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Estudo da FGV

4 a cada 5 produtores rurais rejeitam políticas de esquerda

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Mais de 80% dos produtores rurais do Centro-Oeste e Norte do Brasil identificam-se como de direita ou centro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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Uma pesquisa publicada em junho pela Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV RI) mostrou que 83,5% dos produtores da fronteira agrícola, no Centro-Oeste e Norte do Brasil, identificam-se como de direita (44,1%) ou centro (39,4%), enquanto apenas 16,5% são identificados como de esquerda.

A maioria dos participantes acredita que o governo interfere demais na vida das pessoas (55,9%) e que a regulação governamental dos negócios faz mais mal do que bem (64,3%).

O estudo “Como a fronteira agrícola vê as relações internacionais” apontou também que, embora a China seja o principal destino da soja e da carne bovina produzida nas regiões, os entrevistados consideram a relação com os Estados Unidos mais segura.

Enquanto 21,8% dos entrevistados descrevem os EUA como “muito confiáveis”, apenas 12,6% dizem o mesmo da China. De acordo com o relatório, a confiança no país asiático recuou quase 20 pontos porcentuais desde 2017, mesmo com o crescimento da parceria comercial com o Brasil.

Essa cultura política antiestatista, segundo os autores do estudo, é a lente por meio da qual as pressões externas são filtradas e ajuda a explicar tanto a vantagem de credibilidade dos EUA quanto o ceticismo em relação ao modelo de Estado chinês.

“A fronteira agrícola é a região mais exposta internacionalmente do Brasil — e uma das menos compreendidas politicamente”, descreve a introdução do relatório. “Sua produção sustenta a balança comercial do país, seus municípios absorvem as consequências diretas das oscilações na demanda global e nas regulações estrangeiras, e seu eleitorado cresce em significância nacional”.

“No entanto, as análises sobre como o Brasil navega em suas relações internacionais têm se concentrado esmagadoramente no comportamento das elites: estratégia do Executivo, coalizões legislativas, lobby setorial e negociação diplomática. As preferências dos milhões de cidadãos cujos meios de vida dependem mais diretamente dos mercados globais permaneceram amplamente ignoradas, até agora”, prosseguem os autores.

Peso eleitoral do agro pode pressionar política externa

O estudo alerta que, à medida que o peso eleitoral da fronteira cresce — seus estados respondem por aproximadamente 15% do eleitorado nacional —, as preferências da região impõem restrições reais às posições que Brasília pode adotar de forma crível na política externa.

“Uma política externa que presume que a fronteira agrícola seguirá seus interesses comerciais em direção ao alinhamento político com qualquer parceiro individual interpreta equivocadamente a realidade da região”, afirma Matias Spektor, diretor da FGV RI e um dos autores da pesquisa.

A pesquisa foi conduzida entre 25 de outubro e 18 de novembro de 2025. Foram ouvidos mil entrevistados em 70 municípios do Centro-Oeste e do Norte.

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