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Debate

Rio+20 responde a dúvidas da nova geração

  • Katia Brembatti
 
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Para um grupo de pessoas, a Rio+20 foi um fracasso retumbante. É que a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável – que é o nome oficial do evento que acabou na última sexta-feira, no Rio de Janeiro – tinha entre os objetivos garantir direitos para as novas gerações. Como desenvolvimento sustentável, porém, significa assegurar as necessidades da população na atualidade sem prejudicar a oferta de recursos para o futuro, nenhuma decisão importante foi tomada pelos governantes presentes no evento para que a Terra continue oferecendo condições de qualidade de vida nos próximos anos. A preocupação é que, no ritmo de consumo de recursos naturais e de aumento de poluição em que a humanidade está agora, o planeta chegará a um ponto em que não será um lugar habitável. Se os 7 bilhões de pessoas do mundo consumissem da mesma forma como fazem os 308 milhões de norte-americanos, hoje já seria necessário usar o equivalente a quatro planetas. Por isso mesmo, a juventude tem motivos de sobra para questionar o que está sendo feito pelos adultos para a preservação ambiental. Instigados pela Gazeta do Povo, alguns adolescentes escreveram para o jornal mandando dúvidas sobre temas debatidos na Rio+20. As perguntas foram apresentadas a participantes do evento. Confira as respostas a algumas questões selecionadas:

Como os participantes da Rio+20 e a ONU trabalharam para incentivar a economia verde?

Luiz Filipe Maciel Gurski, 16 anos.

A ONU está trabalhando para estimular a economia verde justamente por meio de iniciativas como a Rio+20, que discute formas de gerar empregos em iniciativas que sejam menos poluentes. A economia verde é um tema novo, que antes da conferência quase não era citado, mas é importante porque se propõe a eliminar a pobreza e não prejudicar o meio ambiente. Técnicas que buscam a eficiência energética e a redução de gastos de recursos, como a produção com menos água, também foram apresentadas.

Rodrigo Rocha Loures, representante da delegação brasileira no setor empresarial.

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O que acontece se os representantes e chefes de Estado assinam o compromisso declarando que concordam em tomar atitudes para defender o desenvolvimento sustentável e não cumprem?

Carolina Hikari Yamada, 14 anos.

Na prática, não acontece nada com os governantes que não cumprirem o acordo. O que ocorre é que os países podem ser cobrados pelo que se comprometeram a fazer. E a imagem de uma nação que se propõe a fazer algo e não faz pode ficar prejudicada. Enquanto não houver uma corte internacional para avaliar questões ambientais, nada vai acontecer com os governantes que descumprirem acordos, que são do tipo soft law (normas brandas, em inglês) e não tem a força de lei.

Alessandro Panasolo, professor da UFPR na área de Direito Ambiental.

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Como poderemos conscientizar a todos para que economizem água para o futuro das próximas gerações?

Guilherme Hideki Hayashi (idade não informada).

A água não aumenta, nem diminui. Cuidar dela é uma responsabilidade imensa de toda a sociedade, pois a qualidade dela está sendo impactada de forma muito veloz. Inverter essa lógica de poluição é lutar pela sobrevivência social e ambiental. Muitos empregos são gerados pela boa qualidade das águas. Outros milhares são perdidos diariamente por causa da poluição, além de riscos constatados na saúde pública e várias doenças derivadas da água poluída. Assim, devemos olhar a água como ouro azul.

Deputado estadual Rasca Rodrigues (PV), coordenador da Frente Ambientalista da Assembleia Legislativa do Paraná.

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Como vocês farão para conscientizar os cidadãos de que, se não fizerem algo, o planeta vai “morrer”?

Beatriz Eimi Furukita, 12 anos.

Com o passar dos anos você descobrirá que o desafio de mudar as pessoas não é simples. Independentemente do problema a ser enfrentado, a verdade é que, como conjunto da sociedade, demonstramos ser uns verdadeiros cabeçudos. A conservação da natureza é uma questão óbvia para a nossa sobrevivência e já temos informação suficiente sobre a necessidade de mudanças importantes no tratamento que damos ao planeta. Temos de descobrir maneiras mais ágeis. A hora de agir é agora. Pessoas preocupadas como você são a base da fórmula para que a mudança aconteça.

Clóvis Borges, diretor-executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

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O que são empregos verdes?

Bruno Zang Pitombo, 13 anos.

São aqueles postos de trabalho e funções que trazem alternativas para melhor equacionar o tripé da sustentabilidade: social, econômico e ambiental. Esses empregos podem existir em qualquer tipo de instituição, como ONGs, órgãos governamentais e empresas privadas, ou podem até mesmo ser um trabalho autônomo. Profissionais com as mais variadas formações ocupam os cargos “verdes”. Alguns exemplos são as pessoas que trabalham com a reciclagem de lixo. Eu considero que tenho um emprego verde porque trabalho com o desenvolvimento de estratégias inovadoras de conservação da natureza.

André Ferretti, coordenador de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário.

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Por que não fazemos alguma coisa em casa para reutilizar a água?

Vinicius Colombo da Costa, 13 anos.

Seria bom se todas as casas tivessem uma espécie de caixa para coletar água da chuva, por exemplo, mas hoje não há nenhum incentivo para que isso seja feito. Os governantes poderiam estimular essa reutilização da água e a coleta da chuva porque representaria economia de gastos em tratamento de água e em problemas de enchente. Mas você pode fazer uma coisa que não depende de ninguém. Plante uma árvore em frente da casa ou no jardim. Ela mantém a umidade e retém na atmosfera 150 litros de água por dia.

Mario Mantovani, coordenador de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

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Por que enfocar a discussão em questões como destruição das florestas e poluição das águas se muitas vezes a destruição começa com coisas que fazemos em casa?

Anna Paula Bueno Haurani, 13 anos.

As questões que envolvem a proteção do meio ambiente são todas importantes. Existem as mais globais, outras mais específicas e ambas devem ser enfrentadas. A destinação incorreta de lixo e a destruição das águas e das florestas são consequências de um modelo de consumo de bens e serviços. A atitude correta é mudar os hábitos de consumo, comprando o necessário e observando a procedência do produto.

Rosana Gnipper, coordenador do Comitê Paranaense da Agenda 21.

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