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O Brasil reduziu as taxas de desnutrição e mortalidade infantil. Veja dados |
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Saúde

Obesidade impacta nas estatísticas de mortalidade

Brasileiros estão morrendo mais de diabete e câncer, segundo o Ministério da Saúde. Óbitos causados por doenças cardiovasculares caíram 26%

Texto publicado na edição impressa de 15 de dezembro de 2010

Obesidade impacta nas estatísticas de mortalidade Ampliar

Os brasileiros estão morrendo cada vez menos de doenças respiratórias e cardiovasculares e cada vez mais de câncer e diabete, segundo o relatório Saúde Brasil 2009, divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. Ambos os movimentos estão ligados a mudanças no estilo de vida. Por um lado, a redução do tabagismo ajudou a diminuir problemas de coração e pulmão. O número de fumantes caiu de 35% da população para 16,2% entre 1989 e 2009.

Por outro, estresse, sedentarismo e maior consumo de açúcar e gordura em alimentos industrializados elevaram o número de pessoas com diabete tipo 2 e alguns cânceres, como o de mama.

O diabete figura como a terceira causa de mortalidade, atrás de males cerebrovasculares (como derrame) e cardíacos. Entre 1996 e 2007, o número de mortes causadas pela doença, intimamente associada ao aumento de peso, cresceu 10%. Em 2005, o diabetes ocupava o quarto lugar neste mesmo ranking. Sinal de que o aumento da obesidade já provoca reflexos nas estatísticas de mortalidade do país. “Estamos sentados em uma bomba-relógio”, afirmou o ministro José Gomes Temporão.

Nos próximos dias, Temporão deverá apresentar à presidente eleita, Dilma Rousseff, um Plano de Enfrentamento da Obesidade, com propostas de ações para serem desenvolvidas por diversas áreas do governo, incluindo, além da pasta da Saúde, os Ministérios dos Esportes e da Educação. A proposta prevê ainda o envio ao Congresso de projetos de lei para melhor regular o tema. Uma das propostas em estudo é a de tornar nacional a iniciativa de alguns estados, como o Paraná, de proibir alimentos muito calóricos e gordurosos nas cantinas das escolas.

“São sugestões para o próximo governo. Esse é um tema urgente, daí a iniciativa”, afirmou a coordenadora-geral de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do ministério, Deborah Malta. O diretor do De­­par­­tamento de Análise e Situação de Saúde, Otaliba Libânio Neto, calcula que, mantido o ritmo atual, o Brasil atingirá o mesmo pa­­drão de obesidade da população dos Estados Unidos em 2022.

A obesidade também é considerada fator de risco para alguns tipos de câncer, cujo índice de mortalidade aumentou 4% entre 1995 e 2007. Libânio atribui aumento dos casos da doença ao envelhecimento da população e ao sedentarismo. “No caso das mulheres, há registro de aumento de câncer de mama, associado principalmente a não amamentação e ao uso de contraceptivos”, disse. Para ele, os números mostram a necessidade de se reforçar exames preventivos. Mamografias, no caso das mulheres, e exames de próstata, entre a população masculina.

Queda

Tanto a diabete como o câncer estão na contramão da tendência geral detectada pelo estudo, que é de queda das mortes provocadas por doenças crônicas no país. Entre 1996 e 2007, o grupo que engloba problemas respiratórios, cardiovasculares, além de diabete e câncer, registrou uma queda nos índices de mortalidade de 17%, o que equivale a uma redução média de 1,4% anual. “É um desempenho bastante significativo, provocado principalmente pelo maior acesso a serviços de saúde, às informações e políticas de prevenção”, avaliou Libânio.

A principal causa de morte do Brasil continua sendo as doenças cardiovasculares. Elas respondem por 29,4% dos óbitos declarados. De acordo com o trabalho, na faixa etária entre 10 e 69 anos, morrem mais homens do que mulheres. A tendência muda a partir dos 70 anos, quando a mortalidade do grupo feminino é expressivamente maior. Libânio atribui esse comportamento estatístico principalmente à maior exposição dos homens a acidentes e violência, que juntos compõem o que é chamado de “causas externas”.

As mortes por causas externas apresentam uma taxa de 66,3 óbitos por 100 mil habitantes. Entre homens, o número de mortes é cinco vezes maior. O índice entre grupo masculino foi de 112,4 óbitos por 100 mil. No feminino, é de 21,6 por 100 mil.

Quase 50% dos partos no Brasil são cesáreas

Quase metade dos partos realizados no Brasil ocorre por meio de cesárea. O levantamento do Ministério da Saúde revela que o porcentual da operação saltou de 38% para 47% entre 2000 e 2007. “É preciso encontrar novas alternativas para combater esse avanço. As ações realizadas até agora não mostraram eficácia esperada”, admitiu o diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde, Otaliba Libânio Neto.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, associa a preferência da brasileira à cesárea a fatores como modismo, estética e rapidez. “Mas essa prática pode trazer uma série de problemas. Tanto para o bebê quanto para a mãe.”

O estudo Saúde Brasil 2009 mostra, por exemplo, um aumento de crianças que nascem com baixo peso, um fator de risco para mortalidade. No Sudeste, região com maior porcentual, 9,2% das crianças nasceram com menos de 2,5 quilos. Na Região Sul, foram 8,7%. Os menores índices de baixo peso são registrados onde há menor número de cesáreas, no Norte e Nordeste. “Isso nos leva a crer que o alto número de cesáreas pode estar contribuindo para o aumento do baixo peso”, disse Libânio.

O levantamento aponta para uma redução de 10% do total de nascimentos no país no período 2000-2008. Um fenômeno identificado em todas regiões, exceto no Norte, e registrado entre mães mais jovens. Os números mostram que o grupo etário entre 15 e 24 anos representam 93% dessa queda. Apesar da redução, o estudo admite ainda haver um grande número de adolescentes que engravidam. Dos partos registrados em 2007, 20% ocorreram entre mães com idade entre 15 e 19 anos.

Mortalidade materna

Outro aspecto revelado pelo trabalho é a tendência de estabilidade da mortalidade materna, a partir de 2000. Em 2007, são 75 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. Um número ainda bem superior ao apresentado por países desenvolvidos, mas melhor do que o quadro apresentado em 1990, quando eram registradas 140 mortes por cada 100 mil nascidos vivos.* * * * * *

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