Dois mil e quinze é ano de risco maior para a agropecuária e para a rede de serviços, comércio e indústria que a envolve. Mas coloca cada um desses elos diante de uma prova de confiança, mostra a edição desta terça-feira do Agronegócio Gazeta do Povo.

Esse desafio começa nas bases, com a agricultura disposta a cultivar uma área maior de soja em 2015/16, e segue para outros setores, com a indústria de máquinas assumindo parte do crédito rural refutado pelos bancos públicos e privados tradicionais. De um lado quem acredita na expansão a longo prazo e de outro quem não quer sair perdendo, nem que seja apenas no curto prazo.

A reportagem de capa traz um ponto de vista relativamente otimista sobre a demanda chinesa. Uma análise mais superficial levaria a crer que a China está com problemas que podem provocar crise entre fornecedores de grãos e alimentos como o Brasil. No entanto, não é exatamente para esse lado o que os especialistas apontam. E não se trata de um olhar unilateral, mas de ponderação de tendências internas do próprio mercado chinês – uma armadilha para qualquer avaliação apressada, uma vez que o país asiático de 1,3 milhões de habitantes segue o próprio eixo, distinto do compartilhado nos países ocidentais.

Outras duas matérias desta edição mostram cenários contrastantes. De um ano a indústria de maquinário registra forte queda nas vendas. Por outra via, essa mesma indústria, confia na capacidade de pagamento do produtor e lhe concede mais crédito, cumprindo papel tradicionalmente assumido pelos bancos.

Neste caso, trata-se de uma estratégia de sobrevivência. Ou seja, a indústria de máquinas agrícolas precisa vender para sustentar a linha de produção. Mas a confiança demonstrada na concessão de crédito em si não está solta no vazio. Aos olhos do setor, a agropecuária vai sim continuar plantando mais, produzindo mais carnes e ampliando as exportações.Quando a crise política e econômica do Brasil passar, quem estará em vantagem? Essa é justamente a questão que fica no ar e que será respondida pelo tempo.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]