
Monheim (Alemanha) - O plano de expansão do mercado de sementes de soja da alemã Bayer CropScience na América Latina prevê investimentos em cinco novas unidades de pesquisa e desenvolvimento no Brasil – no Paraná, Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (5) na conferência anual com jornalistas do mundo inteiro, na matriz da multinacional, em Monheim, Alemanha. Atualmente, a empresa tem 0,5% de participação desse mercado no continente, dominado pela norte-americana Monsanto, e a meta é registrar crescimento de dois dígitos ao ano na próxima década, conforme o responsável por estratégia global da empresa, Mathias Kremer.
A operação inclui a compra de empresas brasileiras e também construção de plantas próprias. No ano passado, a companhia adquiriu o banco de germoplasmas da paranaense Agropastoril, de Cascavel (Oeste do estado) e a Wehrtec, sementeira de Cristalina (Goiás). Com a aquisição da Soytech no início deste ano, o estado do Centro-Oeste conta ainda com uma unidade em Rio Verde. As duas serão unificadas.
“Queremos estar presentes em todas as zonas de produção de grãos, do Norte da Argentina ao Norte do Brasil”, disse o executivo. Na Argentina, devem ser instaladas duas estações de pesquisa.
Os valores de investimento e os prazos exatos não devem ser revelados enquanto o plano não for totalmente executado.
Londrina
A segunda unidade da empresa no Paraná deve ser própria e será instalada em Londrina (região Norte), sem data definida para inauguração. “Tudo começa pela qualidade de sementes, por isso compramos os bancos de germoplasmas. Queremos produzir nossas próprias sementes, em matéria de resistência e defensivos, e devemos lançá-las nos próximos anos”, disse o CEO da Bayer, Liam Condon. Todas as variedades a serem lançadas, com exceção dos produtos da Soytech, serão enquadrados na marca Credenz, que tem previsão de lançamento no Brasil para o final do próximo ano.
A meta de ganhar participação no mercado de sementes de soja é um foco da empresa para a América do Sul, especialmente para o Brasil, que “não é considerado um país emergente, mas sim uma potência mundial em produção agrícola”, reforçou.
Na Europa e América do Norte, principais territórios de atuação da empresa, estão previstos investimentos de 2,4 bilhões de euros até 2016, um bilhão a mais em relação ao anunciado para o mesmo período no ano passado. Boa parte da cifra (380 milhões de euros) desse ser absorvida por uma fábrica que será construída no estado do Alabama (Estados Unidos), onde será produzido o glifosato de amônio, considerado o melhor antídoto a ervas daninhas nas lavouras norte-americanas.
Os agroquímicos são as principais fontes de faturamento da multinacional alemã, que está entre as cinco maiores do mundo no segmento, e tem meta de vendas de 9 bilhões de euros para este ano. Em 2012, a companhia arrecadou 8,3 bilhões no mundo. Nesta divisão da empresa, o Brasil se consolida como o principal mercado, responsável por um faturamento de R$ 3,1 bilhões no ano passado.
O jornalista viajou a Alemanha a convite da Bayer CropScience.



