Suco e vinho sem adição de água dão subsistência a propriedade rural do produtor José Milani, no Vale dos Vinhedos. |
Suco e vinho sem adição de água dão subsistência a propriedade rural do produtor José Milani, no Vale dos Vinhedos.| Foto:

Em pleno Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalvez, a experiência do produtor de uva, suco e vinho José Milani mostra que não é só o trabalho ou a colheita em si que têm valor. O turismo movido pelo interesse na cultura das colônias italianas e nas paisagens locais faz com que sua família venda a produção praticamente na porta de casa, a preço de supermercado.E essa tendência valoriza também a terra. Um hectare cultivável custa pelo menos R$ 250 mil no município – dez vezes mais do que na região gaúcha do tabaco, a 100 quilômetros dali. Dessa forma, quem quiser implantar uma pequena vinícola, com apenas 5 hectares, precisa investir mais de R$ 1 milhão só no imóvel.

Mas esse pode ser também o valor bruto da produção de apenas um ano de boa colheita. O que Milani mais comemora, no entanto, é o fato de essa prosperidade dar trabalho para toda a família. Quatro filhos e outras quatro pessoas tiram renda do local.

“A sucessão é um problema bastante presente na agricultura familiar, mesmo nessa região. O caso de seu Milani é exceção, pela própria forma como ele mantém os filhos interessados na atividade”, conta a socióloga Maria de Lurdes Pancotte, da Emater local. Neto de imigrantes italianos, ele relata que envolve os filhos nas decisões mais importantes e faz divisão de renda considerando que todos são donos do negócio.

Quem não possui uma alternativa central, precisa trabalhar em diversas atividades ao mesmo tempo, relata a família Costela, de Três Arroios, na porção Noroeste do Rio Grande do Sul.

“Plantamos 20 hectares de soja e 10 de milho, mas isso dá só para o começo”, relata Evandro. A principal receita do sítio, neste momento, é a engorda de 3 mil suínos ao ano, serviço que rende pouco mais de R$ 20 por animal. Os Costela buscam complemento também no leite e na produção de laranja.

Com tantas atividades, o controle das finanças exige qualificação e tempo, conta a esposa de Evandro, Juceli Costela, responsável pela tarefa. Ela monitora ao todo 48 contas e mantém planilha de entrada e saída de recursos para consulta a qualquer tempo.

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