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A competição é aberta para todos os públicos e todas as idades. | /
A competição é aberta para todos os públicos e todas as idades.| Foto: /

A influência da avicultura é tão forte em São Bento do Una, que a cidade do agreste pernambucano, localizada a 215 km de Recife, tem como principal evento cultural a Corrida das Galinhas. A competição, que nasceu como uma brincadeira de estudantes há 26 anos, hoje atrai mais de 200 mil expectadores em cinco dias de festa, que também inclui shows, seminários técnicos e uma feira negócios.

Além do tamanho, com o passar dos anos, a competição ficou mais profissional. A Corrida da Galinha acontece numa pista oval de circuito fechado, protegido por uma tela, com 85 metros de extensão batizada de Galinhódromo. É declarado vencedor quem fizer o percurso com a galinha ou o galo no menor tempo. Na arquibancada, também chamada de ‘poleiro’, 5 mil pessoas acompanham vidrados a glória ou o fracasso dos ‘pilotos’, que neste ano passam de 200.

Aliás, a Fórmula 1 serve inspiração para competição inusitada. O Galinhódromo, por exemplo, tem o Pinto Stop, local para “pena–lidade”, onde o piloto pode dar uma mãozinha ao animal, e uma torre de comando, estrutura usada por ‘Galão Bueno’ e ‘RegiGalo Leme’ para narrar e comentar as corridas. Neste ano, até o VAR, polêmico árbitro de vídeo utilizado na Copa da Fifa, foi incorporado a brincadeira.

O vencedor de cada categoria leva para casa o “Milhão”, um milho gigante, além de R$ 1,5 mil. O perdedor leva uma panela de barro e ingredientes para cozinhar o animal. “É uma brincadeira. As pessoas esperam o ano todo por isso”, conta Marcelo Valença, um dos idealizadores do evento.

Valença conta que tudo começou 1992 quando ele, na época estudante de arquitetura, estava sem fazer nada nas férias e pediu para o pai algumas galinhas. “Nós lançamos as inscrições, e apareceram quase 100 pessoas. Foi um sucesso”, lembra. Com o passar dos anos, novas provas e brincadeiras foram incorporadas. Atualmente, a Corrida da Galinha faz parte do calendário oficial de eventos de Pernambuco e tem até tema, que neste ano é “No terreiro dos embargos dos embargos, o galo nega ser ladrão de galinha”. “Tem gente que leva a competição muito a sério”, diz Valença.

Rosenberg de Souza é um deles. Quatro vezes campeão, ele conta que treina meses com o galo antes de colocá-lo na pista. “Treino em casa. A galinha ou o galo não pode ter medo, precisa estar preparada”, diz. Jairo de Oliveira vai mais longe, ele tem uma pista de treino em casa. “Aqui em São Bento do Una tem 4 pistas, uma delas é minha. A gente treina sempre, para a galinha chegar aqui e não estranhar”, conta.

Outras competições

A 21ª edição da Corrida da Galinha, que neste ano começou no dia 1º e termina no dia 5 de agosto, também tem outras competições. Em 2018, a novidade é a corrida do ovo no saco, prova semelhante à corrida do saco, o beiseovo - uma espécie beisebol com ovo, e a escolha do ‘Príncipe dos frangos’, versão masculina da ‘Musa do poleiro’. Também acontecem outras provas tradicionais como o ‘Segura nos trinta’, em que os competidores tentam agarrar uma galinha de angola em 30 segundos; e ‘Coma seu frango’, na qual os competidores degustarão frangos assados no menor espaço de tempo.

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