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Petit-pavé é a pedra da discórdia do calçamento curitibano

Especialistas mostram argumentos contrários e a favor do revestimento que virou polêmica em Curitiba

 
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A liminar expedida na segunda-feira que proíbe a aplicação do petit-pavé (pronuncia-se peti pavê e significa, basicamente, pequeno pavimento) na reforma das calçadas da Avenida Marechal Deodoro, no Centro de Curitiba, trouxe à tona novamente a discussão sobre a manutenção do material. Desde então, apenas o revestimento de blocos de concreto intertravados (o paver) é instalado na faixa central da calçada.

No cerne da discussão estão o Ministério Público (MP) e a prefeitura. O MP defende ser o petit-pavê inapropriado por ser deslizante – o que colocaria os pedestres em risco –, além de considerar ineficiente a manutenção feita pelo poder executivo municipal – o que dificultaria o acesso de portadores de deficiências e de pessoas com dificuldades de locomoção. A prefeitura defende a manutenção do petit-pavé por se tratar de um dos elementos que compõem o patrimônio histórico. Portanto, a retirada desfiguraria a identidade arquitetônica da cidade.

O arquiteto Ricardo Tempel Mesquita, especialista em acessibilidade e voluntário na Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP), defende que antes da preservação deve ser considerada a funcionalidade. E com o petit-pavé, mesmo instalado em trechos curtos, como na Marechal – a reforma prevê uma faixa de quatro a cinco metros revestida de paver para o trânsito dos pedestres e outra de dois metros, ao lado do meio-fio, onde estará o mobiliário urbano (placas, lixeiras, postes, etc) –, Mesquita diz ser difícil manter a segurança. Como exemplo, ele cita o desembarque de ônibus. “A pessoa sai de um patamar alto e pisa direto num piso liso, o que aumenta a probabilidade de acidente.”

Mesquita também cita a funcionalidade do paver. Enquanto que o bloco de concreto tem função estrutural (suporta peso), o petit-pavé é apenas estético. Portanto, em locais onde há trânsito de veículos é preciso uma laje estrutural sob o petit-pavé, o que encarece em 30% a obra. “As entradas de veículos de petit-pavé geralmente estão afundadas porque não há laje.”

O também arquiteto José La Pastina Filho, superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), defende não só o lado estético do petit-pavé, mas também o funcional. Segundo La Pastina, o revestimento é permeabilizante. “O petit-pavé permite que a água escoe para o solo”, argumenta.

Para La Pastina, há uma radicalização com o uso do mosaico português (como também é conhecido o petit-pavé), na Marechal Deodoro. O projeto, considera ele, contempla tanto o patrimônio histórico como a funcionalidade. “É um desenho adequado, com o petit-pavé instalado na área onde estará o mobiliário urbano, e não no caminho dos pedestres.” Além disso, ressalta, mantém-se uma das principais identificações da cidade. “O petit-pavé é um dos símbolos de Curitiba. Temos desenhos da década de 30 e 40.”

Aplicação

As empresas fornecedoras de petit-pavé criticam a forma como o material é aplicado. Segundo elas, as empreiteiras que prestam serviço à prefeitura falham na seleção das pedras e na qualificação da mão-de-obra. Além disso, criticam a fiscalização sobre as concessionárias que fazem obras nas calçadas.

Victor Aurélio Tosin, proprietário da Paranafiller Mais Cal, empresa que extrai o petit-pavé, diz que a seleção das pedras em Curitiba não é apropriada. “Os quatro lados devem perfeitos. Se tiver pontas, a calçada fica irregular”, aponta. Já o diretor de produção da Pedreira Cavassin, João Plácido Cavassin, salienta que a falta de qualificação dos calceteiros (profissional que assenta o petit-pavé) tem manchado a imagem do revestimento na cidade. Ele cita o próprio negócio, o qual, apesar de ser paranaense, com 42 anos de atuação, hoje tem 95% da atuação voltada ao mercado paulista. “É tanta gente desqualificada que não vale a pena trabalhar com petit-pavé em Curitiba.”

Para contornar o problema, em janeiro a prefeitura adota um novo procedimento em relação às obras nas calçadas feitas por concessionárias (empresas telefônicas, de gás, Copel e Sanepar). Conforme explica o secretário municipal de Urbanismo, Luiz Fernando Jamur, as empresas terão que apresentar um plano quadrimestral de obras.

Com o planejamento, a prefeitura vai exigir o depósito de uma caução equivalente ao valor da obra antes do trabalho começar. Se as exigências da lei municipal em relação a calçadas não forem cumpridas, o valor será retido. “Se isso ocorrer, o próprio município vai utilizar a caução para realizar as obras dentro do padrão”, informa Jamur.

Interatividade

O petit-pavé deve ser mantido nas calçadas do Centro de Curitiba ?

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