O risco da safra de grãos deste verão está nas mãos do produtor. A falta de chuva no Sul e a abundância do Centro-Oeste ao Nordeste, por causa do La Niña, podem provocar quebra e, por tabela, agravar o problema do endividamento. Isso porque ainda não se conta com um sistema de seguro adequado.

A área segurada poderia ser maior, mas o recuo na oferta de subvenção pelo governo federal e a lentidão no processo e consolidação do sistema de seguro trabalham contra a agricultura brasileira. Para cada dez hectares de soja plantados no país, dois estão protegidos. Só nesta pequena parcela é que o produtor pode ter os custos pagos por terceiros em caso de quebra expressiva.

A reclamação no campo é pesada nesta temporada. Os contratos são considerados caros, baseados em índices de produtividade já ultrapassados e com cobertura pouco interessante. Para acionar seguro e não ter de tirar do bolso o valor financiado, o produtor precisa perder mais da metade da lavoura, relatam os agricultores.

Mas é do próprio campo que vêm exemplos de que é possível estruturar um seguro mais coerente. O fundo que os cooperados da Castrolanda (Castro, Campos Gerais) formaram, recolhendo parcelas de 3% do orçamento do cultivo, oferece garantia sobre 100% da área cultivada. Com recursos para socorrer os produtores numa eventualidade, a cooperativa se dá o direito de dispensar a contratação de seguradora.

Nos Campos Gerais, o clima representa menos risco que em outras regiões. As perdas são localizadas e, assim, fica mais fácil formar um fundo para compensação de prejuízos. No entanto, com projetos de longo prazo, a segurança pode ser estendida às regiões de maior variação climática, e por um preço suportável. Detalhe: o custo do seguro em Castro não é maior que o dos contratos criticados abertamente.

Segurar a produção tornou-se essencial para a sustentabilidade da agricultura. E não é necessário um ano de quebra para se comprovar a viabilidade um sistema de seguro.

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