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Elizabeth Lira Bento comanda a horta da Escola Estadual República Oriental do Uruguai: frutas e verduras ficam à disposição dos alunos | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Elizabeth Lira Bento comanda a horta da Escola Estadual República Oriental do Uruguai: frutas e verduras ficam à disposição dos alunos| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Em um estado no qual 25% dos alunos da rede pública de ensino tem sobrepeso, segundo pesquisa da Secretaria de Educação do Paraná, nada melhor do mudar a dieta. Se for para aprender a cultivar o próprio alimento, então, melhor ainda.

No que depender de 23 colégios de Curitiba e três de Colombo, em breve isso vai se tornar realidade. Em treinamento realizado no Instituto Emater, nesta sexta-feira (30) na capital, diretores, professores e funcionários das instituições de ensino voltaram aos bancos escolares.

Eles tiveram aulas com especialistas das secretarias de educação do estado e de Curitiba, da UFPR e do próprio Emater. Os adultos aprenderam a criar plantações orgânicas caseiras, o valor nutricional da alimentação saudável e como obter recursos para hortas escolares.

Andrea Bruginski, nutricionista da Fundação Educacional do Paraná (Fundepar), foi uma das professoras. “Queremos resgatar nas crianças o contato com a terra e com a sustentabilidade. Com um mínimo de R$ 1 mil já é possível começar ”, revela.

Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual do projeto Olericultura do Emater, complementa: “O objetivo é ensinar a adubar com compostos orgânicos, com sobras da própria alimentação”. Ele destaca que serão aproveitados espaços nas próprias escolas para as plantações e que recursos materiais devem vim da prefeitura de Curitiba e de viveristas dos bairros, onde os alunos vão buscar as primeiras mudas.

Alunos com conhecimento

Apesar de o projeto “Projeto Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia” estar inicialmente restrito à produção de hortaliças, na Escola Estadual República Oriental do Uruguai, a agente de apoio escolar Elizabeth Lira Bento conta que, por lá, já tem até pé de maracujá. “Temos também morango, manga, pokan, além de verduras como salsa, manjericão”, conta. Ela revela que os alunos têm forte interesse pelo cultivo. “E sempre me pedem para colher. Eu deixo desde que lavem as mãos”, brinca.

Enviado especial do Colégio Beatriz Faria Ansay, o inspetor escolar Pedro Grilo será o responsável por repassar o aprendizado. “Já temos uma horta que é minha responsabilidade. Sou eu quem acompanha professores e alunos. Ensino a trabalhar a terra e a plantar”, conta orgulhoso. Ele é o líder da produção de cenoura, alface, couve, cheiro verde. O espaço já está na escola há dois anos e tem um destino: a merenda dos alunos.

Algumas escolas “sem terra” estão com tudo planejado. Professora de geografia do Colégio Estadual Dr. Xavier Silva, Viviane Mendonça conta que a horta escolar ficará em um pequeno espaço ao lado do bicicletário. É praticamente um ‘cinturão’ onde serão plantados repolho e temperos em uma cisterna, explica. Tudo obtido com a ajuda da comunidade do entorno, no bairro Rebouças.

“Deixamos os alunos do 2º e do 3º ano do ensino médio encarregados de desenvolver a parte da infraestrutura. Já os alunos menores, do ensino fundamental, vão plantar e colher”, conta. Ela tem certeza que os alunos, assim, vão aprender a valorizar a alimentação saudáveis e a cultivar sem agroquímicos.

  • Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual do projeto Olericultura da Emater
  • Viviane Mendonça, professora de geografia do Colégio Estadual Dr Xavier Silva
  • Ednamar Salvina Silva, diretora do Colégio Estadual Dr Xavier Silva
  • Andrea Bruginski, nutricionista da Fundação Educacional do Paraná (Fundepar)
  • Elizabeth Lira Bento, agente escolar da Escola Estadual República Oriental
  • Marcia Cristina Stolarski nutricionista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento
  • Treinamento do “Projeto Educando com a Horta Escolar e a Gastronomia” aconteceu no Instituto Emater - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural

Lição de casa: ensinar os pais

A ideia é que esse aprendizado não fique restrito à escola. “Todos precisam se envolver. A escola é o espaço adequado para resgatar a alimentação saudável de nossos antepassados, e evitar que as crianças se tornem adultos com sobrepeso”, revela a nutricionista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Marcia Cristina Stolarski foi uma das criadoras do projeto em 2012.

“Esperamos que essa prática possa ter um efeito multiplicador, levando os alunos a provocarem seus pais ou irmãos maiores para fazerem o mesmo em suas casas”, finaliza Iniberto Hamerschmidt. A expectativa é que sejam cultivadas folhas como alface, além de cenoura, beterraba, repolho, couve-flor e brócolis. É aguardar para ver - e colher.

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