná, Edison Tizzot, a aprovação é baixa porque boa parte dos candidatos até domina a parte teórica, mas tem grande dificuldade na parte prática.

Experiência

Estudante formada no Chile levou dois anos para revalidar diploma

Jussara Souza Rodrigues é uma das duas pessoas aprovadas no Revalida de 2010. Eram 507 inscritos. Formada no Chile, a médica se inscreveu pela UFPR e conta que durante os estudos não imaginava que ter o direito de exercer a profissão no Brasil seria tão difícil. “Vivi os sete anos de formação que são exigidos lá sem essa angústia. Foram anos intensos de dedicação exclusiva, marcados pela prática clínica desde o segundo ano de faculdade em um país de alto nível acadêmico”, diz. Completados os cinco anos de formação teórica e prática, vieram os dois anos de internato nas especialidades básicas da Medicina. Jussara recebeu seu diploma em dezembro de 2009, e voltou ao Brasil. Na época, aconteciam os preparativos para o projeto piloto do Revalida. “Foram dois anos difíceis, porque não havia um cronograma e o processo tinha várias etapas, o que gerava grande ansiedade entre os participantes”, afirma. Trabalhando no Chile, Jussara passou a se preparar a distância para as provas. Vieram etapas de análise de currículo, prova teórica e prática. “Depois de um ano de burocracia o meu diploma foi liberado de Brasília até Curitiba e revalidado com o Conselho Regional de Medicina em dezembro de 2011. Ele é válido nos dois países, o que me permite realizar um intercâmbio de experiências e conhecimento com ambas as escolas”, conta.

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