Fruta tem área 18 vezes menor que a oleaginosa, mas se tornou mais importante para a economia local. Cada um dos 750 produtores vem mantendo 6 postos de trabalho, o que aumenta a importância da cultura para o município de 30 mil habitantes, no Noroeste do Paraná.
Marialva, a 20 quilômetros de Maringá (Noroeste), está no meio de uma das maiores regiões produtoras de grãos do estado. Assim como em todo o Paraná, lá também se produz soja e milho. Mas quem manda na produção agrícola local é a uva. Até aí, no entanto, nenhuma novidade. O que poucos conhecem é a importância dessa produção na economia do município. A uva representa metade da renda agropecuária, estimada em R$ 120 milhões. Isso, ocupando 1,45 mil hectares. Já a soja, com 25 mil hectares uma área 18 vezes maior tem um faturamento aproximado de R$ 31 milhões, compara Silvia Capelari, gerente da unidade do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
Com uma população de 30 mil habitantes, Marialva é o maior produtor de uva do Paraná. São 750 produtores, que empregam 4,5 mil pessoas. A média de produção fica entre 15 mil e 18 mil quilos por hectare, com duas safras anuais e colheitas de novembro a fevereiro e abril a junho. A produção é na linha da uva fina de mesa, de variedades como Itália, Rubi, Benitaka e Brasil.
Responsável da Emater pela área de fruticultura na região Noroeste, José Odair Mazia avalia que a condição dos produtores é estável e rentável com a uva. "Os últimos três anos têm sido de preço favorável com o quilo a R$ 1,50 (atacado) enquanto que antes não chegava a R$ 1", compara. "A dificuldade é que a uva tem difícil trato, exige muito da família, que precisa trabalhar todos os dias, e há um risco muito alto porque a atividade é muito sensível."
Entre os principais produtores da região está Benício Bonifácio, 57 anos, que trabalha com uva desde 1969 e hoje tem um parreiral de 4 hectares. Ele produziu 60 toneladas de uvas na última safra com uma movimentação bruta de aproximadamente R$ 70 mil. Toda a produção é vendida para intermediários que mandam as uvas para Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
O produtor conta que pretende elevar a produção em 20 toneladas ao ano. A única mudança necessária, segundo ele, é a reforma do parreiral, que começou em 2006. Renovando um hectare por ano, Bonifácio deve gastar cerca de R$ 60 mil para trocar as plantas. Ele avalia que, dentro de cinco anos, as novas videiras já estejam produzindo o suficiente para aumentar sua produção, que atingirá 80 toneladas por safra.
No 1,4 hectare de Nilton Henrique de Carvalho, a estimativa da atual safra é de 12 toneladas e a colheita deve terminar no final de dezembro. A família trabalha com uva há 12 anos e valoriza a importância de reuniões em que técnicos repassam informações sobre a cultura aos produtores.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab), na atual safra o Paraná tem 6,3 mil hectares de uva, sendo 4 mil de variedades fina de mesa e 2,3 mil de rústicas de mesa.







