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Falta de cadeia produtiva freou uso da bracatinga no Vale do Ribeira

A árvore que revolucionaria o Vale do Ribeira perde espaço por falta de incentivos

  • Katia Brembatti
Sem uma cadeia produtiva estruturada, a bracatinga, que poderia representar uma importante fonte de renda para os agricultores de uma região pobre do Paraná, acaba virando lenha |
Sem uma cadeia produtiva estruturada, a bracatinga, que poderia representar uma importante fonte de renda para os agricultores de uma região pobre do Paraná, acaba virando lenha
 
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Falta de cadeia produtiva freou uso da bracatinga no Vale do Ribeira

Uma árvore nativa que cres­ce mais rápido que plantas exóticas usadas em reflorestamento, que praticamente não dá trabalho e que tem mais poder calorífico, na forma carvão ou biomassa, do que o pinus. Essa é a bracatinga, uma espécie que só não virou uma grande opção de renda para proprietários rurais porque empecilhos em série impedem o avanço como atividade econômica.

Os poucos avanços no melhoramento genético, a falta de uma cadeia produtiva, o envelhecimento da população no campo, a burocracia e a insistência de proprietários em manter as mesmas técnicas de cultivo são alguns dos fatores que freiam a expansão.

No solo empobrecido e pedre­goso de uma das regiões mais pobres do Paraná, o Vale do Ribeira, a árvore fina e comprida podia representar uma guinada na economia local. Na década passada, Emater e Embrapa tentaram incentivar a ampliação dos bracatingais. Em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), foi elaborado um projeto que pretendia evitar o êxodo rural e melhorar a renda dos pequenos produtores.

Quando passa dos 8 anos de vida, a bracatinga cria um cerne escurecido, resistente e bonito para a fabricação de móveis (como a mesa na foto ao lado). Mas a tentativa de estimular a indústria moveleira a apostar nesse tipo de madeira não despertou os efeitos desejados. E o produtor, inseguro se haveria interesse pelo produto de médio prazo, preferia não esperar a formação do cerne e decidia cortar as árvores assim que estavam prontas para lenha. A incubadora de negócios não deslanchou e o barracão construído para o beneficiamento em Bocaiúva do Sul hoje abriga máquinas da prefeitura. Sem um fim nobre, que poderia vir com o uso industrial, a madeira acaba com pouco valor agregado.

Como é uma espécie nativa, a bracatinga precisa de autorização de corte pelo Ins­tituto Ambiental do Pa­raná (IAP). Os produtores ouvidos pela reportagem contam que a demora em conseguir a licença muitas vezes inviabilizava o negócio. O ideal é que ela seja cortada no inverno, para que rebrote, mas o processo burocrático, muitas vezes por falta de pessoal técnico, costumava levar vários meses, atrasando todo o ciclo.

Também em escala nacional, algumas medidas complicaram a expansão dos bracatingais. Uma empresa fez uma pesquisa internacional e decidiu investir em pastilhas de bracatinga para lareiras. A Cepevil instalou uma fábrica em União da Vitória, no extremo Sul do Paraná, voltada à exportação. Mas ocorreram mudanças na regra do jogo. Usar carvão de bracatinga no Brasil continuou liberado, mas vender ao exterior passou a ser proibido. Sem mercado interno, a fábrica fe­chou há dois me­ses. Si­tua­ções como es­sa co­­locam em dúvi­da o futuro dos bracatingais.

O fogo

Depois do corte, o bracatingal não precisa de plantio de sementes ou novas mudas para se regenerar. Ele brota sozinho. A árvore deixa muitas sementes no solo. O problema é que elas precisam de calor para germinar. É o que os técnicos chamam de “quebrar a dormência”. O produtor costuma colocar fogo na área para que a bracatinga rebrote. A queimada tem vários pontos negativos, como prejudicar o desenvolvimento de outras espécies. Em laboratório e viveiros, a dormência é quebrada com água quente.

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