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expedição avicultura

Sabia que você joga no lixo a parte mais valiosa do frango?

Deixado de lado pela maioria dos brasileiros, petisco faz a alegria dos orientais à mesa

  • PorMarcos Tosi
  • 28/07/2017 14:59
Produto representa apenas 1% do peso do frango | Arquivo/Gazeta do Povo
Produto representa apenas 1% do peso do frango| Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

Um produto que costuma sobrar no prato dos brasileiros, e que vai para o cachorro ou para o lixo, está entre os mais valorizados entre todos os cortes de frango na hora da exportação.

Apreciada como petisco pelos orientais, a cartilagem do peito e da coxa (yagen para os japoneses) alcança para a indústria o valor de R$ 13 o quilo, uma liderança que só é ameaçada pelo coraçãozinho do frango, que rende entre R$ 11 e R$ 12 por quilo, mas que não é exportado porque os brasileiros comem tudo.

Não é fácil produzir a cartilagem em grandes volumes. A matéria-prima corresponde a apenas 1% do peso de um frango de 3kg. Da linha de produção da avícola Pioneiro, no município paranaense de Joaquim Távora, saem por dia 3 mil kg de cartilagem, cuidadosamente embalados e sem qualquer fragmento de osso, como fazem questão os exigentes clientes japoneses. Feitas as contas, somente a cartilagem rende para o abatedouro R$ 39 mil por dia.

Outra clientela que valoriza muito aquela parte branquinha e crocante do frango é a indústria, de cosméticos e de medicamentos, para produção de suplementos de colágeno. A proteína da cartilagem se destaca tanto pelas propriedades estéticas – fortalece unhas e cabelos, dá mais firmeza e elasticidade à pele – como pelo efeito de proteção aos músculos e articulações do corpo humano. Isso ajuda a explicar por que o produto é tão procurado nas farmácias por atletas, mulheres e idosos.

O pé de galinha é outra rica fonte de colágeno, mas a cartilagem, neste caso, fica entranhada na carne. Para os chineses, o sabor é o que importa. “Eles pagam bem mais pelo pé de frango do que pelo peito ou coxa. Os chineses comem os pezinhos de galinha como se fosse uma barrinha de cereal, assistindo televisão”, assegura Ricardo Santin, vice-presidente de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). “Isso é o que dá equilíbrio e competividade para o setor de aves no Brasil. O que não é usado aqui, tem muito valor lá fora. Da galinha só se perde o cacarejar”, arremata Santin.

As exportações de frango do Paraná, maior estado produtor, atingiram de janeiro a maio deste ano 637,5 mil toneladas, rendendo U$ 1 bilhão, segundo o Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura.

Por falar em frango, você tem acompanho as notícias da Expedição Avicultura 2017? Em sua 4ª edição, o projeto está percorrendo seis estados que representam 84% da produção e 93% da exportação brasileira de carne de frango. Acompanhe.

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