Expedição Safra

Oito ou 80: quando São Pedro separa fartura e quebra por apenas 250 km

A safra parecia começar bem na região paulista de Cândido Mota. Mas o jogo virou e o clima ajudou as lavouras de outro ponto do estado

Marcelo Andrade/Gazeta do Povo Especialistas da Lago Bonita Sementes: Thiago Martin Christenson e  Adilson Rodrigues Machado | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Especialistas da Lago Bonita Sementes: Thiago Martin Christenson e Adilson Rodrigues Machado

Cândido Mota e Itaberá (SP) |

  • Giorgio Dal Molin , enviado especial

Os municípios de Cândido Mota e Itaberá fazem parte das duas regiões produtoras de grãos mais importantes de São Paulo. Mas a distância de apenas 250 km foi essencial para uma cair em 25% a produtividade da soja e a outra se aproximar de um possível recorde. Pelo menos nesta safra.

Em Itaberá e Itararé a safra vai de ‘vendo em popa’. “Atrasou uns 15 a 20 dias o início do plantio. Após isso, as chuvas foram regulares e um pouco acima da média. Agora os produtores estão em fim de ciclo e a colheita deve começar forte na próxima semana”, afirma Renato Yassuda, coordenador da Unidade de Beneficiamento de Grãos da Castrolanda em Itaberá.

Em Cândido Mota, os problemas não começaram na semeadura, em outubro e novembro, diferente de outras áreas do Brasil, que tiveram atrasos de 15 a 30 dias.

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Safra em Cândido Mota

“A questão é que tivemos seca em dezembro e excesso de umidade em janeiro. Após o plantio, só choveu perto do Natal, e a soja não desenvolveu. Depois, passou 25 dias chovendo”, resume José Roberto Massud, engenheiro agrônomo da Coopermota, principal cooperativa da região. “Entramos com o trator na chuva mesmo para controlar doenças”, complementa Claudio Segateli, produtor cooperado.

Massud estima que, em relação à última safra, a região pode chegar a uma quebra de 25%. “Na última safra fizemos uma média de 60 a 70 sacas por hectare no Médio Paranapanema”, diz. “Agora vamos ficar entre 40 e 50. Essa é a realidade hoje”, estima Segateli.

O agrônomo argumenta que a sequência de dias secos e de chuva não foi adequada, impactando a produção: “Ano passado o clima foi equilibrado. O volume agora foi praticamente o mesmo, até uns 50 milímetros a mais. O problema foi a distribuição”.

Alta produtividade em Itaberá

Já em Itaberá, o andamento da safra foi o oposto. “O desenvolvimento da planta foi muito bom [depois do período de estiagem]”, afirma Adilson Rodrigues Machado, gerente de grãos da Lagoa Bonita, empresa de sementes que cultivou uma área de 3,8 mil hectares de soja pela extensão do Paranapanema.

Ele estima a produtividade perto de 80 sacas por hectare. A empresa colheu cerca de 5% até o momento. O coordenador da unidade da Castrolanda em Itaberá é um pouco mais conservador, e destaca que a safra deve ficar perto de 70 sacas por hectare na região de atuação da cooperativa.

Mas o que faz a produtividade ser tão alta em Itaberá? “O solo é bom, chove muito bem. E o produtor é muito tecnificado”, diz Rodrigues Machado. “Aqui o próprio produtor é agrônomo ou tem um para auxiliar na gestão da fazenda”, reforça Yassuda.

Engenheiro agrônomo da Lagoa Bonita, Thiago Martin Christenson complementa: “E temos também a forte disponibilidade de água”. Ele reforça que boa parte da produção é feita com pivôs, o que facilita o trabalho em períodos de seca.

Aposta na safrinha

Se a soja não foi tão bem quanto no ano passado em Cândido Mota, a Coopermota aposta na safrinha. “Precisamos da segunda safra e estamos bem pelo calendário. Acreditamos em uma boa safra. E apostamos na subida [de preço] do milho”, destaca Massud.

Por outro lado, em Itaberá, o problema da janela de plantio pode afetar a produção. “Como tivemos atraso de uns 10 dias na semeadura, atrasou um pouco a colheita”, diz Rodrigues Machado. A estimativa é de redução entre 40% e 60% de área no milho safrinha. “Sem ele, entram trigo, aveia e cevada”, afirma o agrônomo Christenson.

Mas os especialistas da Lagoa Bonita alertam: o problema do trigo é a baixa rentabilidade, que pode não alcançar o custo de produção. O lado bom é a rotação de culturas, algo que melhora a qualidade do solo, ensina o agrônomo.

Ele destaca que o adequado seria os produtores, a exemplo da empresa, cultivarem o milho verão em 30% da área hoje ocupada pela soja, rodando com outra cultura no inverno e depois com a soja, podendo assim qualificar a produção. Um bom motivo para isso seria a produtividade regional: segundo a Lagoa Bonita, o milho verão cultivado ali pode chegar a 200 sacas por hectare. Em outras regiões, uma média normal fica próxima das 120 sacas.

Expedição Safra em São Paulo: Cândido Mota e Itaberá Ampliar

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