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Empreendedorismo no campo

A produtora de champignon, Juanice Boszcz (à dir.) e sua tia, Eva Edite. Aposta surgiu como alternativa à inviabilidade do milho e da soja na área da família |

A produtora de champignon, Juanice Boszcz (à dir.) e sua tia, Eva Edite. Aposta surgiu como alternativa à inviabilidade do milho e da soja na área da família

  • Igor Castanho

A pouca idade e as risadas constantes ajudam a disfarçar a responsabilidade que Juanice Boszcz tem no sustento dos familiares. Com 24 anos, ela coordena as atividades na pequena propriedade da família, em Contenda, Região Metropolitana de Curitiba. A cultura é pouco convencional – cogumelos champignon – que são produzidos e processados na própria fazenda, para depois serem vendidos a restaurantes, supermercados e feiras gastronômicas.

Juanice conta que a aposta no produto veio em 2004, quando o plantio de soja e milho ficou inviabilizado na propriedade. “Foi amor à primeira vista”, admite. Depois de colhido e manipulado, o produto ganha nome e rótulo: Pratto Fino, marca inclusive registrada pela família.

A profissionalização da atividade é percebida nos detalhes. Para visitar as estufas de produção ou a cozinha onde é feito o processamento, o cuidado com a higiene é redobrado. E durante a fase de maturação dos cogumelos, são realizadas pelo menos três conferências diárias a fim de assegurar níveis de temperatura e umidade que não prejudiquem o produto final. A organização contagia a propriedade, que tem pintura nova e se mantém organizada, mesmo havendo obras de ampliação da estrutura produtiva.

A decisão de Juanice de ficar no campo contrariou a escolha das duas irmãs, que partiram para a capital visando complementar os estudos. “Na época houve preconceito, acharam que eu não estava fazendo nada da vida”, relata. No caso dela, a formação veio pela participação em cursos e seminários, que deram experiência sem afastá-la da propriedade. Um dos mais importantes foi o Programa Empreendedor Rural, concluído no ano passado e que ocupou suas sextas-feiras durante oito meses. “Da para dividir em antes e depois do curso”, destaca Maria Luci Boszcz, mãe de Juanice.

O programa coordenado pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep) chegou ao décimo ano e no período capacitou 18,5 mil pessoas, em grande maioria produtores rurais. No caso de Juanice, a estatística foi inflada pela participação da mãe, tia e noivo, incentivados por ela. As aulas de empreendedorismo e gestão contribuíram para que sua propriedade se tornasse um modelo.

“Foi como se uma nova janela fosse aberta, o curso fez com que passássemos a acreditar mais na propriedade”, relata a jovem. O negócio cresceu, e além do champignon, carro-chefe, há outros três produtos patê de champignon, raiz forte e conserva de cenouras. E Juanice quer mais. Um depósito para armazenar os produtos está sendo construído, e para o próximo ano está prevista a aquisição de um carro para melhorar a distribuição. “Para crescer é preciso investir”, resume.

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