Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Enkontra.com
PUBLICIDADE

Grafitagem

Quando a arte chega ao cemitério

Os muros do cemitério localizados na Avenida São Paulo e na Rua Professor João Cândido, em Londrina, foram pintados por artistas da cidade, de outros locais do Paraná e até do exterior durante o 2º Encontro de Grafite de Londrina

Diogo relata que o grafite é uma arte contemporânea
que renovou o local por onde passa diariamente |
Diogo relata que o grafite é uma arte contemporânea que renovou o local por onde passa diariamente
 
0 0 COMENTE! [0]
TOPO

Quando a arte chega ao cemitério

“Para mim, esses grafites, transformaram o muro do cemitério em um lugar alegre. Antes, isso aqui era triste, apagado e agora está vivo e alegre”. Dessa maneira o estudante Diogo Costa, 19 anos, relatou a sensação de passar diariamente perante a arte de grafite que há duas semanas embeleza os muros do Cemitério São Pedro, na região central da cidade.

Os muros do cemitério localizados na Avenida São Paulo e na Rua Professor João Cândido foram pintados por artistas de Londrina, de outras cidades do Paraná e até do exterior durante o 2º Encontro de Grafite de Londrina, numa parceria da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) e da Secretaria Municipal de Cultura. O que antes era apenas uma divisória entre a passagem de pedestres e os túmulos, serviu como base para a manifestação artística.

O estudante Diogo enfatiza que ao passar diariamente pela João Cândido percebe arte de rua e não pixação. “O grafite é uma arte contemporânea e transforma o local, dá um realce e aqui ouço os comentários, de pessoas mais velhas também, de que está muito bonito.”

Com menos de 4 anos, a pequena Laura também passou a admirar diariamente a arte nos muros do cemitério. A pedagoga Cíntia Dias Kamisima, mãe da menina, conta que filha ‘resolveu’ ser artista depois de ver os grafites nos muros do cemitério. “Ela sempre diz que quer virar artista para um dia ‘pintar o muro do cemitério’. E quando passa do lado fica falando das figuras – ‘esse o gato de asas’. E me pede para comprar tinta para pintar em casa o que um dia pretende pintar no muro.”

O secretário de Cultura, Leonardo Ramos, afirma que o projeto tem como objetivo transformar os trechos de passeio público em local mais agradável para quem passa por ali a pé, de carro ou ônibus. “As opiniões são apenas positivas. O grafite transformou um espaço dum muro em mídia e a qualidade é impressionante. Conseguimos parceiros, que cederam as tintas, hospedagem e gastamos apenas com o transporte dos grafiteiros que vieram de outras cidades. Pretendemos ter outros projetos desse tipo em breve.”

Segundo a superintendente da Acesf, Luciana Viçoso, a iniciativa tem por objetivo envolver a comunidade no universo das artes, tendo por eixo “a linguagem urbana como manifestação política, artística, cultural e social”.

Pintura que se renova

O chefe da divisão de Artes Plásticas da UEL, Danilo Villa, afirma que o grafite exposto nos muros do cemitério não pode ser considerado um desrespeito e sim, uma demonstração da democracia. “Não acho que o grafite em questão seja um desrespeito pelo fato de utilizar os muros do cemitério. O grafite tem um caráter transgressor, alguns trabalhos mexem com a degradação dos espaços públicos, este não é o caso. Os artistas não querem danificar e sim, mostrar um trabalho interessante. Os espaços para a arte devem ser democratizados e este é um grande exemplo.”

Movimento hip hop

O grafite é uma manifestação artística integrante do movimento hip hop, do qual também fazem parte os MC’s (mestres de cerimônias), os DJ’s e os breakers (dançarinos de rua). Segundo o grafiteiro Junior “Carão”, nascido e criado em Londrina, a arte do grafite é considerada um “grito da periferia”, e por isso muito discriminada, mas que aos poucos começa a ganhar mais espaço na sociedade.

Grafiteiro há mais de dez anos, Júnior ‘Carão’ tem trabalhos espalhados por vários pontos da cidade, alem de São Paulo, Rio de Janeiro, e até Europa. Ele foi um dos idealizadores do Encontro de Grafite de Londrina e atualmente expõe seus trabalhos na Casa de Cultura da UEL. “É muito gratificante para um artista poder ter sua arte valorizada em sua cidade, e também é muito importante o incentivo do município para esse trabalho de incentivo à cultura”, comentou. O amigo e também grafiteiro Hugo ajudou a organizar a atividade nos muros.

O projeto contou com a colaboração de várias instituições e órgãos, como a Unopar, o Instituto Cultural Brasil - Estados Unidos, a Serquip, Gram, Unipax, Sanepar e Central Póstumos, que auxiliaram na compra da tinta branca que serviu de fundo para as pinturas, feitas com as tintas dos próprios artistas.

o que você achou?

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Vida e Cidadania

PUBLICIDADE