No Oeste do estado, solo seco levanta poeira conforme as máquinas percorrem as lavouras. |
No Oeste do estado, solo seco levanta poeira conforme as máquinas percorrem as lavouras.| Foto:

Campo Mourão (PR) - Após um início conturbado, São Pedro parece que resolveu colaborar com os agricultores do Paraná. A falta de umidade e as altas temperaturas das últimas duas semanas, que atrapalharam o plantio dos grãos em algumas regiões do estado, deram lugar a chuva em boa quantidade no final de semana, o que permitiu a retomada dos trabalhos. A expectativa é de boa dose de água nos próximos dias.

De acordo com a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), 5% dos 5,2 milhões de hectares já foram semeados, principalmente nas regiões Oeste e Centro-Oeste (Campo Mourão, Cascavel e Toledo), que historicamente plantam mais cedo. A produção prevista é de 17,9 milhões de toneladas de soja, 6% maior que a temporada passada (16,9 mi/t).

A partir de agora, a expectativa é de que o El Niño favoreça o desenvolvimento das lavouras, com chuvas em bons volumes e, consequentemente, a boas produtividade nas regiões produtoras de oleaginosa do estado.

Paralisação

Desde o fim do período de vazio sanitário, as altas temperaturas que oscilaram entre 35 e 40 graus e a falta de chuva castigaram os agricultores da região de Campo Mourão, fazendo com que muitos desligassem as máquinas. “Não há condições de continuar plantando com esse calor insuportável. No final do dia parece que carregamos a plantadeira nas costas, tamanho é o desgaste. O ar condicionado não vence resfriar a cabine”, conta o agricultor de Peabiru, André Oliveira Junior, que irá continuar o plantio dos 120 hectares somente após a chuva prevista para os próximos dias. “A terra além de muito seca, está quente, isso prejudica a semente.”

O agricultor Marcelo Riva pretende iniciar o plantio de 250 hectares em Campo Mourão após a tão aguardada chuva. “Com a terra quente a semente tem dificuldade de germinar e isso pode prejudicar o desenvolvimento da lavoura. Vou esperar São Pedro mandar chuva”, diz Riva, que na safra passada atingiu média de 65 sacas por hectare. “Mudamos a variedade, buscamos alto potencial genético e produtividade. A expectativa é de atingir média de 75 sacas por hectare”, ressalta.

Os irmãos Cezar e Marcos Zanin, do município de Engenheiro Beltrão, que devem plantar 217 hectares de soja, também pararam por conta do calor intenso. “Plantamos 72 hectares e vamos esperar a chuva para concluir o restante.” Para garantir o custeio, os irmãos fecharam contratos futuros de 40% da produção entre R$ 67 e R$ 70 a saca. “O mercado está muito bom para a soja. Garantimos o custeio e o restante da safra vamos esperar por preços ainda melhores”, dizem.

Segundo a Seab, 28% da safra paranaense de oleaginosa já estão comercializadas, contra 5% vendidos na mesma época do ano passado. O avanço é reflexo direto da valorização do dólar.

Mato Grosso

O principal produtor de soja do país também sofre com o clima seco e as altas temperaturas. De acordo com o levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado nesta segunda-feira (28), apenas 0,55% dos 9,2 milhões de hectares que serão dedicados a cultura na safra 2015/16 foi semeado. Na mesma época do ano passado, o índice era de 1,72% da área de oleaginosa. A expectativa é de que o estado oferte 28,83 milhões de toneladas do grão nesta temporada.

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