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O campo literalmente invadiu Curitiba na última sexta-feira. Foram mais de sete mil pessoas, em sua maioria absoluta de produtores. Homens, mulheres, jovens e adultos, famílias inteiras, vindas de perto e de longe, de todas as regiões do Paraná. Eles vieram à capital para dois grandes encontros que, de certa forma, celebram o encerramento do ano das principais entidades do agronegócio no estado, a Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

A considerar que mais de 90% do faturamento do sistema cooperativo vêm do campo, são eventos com total sinergia, inclusive de público. São representações que desenvolvem, na sua essência, atividades complementares. Quem faz o cooperativismo, por exemplo, não deixa de ser o produtor rural, que também é base da representação da Faep.

Enquanto a Ocepar trouxe o balanço de 2014, com faturamento bilionário do sistema e um expressivo crescimento acima de 10% em relação ao ano passado, a Faep apresentou o resultado do Empreendedor Rural 2014, trabalho que, de certa forma, contribui para os excelentes resultados obtidos no campo. Tem a ver com gestão e inovação, profissionalização e resultados, em especial no Paraná, onde quase 40% do Produtivo Interno Bruto (PIB) vêm do agro.

Foi um dia de intensa programação, onde dois momentos ou duas informações chamaram mais a atenção das 5 mil pessoas que participaram do encontro da Faep e das mais de 2 mil pessoas que prestigiavam a agenda cooperativista. No Teatro Positivo, o destaque foi a receita cooperativista, que com R$ 50 bilhões supera o orçamento de 23 estados brasileiros, inclusive do Paraná. Já no ExpoTrade Pinhais, palco da comemoração da Faep, quem roubou a cena foi uma jovem, de apenas 19 anos. Com o projeto Reforma e divisão de pastagem, ela foi a grande vencedora do programa Empreendedor Rural.

Aliás, você ouviu falar de Campina do Simão? Pois é, eu também não, até conhecer Letícia Jedenoralski. O objetivo dela: melhorar a produtividade e a qualidade da produção leiteira na área de 50 hectares, que tem mão de obra 100% familiar. Ela percebeu que a propriedade do vizinho era mais rentável e decidiu que queria o mesmo para sua família. Foi então que a jovem inscreveu-se no Empreendedor Rural, impulsionada pelo desejo e também necessidade de mudança. Além de Letícia, dedicam-se à área da família os pais João Pedro e Terezinha e o irmão Leandro, de 15 anos.

Contudo, o que está em questão não é apenas o pasto e o leite da jovem de Campina do Simão ou então a fruticultura ou o confinamento dos projetos de Uraí e Guarapuava, que ficaram em segundo e terceiro lugares. O que vale aqui é a iniciativa, a vontade de mudar, de buscar alternativas e de fazer bem feito. É o empreendedorismo, que provoca mudanças, forma líderes e contribuiu para um agronegócio mais sustentável e um mundo cada vez melhor. Tudo isso, a partir de uma vocação natural, do Paraná e do Brasil, que está no campo. Um empreendedorismo, aliás, que deixa de ser opção e se torna condição ao futuro do setor.

Em palestra proferida durante o evento, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros falou sobre as dificuldades e perspectivas da economia brasileira nos próximos anos. Ele explicou, no entanto, que não há motivo para pânico. Mas é preciso que sejam adotadas medidas que mantenham a competitividade. Em suma, Mendonça de Barros disse que é preciso inovar, criar alternativas e, sobretudo, empreender em busca de um crescimento mais ordenado do setor. Uma visão que, sob a ótica e realidade do agronegócio, vai de encontro à iniciativa do Empreendedor Rural.

Para saber, com pouco mais de 4 mil habitantes, Campina do Simão fica na região Central do estado, a 331 quilômetros de Curitiba.

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