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O Coro da Multidão

Os três pilares contra a corrupção

Quer combater a corrupção? Não é fácil, ela se prolifera com mais virulência que a gripe. Porém, uma estratégia eficaz para combatê-la se fundamenta sobre três pilares: cultura de participação cidadã, fiscalização e punição efetiva. O primeiro desses pilares pode ser considerado uma condição sem a qual não é possível reduzir a corrupção a níveis menos alarmantes. Sem uma população acostumada a exercer a cidadania e reivindicar direitos, as ações fiscalizadoras e punitivas tendem a se enfraquecer, resultando em impunidade.

É por essa razão que o Movimento Paraná sem Corrupção (leia mais na página 13) merece ser acolhido pela sociedade. A iniciativa permite a difusão de uma cultura de aversão à improbidade, ao envolver estudantes do ensino médio em atividades cujo objetivo é conscientizar sobre os danos que a corrupção traz para a sociedade e a necessidade de usar o voto como forma de remover os maus políticos do cenário eleitoral.

É fácil perceber o quanto a corrupção é nociva. A Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentou no ano passado uma estimativa que mostrava a gravidade do problema no país. Entre 2001 e 2008, a FGV estima que foram para o ralo R$ 40 bilhões de recursos federais por causa de atos de corrupção. É dinheiro que poderia servir para melhorar a prestação de serviços de saúde, educação, para promover a economia e a inovação.

Os eleitores, em especial os mais jovens, deveriam se preocupar com o assunto. A eles pertence o futuro. Porém, podem acabar se tornando "idiotas", no sentido grego. Na Grécia antiga, "idiota" era o cidadão que, apesar de ter direitos garantidos, ainda assim preferia ignorar os assuntos públicos. Nunca antes na história desse país isso pode ser uma escolha tão consciente.

Aqui vale um apelo. Todos os meses os jornais publicam notícias sobre protestos de grupos setoriais – feministas, ciclistas, LGBT, skatistas – sempre ocupados em defender suas causas. Todos eles possuem reivindicações extremamente relevantes. O envolvimento desses grupos em temas mais amplos – como a corrupção – é imprescindível. Do contrário, podem acabar se tornando "idiotas" setoriais.

A mobilização pública já induziu mudanças no Paraná. Foi assim no caso dos Diários Secretos. Isso pode voltar a ocorrer. É preciso que a sociedade aproveite momentos como esse para disseminar uma nova cultura. Uma cultura de controle social sobre os políticos e de pressão inclusive sobre os órgãos de controle. A sociedade não pode permitir inclusive que órgãos de controle evitem fiscalizar a administração pública. O movimento lançado hoje se tornará importante se for adotado pela sociedade. Porque o temor de todos os homens e mulheres de boa vontade é que, passada a eleição municipal, voltemos a cair no marasmo dos "idiotas".

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