Nonô perdeu escape de Brasília zero percorrendo lavouras com erosão, conta Franke. |
Nonô perdeu escape de Brasília zero percorrendo lavouras com erosão, conta Franke.| Foto:

Um dos primeiros agricultores brasileiros a dispensar o uso de arados, Franke Dijkstra, de Carambeí (Campos Gerais), define Nonô Pereira como o embaixador do plantio direto no Brasil. Ele lamenta a morte do amigo também por considerá-lo um “irmão escolhido”, com quem viveu parte determinante da história da agricultura.

Dijkstra recorda que começou a usar a tecnologia do plantio direto ao mesmo tempo que Nonô em meados da década de 1970, “sem termos combinado”. Quando começaram a trocar ideias sobre os primeiros resultados, perceberam que o sistema podia representar verdadeira revolução no setor.

“A erosão era muito forte (...) Nonô percorria as lavouras com uma Brasília zero quilômetro, e perdeu o cano de escape. E em poucos anos tudo mudou”, relata.

Em 1979, quando ambos conversavam sobre a restauração do solo nas lavouras de plantio direto, a clima era de euforia. “Fomos a Lexington, nos Estados Unidos, onde o plantio direto já era utilizado, para sabermos quando deveríamos mexer na terra. Voltamos tranquilizados, porque vimos que não havia necessidade de retomar o uso dos arados todos os anos", relata.

"No voo de volta ao Brasil, estávamos literalmente nas nuvens e o Nonô dizia que tínhamos que passar o que estava acontecendo para os demais produtores”, lembra emocionado. Em 1981, Franke Dijkstra e Nonô Pereira realizaram o 1.º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, em Ponta Grossa. Nesta época, a tecnologia começava a ser pesquisada pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e pela Fundação ABC, que atende as cooperativas de origem holandesa dos Campos Gerais: Capal, Frísia e Castrolanda.

Antes do plantio direto, “o Brasil não chegava a produzir 60 milhões de toneladas de grãos”, compara Dijkstra. Em 2014/15, o país passou da marca de 200 milhões de toneladas, principalmente de soja e milho, culturas com mais de dois terços das lavouras em plantio direto.

“Nonô Pereira teve preocupação em ajudar a agricultura, as futuras gerações. Ele viajou 26 países difundindo o plantio direto e se motivava em mostrar a novidade para todos”, relata.

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