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Estudo da Unicamp desmistifica riscos do herbicida mais usado no mundo

“O glifosato não é cumulativo. Depois de três horas da exposição, é praticamente todo eliminado do organismo”, afirmam os pesquisadores

Christian Rizzi / Arquivo Gazeta do Povo No início de agosto, a juíza federal Luciana Raquel Tolentino de Moura, do Distrito Federal, determinou que a União não conceda novos registros de produtos com glifosato. | Christian Rizzi / Arquivo Gazeta do Povo

No início de agosto, a juíza federal Luciana Raquel Tolentino de Moura, do Distrito Federal, determinou que a União não conceda novos registros de produtos com glifosato.

  • Folhapress

Um estudo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) minimizou os riscos de contaminação e danos à saúde de quem atua diretamente com herbicidas com princípio ativo do glifosato. Atualmente seu uso está proibido por ordem da Justiça.

A pesquisa, que envolveu a análise da urina de 30 trabalhadores rurais de uma das principais regiões produtoras de grãos de Mato Grosso, constatou traços do produto em 11% das amostras. Ainda assim, segundo os pesquisadores, estavam em quantidades inferiores aos limites estabelecidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Os resultados foram apresentados em Cuiabá pela Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), entidade que financiou parte do estudo. “A Aprosoja arcou com os custos de reagentes e materiais para analisar essas amostras. E o sindicato rural indicou os trabalhadores, segundo os nossos critérios de inclusão e exclusão”, disse o professor Paulo Cesar Pires Rosa.

Segundo ele, o levantamento é preliminar, por envolver um universo reduzido de trabalhadores, mas seus resultados permitem desmistificar riscos do composto da Monsanto, comprada pela Bayer.

“O glifosato não é cumulativo. Depois de três horas da exposição, é praticamente todo eliminado do organismo”, disse.

A coleta das amostras ocorreu entre agosto e setembro de 2017 em Nova Mutum (245 km de Cuiabá). Foram selecionados homens e mulheres de 20 a 50 anos, expostos ao produto por períodos que variaram de 15 dias a até 10 anos - a média de foi de 30 meses.

Cada um forneceu três amostras, coletadas antes, durante e após a exposição.

Os resultados indicaram a presença de resíduos do glifosato em 11% das 90 amostras. No entanto, segundo o estudo, “nenhum dos casos ultrapassou os valores permitidos”.

Segundo a pesquisa, órgãos reguladores dos EUA consideram como IDA (ingestão diária aceitável) 1,75 mg/kg/dia de glifosato. Na União Europeia, o limite é de 0,3 mg/kg/dia.

“O maior valor encontrado nas amostras foi de 0,007 mg/kg, enquanto que no Brasil, de acordo com a Anvisa, foi estabelecida uma IDA de 0,042 mg/kg (42ng/mL)”, diz o relatório.

No início de agosto, a juíza federal Luciana Raquel Tolentino de Moura, do Distrito Federal, determinou que a União não conceda novos registros de produtos com glifosato.

Recentemente, a Monsanto foi condenada nos EUA a indenizar em US$ 289 milhões (R$ 1,18 bilhão) um trabalhador que alega ter desenvolvido câncer por causa do glifosato.

O vice-presidente da Aprosoja, Fernando Cadore, disse que decisão da Justiça brasileira é equivocada. “É baseada em questões ideológicas, sem nenhum embasamento técnico.”

O procurador-chefe do MPT (Ministério Público do Trabalho) em Mato Grosso, Marcel Bianchini Trentin, pede cautela. “Temos outras pesquisas e resultados vinculando esses produtos a doenças. É a primeira vez que vejo uma que fala que está tudo bem.”

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