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Aumento da área plantada deve atenuar perdas com estiagem em São Paulo

Equipe da Expedição Safra volta esta semana à estrada para percorrer áreas produtivas e levantar dados de colheita e mercado nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás

Michel Willian/Gazeta do Povo  | Michel Willian/Gazeta do Povo

Itapeva (SP) |

  • Da Redação

As lavouras de soja e milho de São Paulo devem reduzir a produtividade da safra neste ano, acompanhando uma tendência nacional. No entanto, o aumento da área plantada no estado – em torno de 10,5% – deve garantir que as perdas não sejam tão grandes, com uma estimativa, inclusive, de aumento da produção, conforme projeção da Expedição Safra.

 Enquanto em SP a área cultivada deve passar de 950 mil hectares no ano passado para 1,05 milhão de hectares nesta safra de verão, a produtividade esperada deve cair de 3.231 kg/hectare para 3.220 kg/hectare. Entretanto, o volume total produzido deve subir de 3,07 milhões de t para 3,38 milhões de t. Essa queda de produtividade se deve à estiagem que atingiu as primeiras colheitas. 

 São Paulo abre o roteiro da nova etapa da Expedição Safra. A equipe de técnicos e jornalistas vai acompanhar de perto a fase de colheita da safra 2018/2019. A iniciativa – que este ano está na 13ª edição – vai passar ainda por Minas Gerais e Goiás nesta etapa. O levantamento técnico-jornalístico já rodou as lavouras na época de plantio, entre setembro e dezembro de 2018, e agora volta a campo para diagnosticar o desempenho da safra. As visitas técnicas começaram pelas lavouras do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

 Ainda em São Paulo ocorrerá nesta quarta-feira (6), o Seminário Expedição Safra 2018/2019, que vai discutir sobre manejo, mercado e tecnologia agrícola. O evento, que inicia às 19h, será no clube Vitória Régia (Av. Europa, 571, em Itapeva), e contará com a participação de parceiros e especialistas convidados. Veja mais detalhes no site da Expedição Safra[www.expedicaosafra.com.br]. 

 Estiagem 

 A estiagem que afetou SP ecoou também no resto do país. A safra deste ano no Brasil, que teria potencial para alcançar 122 milhões de t, deve ficar na casa dos 115 milhões de t. Na cooperativa Coopermota, cuja área de abrangência tem 105 mil alqueires de soja no interior de SP, a colheita ainda está no início. “Na região da Alta Paulista estamos com a colheita um pouco mais avançada, porém ainda é cedo para definirmos uma média geral de produtividade. O que registramos nesta safra é uma variação de produtividade considerável conforme a realidade de solo e condição climática registrada no local”, informou a cooperativa. 

 No entanto, conforme dados históricos de produtividade, a região produz médias em torno de 100 a 130 sacas por alqueire. “A estimativa é que esta média apresente um percentual de redução nesta safra”, diz a Coopermota. O agrônomo e gestor da entidade em Maracaí, Rafael Nascimento explicou que as primeiras áreas de cultivo passaram por mais de 20 dias sem chuva e deram sinais de redução da produtividade. “Esta realidade se aplica a cerca de 10% do total cultivado na região”, afirmou. Já a soja plantada entre 15 e 20 de outubro está com bom desenvolvimento porque recebeu o volume de chuva esperado. 

 No último relatório divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em janeiro, a estimativa para a safra deste ano era de aumento de 6,75% na área plantada com soja em SP, passando de 961 mil hectares (safra 2017/2018) para 1,03 milhão de hectares (safra 2018/2019). A produtividade também deve crescer, passando de 3.546 kg/ha para 3.566 kg/ha – 0,6% acima no comparativo entre as safras. 

 De acordo com Fabiano Vasconcelos, gerente de Levantamento e Avaliação de Safras da Conab, a área plantada com soja de primeira safra aumentou também em Minas Gerais, de 1,51 milhão de ha no ano passado para 1,53 milhão de ha neste ano – 1,4% a mais. No entanto, a produtividade deve ser menor: -0,8%. 

 Roteiro 

 Entre janeiro e abril de 2019, as equipes da Expedição Safra vão percorrer quase 50 mil quilômetros em 12 estados das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, conversando com produtores, técnicos e pesquisadores. O roteiro inclui ainda visitas a áreas de produção agrícola no Paraguai, Argentina, Uruguai, México e Estados Unidos. 

 Além do levantamento quantitativo da safra, verificando tecnologia das lavouras, custos de produção e impacto do clima – o foco de centenas de entrevistas, depoimentos e coleta de dados será entender, e traduzir, os movimentos do mercado e desafios ligados à logística, à comercialização e ao consumo. 

 Neste ano, a Expedição Safra reforça uma discussão temática do projeto, que também passa pelas engenharias, em especial a Agronomia. A parceria com o Sistema Confea-Crea ajudará a dar ainda mais capilaridade à pesquisa de campo da Expedição, visto que o Confea representa 100 mil profissionais da engenharia agronômica no país. 

 A Expedição Safra 2018/19 é apresentada pelo Sistema Confea/Crea e Mutua. Com patrocínios da Caixa Econômica Federal, Sementes e Fertilizantes Castrolanda, Agrotec, Alta, Solaris e Sociedade Rural do Paraná. O apoio logístico é do Groupe Renault.

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