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Incidente

Manifestantes condenam ação da PM no pré-carnaval de Curitiba

Após confusão ocorrida no Largo da Ordem no domingo (5), polícia sugere mudar endereço da festa. Secretário de Segurança defende ação dos policiais, mas promete investigar o caso

  • Fernanda Leitóles, Mariana Scoz, Felippe Aníbal, Cristiano Castilho, Diego Ribeiro, Carlos Coelho e Anderson Gonçalves
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Em protesto pela ação dos policiais durante a festa de pré-carnaval no domingo (5), manifestantes se reuniram no Largo da Ordem nesta segunda-feira |
Em protesto pela ação dos policiais durante a festa de pré-carnaval no domingo (5), manifestantes se reuniram no Largo da Ordem nesta segunda-feira
 
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Cerca de 300 pessoas participaram no final da tarde desta segunda-feira (6) de uma manifestação contra a ação da PM no pré-carnaval realizado no último domingo (5). Durante o evento, ocorrido no Largo da Ordem, em Curitiba, foliões e integrantes do bloco Garibaldis e Sacis, organizador do pré-carnaval, cantaram, criticaram a ação dos policiais e orientaram os feridos para que registrem boletins de ocorrência.

>>VÍDEO: Veja como foi a manifestação

O movimento foi organizado através da internet por Letícia Camargo, que participou dos festejos no domingo e se disse surpresa com a ação policial. “Ainda quero entender o que aconteceu. Foi um absurdo a forma como os policiais agiram, disparando e atirando bombas contra todo mundo”, diz.

Após a confusão registrada no Largo da Ordem, no Centro Histórico de Curitiba, a Polícia Militar sugeriu que a apresentação do bloco pré-carnavalesco Garibaldis e Sacis mudasse para a Avenida Marechal Floriano Peixoto, no Centro da capital. A sugestão é de que a festa pré-carnaval do próximo domingo (12) já ocorresse no novo endereço. A informação foi divulgada pela Polícia Militar na manhã desta segunda-feira (6) - durante uma entrevista coletiva convocada pela corporação para tratar do tumulto na festa pré-carnaval.

Representantes do bloco Garibaldis e Sacis disseram que não concordam com a alteração e que não pretendem sair do Largo da Ordem. Por enquanto, ainda não há confirmação oficial de que a última edição do pré-carnaval deste ano seja realizada. Um dos organizadores do bloco, Itaércio Rocha, relatou que ainda está conversando com os órgãos de segurança, a fim de garantir que haja condições para o evento acontecer. “Estamos discutindo com as autoridades, vamos aguardar. O que nós queremos é que o pré-carnaval seja apenas alegria, como sempre foi desde o início”.

A manifestação desta segunda-feira reuniu alguns foliões que ficaram feridos durante a ação policial de domingo. Fabiana Zelinski foi atingida na perna por disparos de bala de borracha. “Estava tudo normal e de repente ouvi os tiros, achei que fossem fogos de artifício. De repente começou a confusão e eu senti minha perna sendo ferida”, relata. Receosa no início, ela garante que pretende registrar um boletim de ocorrência contra a Polícia Militar em razão do incidente.

>>Veja vídeo do tumulto no Largo da Ordem

Fotos: Sequência mostra ação de um policial durante confusão no Largo da Ordem

Em entrevista coletiva concedida na tarde desta segunda-feira (6), o secretário de Segurança Pública do Paraná, Reinaldo Almeida César, disse que a polícia agiu corretamente. Ele afirmou que a polícia teve que adotar uma reação capaz de fazer a dispersão e aprovou a conduta dos policiais. "Foi muito positiva a atuação técnica da PM, da Polícia Civil e Guarda Municipal, que fizeram o 'uso progressivo da força', como deveria ser", disse. Ele lametou o fato de haver vítimas, mas acrescentou que "não vai ser um evento como este que vai enodoar a policial civil e militar".

Almeida César disse ainda que a corregedoria da PM vai instaurar procedimento para que se apure o que ocorreu e que será provida segurança para o próximo evento. Segundo o secretário, será feita uma análise técnica ao longo desta semana para determinar se o Largo da Ordem tem capacidade ou não para receber a festa de pré-carnaval.

Confusão

A intervenção da Polícia Militar e da Polícia Civil teria começado quando um grupo cantava músicas de apologia à maconha. Eles teriam jogado pedras na viatura. Os policiais pediram reforço ao Batalhão de Choque e o tumulto teve início.

