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Perto de 20% da cana produzida no Paraná neste ano vai ficar em pé até a próxima safra, segundo avaliação da Associação dos Produtores de Bioenergia, a Alcopar. São entre 10 e 11 milhões de toneladas – suficientes para 120 mil toneladas de açúcar ou 75 milhões de litros de álcool. A colheita deve cair de 53 milhões (previsão) para 42 milhões.

A expansão contínua das lavouras faz com que essa diferença seja recorde. O Paraná ampliou o cultivo em 12% na última safra, para 590 mil hectares. "É muita cana, mas com tanta chuva, não tem outro jeito", diz o presidente da Al­­copar, Anísio Tormena.

Em todo o país, há 50 mi­­lhões de toneladas de cana estocados no campo. É como se toda a produção do Paraná fosse simplesmente armazenada. O rendimento do próximo corte, daqui quatro meses, aumentará, mas não deve se equiparar a dois cortes normais, lamentam os investidores.

As usinas param de cortar cana quando a chuva aumenta porque a umidade reduz o rendimento industrial. Com 1 tonelada de cana, em vez de 95 litros de álcool, extrai-se menos de 75 litros. Considerando o mesmo volume de matéria-prima, a produção de açúcar cai de 140 para 120 quilos. Além disso, se cortarem a cana a partir de janeiro, os produtores só poderão fazer nova colheita na mesma área após um ano, ou seja, em 2011.

A queda do rendimento industrial e a alta demanda por açúcar no mercado internacional fez os preços subirem no Brasil. O alimento é destino de 43% da cana no país e de 46% no estado, conforme dados do governo federal. As entidades que representam as usinas dizem que esse índice chega a 52% no Paraná. Para todos os efeitos, são pelo menos 3% a mais de cana destinada ao açúcar do que na última safra.

Com isso, os preços do álcool perderam competitividade em relação à gasolina. Só vale a pena abastecer o carro com o combustível renovável em oito estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernam­buco, São Paulo e Tocantins. Como tem rendimento menor, o álcool só é mais vantajoso se custar até 70% do preço da gasolina. No Paraná, o índice chegou a 66% na última semana, conforme pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Os preços do combustível são estáveis, sustenta Tormena. Ele diz que, se depender da oferta doméstica, o consumidor pode esperar redução no preço a partir de maio do ano que vem, após o início da próxima safra de cana.

As usinas vão continuar moendo cana enquanto o clima permitir, afirma Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Perto de 10% das 430 usinas do país devem atravessar a entressafra trabalhando. Um terço pretende voltar a colher cana com um mês de antecedência, em abril de 2010.

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