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Saúde

Mariposas causam dermatites

Contato com o pó liberado pelo inseto causa vários casos de problemas de pele em veranistas e na população local nas praias do Paraná

  • Fernanda Leitóles e Elisa Lopes, especial para Gazeta do Povo
A estudante Jaqueline Oliveira dos Santos percebeu as manchas vermelhas na pele no segundo dia em que estava na praia |
A estudante Jaqueline Oliveira dos Santos percebeu as manchas vermelhas na pele no segundo dia em que estava na praia
 
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A invasão de mariposas no Litoral do Paraná tem preocupado os veranistas. Só em Matinhos estão sendo feitos entre 80 e 90 atendimentos médicos por dia de pessoas que tiveram problemas de pele por contato com o inseto, segundo o diretor-geral do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, Luiz Antônio do Nascimento. Dos cerca de 200 atendimentos feitos no hospital só na terça-feira, 130 eram dessa natureza.

Em 14 dias (de 4 a 17 de de­­zembro), foram registrados 1.206 casos em Matinhos, Pontal do Paraná, Paranaguá, Antonina e Morretes, segundo a 1.ª Re­­gional de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde. Os dados de Guaratuba e Gua­raqueçaba ainda não haviam sido contabilizados.

O pó liberado quando o inseto bate as asas é chamado cantaridina e causa irritação na pele e nos olhos. Os insetos são atraídos pela luz, aparecem à noite e costumam voar nas proximidades das lâmpadas. A mariposa Hylesia é a que tem sido encontrada no Litoral.

Até 17 de dezembro, metade dos casos ocorreu em Matinhos (600). Em Pontal do Paraná foram 490 casos e em Paranaguá, 79, no mesmo período. Além desses, foram 26 registros em Antonina e 14 em Morretes.

No último final de semana, cerca de 150 pessoas procuraram atendimento médico em Pontal do Paraná após o contato com o pó da mariposa.

Uma das veranistas que tiveram irritação na pele foi a estudante Jaqueline Oliveira dos Santos, 14 anos. Ela chegou à praia na segunda-feira e já na terça acordou com os dois braços tomados por manchas vermelhas, como bolinhas. A dermatite atingiu também as mãos e os pés, porém, em menor proporção. “Havia uma ou outra mariposa perto de casa, mas não muitas”. Ela não se lembra de ter entrado diretamente em contato com o inseto. “Sou alérgica a insetos, mas nunca chegou a esse ponto. “Coça muito. É horrível!”, afirma a estudante. Ela procurou o Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Matinhos, na tarde de ontem. A recomendação médica é de que, em hipótese alguma, a pessoa coce o local irritado.

Nascimento afirmou que no máximo em 10 dias o surto deve terminar, pois o ciclo de reprodução do inseto chegará ao fim. Segundo ele, não houve casos graves, apenas extensões variadas de lesão de pele.

Causas

Uma das hipóteses para o surto levantadas pelo biólogo Janael Ricetti, professor do curso de Gestão Ambiental da Fa­­culdade Evangélica do Paraná e doutorando do programa de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é de que o desmatamento no Litoral contribui para a presença do inseto.

O biólogo também afirmou que o grande número de mariposas é por causa do ciclo de reprodução do inseto. “É co­­mum que esses animais se re­­produzam intensamente no fim da primavera e início do verão”, explica Ricetti.

A terceira hipótese levantada pelo biólogo é de que esses insetos tenham se reproduzido em áreas de Mata Atlântica e se espelhado pelo Litoral. “No Brasil, o local onde há maior quantidade de insetos é na Mata Atlântica”, afirma Ricetti.

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