De acordo com a PM, quatro policiais ficaram feridos e tiveram de ser hospitalizados. Dezenas de foliões foram atingidos por disparos de borracha feitos pelos policiais, muitos não foram encaminhados para hospitais. Uma criança estaria entre as vítimas, de acordo com o Garibaldis e Sacis.

Alguns foliões afirmaram que houve excessos e prestaram queixa no Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (Ciac). O Comando da PM informou que vai abrir uma sindicância para apurar os incidentes ocorridos no Largo da Ordem.

O coronel Ademar Cunha Sobrinho, comandante do 1.º Comando Regional da Capital,considerou que a ação dos policiais foi legal e que não houve truculência. “Foi o uso progressivo da força, você vai escalonando o uso. Isso é para impedir que algo de pior venha a acontecer. É uma atuação de prevenção, mas tem que estar preparado para a repressão”, afirmou o coronel.Quem considerar que houve excessos, deve denunciar o fato no Quartel do Comando Geral, no bairro Rebouças.

O bloco Garibaldis e Sacis se manifestou sobre o incidente por meio do Facebook. “ “Ontem realizamos uma das mais belas festas. Tudo ocorreu tranqüilamente e alegre das 16h às 20h15. Como toda cidade, estamos perplexos, tentando entender o que ocorreu 1h após o termino da brincadeira”, dizia a nota.

Se a mudança de endereço não for feita, a PM cogita aumentar o efetivo no Largo da Ordem para o próximo domingo. Vinte policiais faziam o patrulhamento da festa que reuniu 7 mil pessoas no último domingo (5).

Tumulto no Largo da Ordem

Por volta das 21 horas, quando o bloco já havia encerrado a apresentação, milhares de pessoas ainda permaneciam no Largo da Ordem. Após um suposto ato de vandalismo contra uma viatura, próximo a Rua do Rosário, policiais da Rondas Ostensivas de Naturezas Especiais (Rone), começaram a dispersar a multidão. Eles desceram pelo Largo da Ordem, disparando balas de borracha e bombas de gás nos foliões.

De acordo com a PM, pedras foram jogadas na viatura depois que os policiais pediram para um grupo parar de cantar músicas de apologia ao consumo de maconha. Nesse momento teve início a confusão e a PM afirmou que houve uso progressivo da força, para tentar controlar a situação.

O maior número de pessoas se concentrava na Rua Mateus Leme, próximo ao cruzamento com a Rua Treze de Maio, em frente ao Bar Brasileirinho. Dezenas de pessoas entraram no estabelecimento para fugir dos projéteis. Houve corre-corre e pessoas foram pisoteadas no tumulto.

Cerca de 20 minutos depois da intervenção policial, o cruzamento das ruas Mateus Leme e Treze de Maio estava interditado por várias viaturas da PM e da Guarda Municipal. Indignados, foliões questionavam os policiais pela forma de agir, pois para muitos houve truculência. Um deles era um integrante do bloco, identificado por Luiz. Ele foi atingido por um tiro de bala de borracha na perna e sangrava por conta do ferimento. “Minha filha também foi ferida. Eu vi mulher grávida sendo prensada na parede. Tinha cadeirante desesperado querendo sair do tumulto. Para que tudo isso?”, questionou.

O integrante do bloco, o vocalista Marcel Cruz, também se surpreendeu com a ação da polícia. Ele disse que guardava os instrumentos, quando começou a ouvir as explosões. Em princípio, Cruz diz ter pensado que se tratavam de rojões, mas quando os estampidos começaram a se repetir, ele desconfiou que algo estava errado. “Eles simplesmente evacuaram o Largo na maior agressividade. O bloco já tinha acabado e tinha sido a apresentação mais linda que a gente fez. Mas era o nosso público e isso dói na gente”, lamentou.

Polícia diz que reagiu a vandalismo

Segundo Marco Antônio dos Santos, tenente da Unidade de Eventos da Polícia Militar do Paraná, a confusão foi provocada por participantes do Grito de Carnaval. “Desde as 16 horas estávamos recebendo reclamações de populares sobre algazarra e brigas na região. Um carro da Rotam (unidade de patrulhamento de trânsito da PM) foi enviado, mas foi recebida com pedradas e garrafadas”, disse.

Para controlar a situação, o tenente afirma que foram enviados reforços, com mais carros da Eventos (que estavam próximos ao local, fazendo a segurança da final do campeonato sub-20 de futebol feminino) e Rotam. “Quando as viaturas chegaram, alguns participantes atacaram com pedras, paralelepípedos e garrafas.” O tenente confirmou que um policial foi atingido por uma pedrada e precisou ser hospitalizado.

