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Expedição Safra confere nos EUA o ‘efeito Trump’ nos rumos da agricultura mundial

De 21 a 23 de fevereiro, em Washington, agricultores, pesquisadores, traders e formuladores de políticas públicas debatem tendências e desafios no mercado mundial de alimentos

Arquivo Brasil e Estados Unidos são os maiores produtores mundiais de soja, a commodity que está na linha de fogo da guerra comercial entre EUA e a China | Arquivo

Brasil e Estados Unidos são os maiores produtores mundiais de soja, a commodity que está na linha de fogo da guerra comercial entre EUA e a China

  • Marcos Tosi

A escalada de tarifas na guerra comercial do presidente Donald Trump com a China, as conturbadas negociações com os vizinhos México e Canadá e o impacto dessa política sobre outros países – entre eles o Brasil, maior competidor agrícola mundial dos EUA – vão estar no centro dos debates do 95º Agricultural Outlook Forum, de 21 a 23 de fevereiro em Arlington, na Virginia.

Pelo décimo ano consecutivo, a Expedição Safra da Gazeta do Povo viajará aos Estados Unidos para fazer cobertura jornalística e análise daquele que é o evento internacional mais importante sobre produção, mercado e políticas agrícolas, realizado há quase cem anos no país que mais produz alimentos no mundo. Em foco as oscilações no mercado da soja, a principal commodity agrícola do comércio internacional devido a seus múltiplos usos, seja na indústria, na alimentação humana ou para ração animal.

Para o setor do agronegócio brasileiro, o Agricultural Outlook Forum é uma oportunidade ímpar de acompanhar tendências no marketing, comércio, tecnologia e políticas agrícolas, além de sondar os movimentos do mercado de commodities. “A largada das exportações brasileiras de grãos neste ano, com crescimento de 59% nos embarques de soja e 50% nos de milho pelo Porto de Paranaguá, mostra que este será um ano emocionante”, avalia o coordenador da Expedição Safra, Giovani Ferreira.

Chuva e dólar

Além do apetite asiático pela soja brasileira, o início acelerado deste ano no terminal de Paranaguá se explica também pela escassez de chuvas, que espalhou prejuízo nos campos, mas favoreceu os embarques. “Digamos que tivemos um início com sorte. Janeiro e fevereiro costumam ser meses chuvosos e difíceis aqui em Paranaguá. Por outro lado, a cotação do dólar também está muito melhor, então isso faz com que o produtor solte aquela produção que estava estocada”, avalia o diretor-presidente do Porto de Paranaguá, Luiz Fernando Garcia da Silva.

Em plena colheita da safra de verão, os movimentos nos portos e as estatísticas da safra brasileira estão nos radares dos americanos e devem refletir nas discussões do Agricultural Outlook Forum, que acontece em Arlington, Virginia, a apenas 7 km da Casa Branca, do outro lado do rio Potomac.

O último relatório do USDA sobre estimativa de oferta e demanda mundial de alimentos aponta uma diminuição das safras de soja no ciclo 2018/19, tanto nos EUA como no Brasil e na Argentina, os três principais produtores. No Brasil, a perda é de 5 milhões de toneladas em relação à estimativa anterior, tendo como causa a seca de dezembro e janeiro em regiões importantes, como o Oeste do Paraná, partes de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás.

É a guerra

Para mexer com a cotação internacional da soja, no entanto, o fator preponderante continua a ser a disputa comercial entre chineses e americanos. “O cenário das cotações em Chicago só muda se houver quebra no Brasil acima de 10 milhões de toneladas e também perdas na Argentina. As cotações hoje estão centralizadas na guerra comercial (entre EUA e China)”, avalia Luiz Fernando Gutierrez, consultor da agência Safras & Mercado.

O tema do fórum de agricultura do USDA, neste ano, é “Growing locally, Selling Globally” – produzir localmente, vender globalmente – um slogan que pode até parecer irônico diante das escaramuças do presidente Trump com a China, maior cliente da soja americana, que resultou em sobretaxa de 25% ao produto dos EUA e ajuda emergencial de 12 bilhões de dólares aos agricultores. Neste xadrez comercial, o maior beneficiado, até aqui, tem sido o Brasil, que no ano passado exportou um recorde de 69,1 milhões de toneladas para a China, destino de 84% do total exportado da oleaginosa.

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