Ao todo, foram avaliadas 12.051 amostras coletadas entre 2013 e 2015 em 26 estados e no Distrito Federal. | Brunno Covello/Gazeta do Povo
Ao todo, foram avaliadas 12.051 amostras coletadas entre 2013 e 2015 em 26 estados e no Distrito Federal.| Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo

Laranja e abacaxi. As duas frutas são os dois alimentos que oferecem mais riscos de intoxicação aguda por causa da presença de agroquímicos, segundo um estudo feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De 744 amostras analisadas da laranja, 12,1% apresentaram concentração de resíduos acima dos limites considerados seguros.

No caso do abacaxi, das 240 amostras, 5% foram classificadas como de risco agudo para intoxicação - problemas de saúde causados até 24 horas depois da ingestão. O trabalho foi feito com 25 classes de alimentos mais consumidos no País, como arroz, milho, trigo, abobrinha e beterraba. Ao todo, foram avaliadas 12.051 amostras coletadas entre 2013 e 2015 em 26 estados e no Distrito Federal.

Os resultados integram o Programa de Análises de Agrotóxicos em Alimentos (Para), criado há 15 anos para avaliar os níveis de resíduos nos alimentos de origem vegetal no país. Este ano, no entanto, a metodologia foi alterada.

A classificação dos resultados passou a separar as irregularidades identificadas nas análises em duas classes. Uma delas analisa o risco de intoxicação aguda, a partir de critérios usados por organismos internacionais. Esta é a primeira vez que a metodologia é usada. Outro critério avalia o uso de agroquímicos não autorizados para uma determinada cultura. “Isso não implica automaticamente um risco de intoxicação aguda”, afirmou o presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa.

Até a edição passada do Para, eram considerados de forma conjunta o uso de resíduos acima do limite permitido ou não autorizados para uma determinada cultura.

Barbosa afirma que os resultados encontrados na edição lançada nesta sexta indicam que, de forma geral, o risco de intoxicação aguda pelo uso de agroquímico é baixo no Brasil. “O que vimos é que apenas em 1% das amostras havia o risco de intoxicação aguda, provocada pelo consumo do produto nas primeiras 24 horas”, disse. A maior parcela de problemas, completou, foi causada pelo uso de defensivos sem registro para determinada cultura. O equivalente a 16,7% das amostras.

O presidente da Anvisa afirma que, para determinadas culturas, produtores sentem-se desestimulados a solicitar o registro de determinados produtos. Isso ocorre principalmente em culturas de baixo retorno econômico. “Esse é um problema enfrentado em todo o mundo. Mecanismos para solucionar esse impasse estão em estudo”, disse. Para driblar essa falta de registro, produtores acabam usando defensivos aprovados para outras culturas. “Isso não significa, por si só, que haja um risco para saúde”, disse.

Cautela

Barbosa argumentou que todos os agroquímicos em uso no país já passaram por análises prévias para comprovar que estão livres de riscos de provocar problemas congênitos ou doenças para o consumidor. “Mesmo os produtos já aprovados passam por reavaliações.”

O presidente da Anvisa afirmou ainda que os resultados encontrados com laranja e abacaxi devem ser interpretados com cuidado.

Isso porque as amostras, avaliadas em quatro laboratórios, são feitas a partir da análise da polpa e casca triturada dessas frutas. “Boa parte permanece nas cascas. E tanto da laranja quando do abacaxi, não são comestíveis”, completou.

A Anvisa pretende analisar os riscos também do risco cumulativo do uso do produto. “Mas, por enquanto, essa metodologia está em desenvolvimento. A expectativa é de que os primeiros resultados desse tipo de análise, em outros países, sejam concluídos em 2017.”

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