O policial aponta que houve registro, via rádio da polícia, de um veículo sem placa que atirava contra os policiais e a multidão. Ainda segundo o tenente, barracas desmontadas da Feirinha do Largo, que havia sido realizada pela manhã, foram usadas como arma.

Depoimentos

O jornalista Félix Calderaro, da ÓTV, foi um dos feridos que não foi hospitalizado. Ele contou que havia chegado ao Largo da Ordem havia apenas dez minutos, quando o tumulto começou. "Eu ouvi os tiros e vi a multidão descendo.Todo mundo correu pela Mateus Leme, sentido Treze de Maio. E a PM atirando. Atiraram pelas costas. Não tinha ninguém enfrentando. Foi uma enorme covardia", relatou.

Outras pessoas que estavam no Largo entraram em contato com a Gazeta do Povo para relatar o que viveram. "Eu estava na praça sentada na calçada com os meus amigos, o bloco já tinha parado de tocar quando ouvimos quatro tiros. Quando nos levantamos, vimos a tropa de choque da polícia descendo e dandos tiros de bala de borracha em quem estava lá. Todo mundo saiu correndo, motos e mesas de bar foram derrubados, os bares começaram a fechar as portas. Os policiais nos mandavam entrar nos estacionamentos e nos bares. Eles não queriam mais ninguém na praça", conta a estudante Gabriela Becker, 23 anos, que estava no Largo no momento da confusão.

O estudante Alison Gabriel Moreira Guerreiro, 23 anos, ficou com um hematoma no braço depois de ser atingido por uma bomba de efeito moral atirada pela polícia, segundo ele. Alison conta que a polícia chegou de repente, jogando bomba em todo mundo. A maioria das pessoas correu para a Rua Mateus Leme. Ele estava próximo à Igreja da Ordem quando tudo começou. Ele não soube informar o que motivou a reação da polícia. Ele diz que viu gente sendo atingido por cassetetes e bombas. "Teve gente que foi atingido na cabeça", afirmou.

“Eu estava no bar Brasileirinho e desceram atirando e mandando bomba de efeito moral”, conta o ator Frank Souza, 30 anos. Ele foi atingindo por uma bala de borracha. Durante a entrevista, ele segurava a bala que o atingiu e um cartucho deflagrado. “Eles não falaram nada para explicar a ação. Só atiravam. Tenho o direito de saber porque estava apanhando. A gente só queria se divertir”, diz.

Para o dono do bar Brasileirinho, Cícero Pereira da Silva, o número de policiais antes da festa não era o suficiente. De acordo com ele, se houvesse mais policiais antes do início da festa muitos foliões mal intencionados não teriam aparecido na festa. “Precisava de um policiamento permanente desde o começo. Precisamos de prevenção e não de repressão. Foi pedido mais policiamento, mas não apareceu o suficiente”, afirma.

O professor Alexandre Dantas, 38 anos, também viu parte da confusão. “Vimos policiais disparando bala de borracha em todo mundo. Nos refugiamos no restaurante Madero. Eles chegaram a apontar spray de gás de pimenta”, conta. A esposa do professor, a socióloga Sandra Santos, 35, diz que o casal acompanha o bloco desde 2006. “É a primeira vez que vemos a polícia atuar assim durante o bloco. Eles tentaram dispersar a população a força. Não havia motivo nenhum para fazerem isso”, afirma.

O vigia Paulo Sérgio Franco, 22, acompanhou o tumulto desde o início. Ele foi atingido por uma bala de borracha, segundo ele, disparada por um policial. “A polícia começou a afastar as pessoas. Até então não havia nada. De repente, fizeram um cordão humano e começaram a atacar os participantes com tiros e cassetetes”, disse.

Uma amiga de Franco, a estudante Fernanda Tavares, 22, também foi atingida por uma bala de borracha, nas costas. “Tentei fugir do tumulto pelo túnel (passagem subterrânea que liga o Largo à Praça Tiradentes), mas fui atingida pelo tiro. Os policiais atacaram todo mundo, mulheres, crianças”, afirma. Durante o tumulto, comerciantes precisaram fechar as portas. O gerente de um bar, que não quis se identificar, apontou que quando percebeu a correria, fechou a porta de seu estabelecimento. “Tinha muita gente embriagada e muita confusão. É difícil ter segurança em uma situação dessas”, afirmou.

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