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Foto aérea mostra silo rompido em área de inundação na região de Thurman, em Iowa, no último final de semana. | Daniel Acker/Bloomberg
Foto aérea mostra silo rompido em área de inundação na região de Thurman, em Iowa, no último final de semana.| Foto: Daniel Acker/Bloomberg

A fazenda de Chad Korth, situada num platô mais elevado no Nebraska, passou praticamente incólume pelas inundações catastróficas que tomaram as propriedades dos vizinhos. Mas na medida em que a água retrocede, Korth não tem ilusões de que será poupado das consequências financeiras do duro golpe sofrido pela região.

As cheias do Rio Eklhorn destruíram pontes e estradas. Korth, que trabalha com o pai, é da terceira geração de uma família que cultiva milho e soja e cria gado em Meadow Grove. Ele diz que terá de encontrar novos caminhos para sair da propriedade e comprar insumos e equipamentos. Enquanto isso, os preços do milho despencaram por que a enchente paralisou as atividades na usina Valero Energy Corp, em Albion, que produz 500 milhões de litros de etanol por ano. A demanda da usina, normalmente, é de 1,2 milhão de toneladas de milho por ano.

Já sofrendo sob o impacto de preços mais baixos das commodities agrícolas e da guerra comercial entre China e Estados Unidos, os combalidos fazendeiros americanos levaram mais um golpe da “mãe natureza”. Neste ano, os produtores no Meio-Oeste já enfrentaram massas de ar polar, foram castigados por fortes nevascas e, mais recentemente, quase ficaram submersos pelas enchentes. A ADM (Archer-Daniels-Midland Co.), uma das maiores traders de grãos do mundo, disse no início da semana que as disrupções climáticas devem ter um impacto no EBITDA de US$ 50 milhões a US$ 60 milhões no primeiro trimestre.

Fazenda inundada em Nebraska, em 15 de março de 2019Pete Ricketts

O produtor Korth teme pelo futuro dos vizinhos, e cita um amigo que perdeu 85 vacas na inundação e, outro, produtor de sementes, que já recebeu vários cancelamentos de pedidos.

“Isso vai empurrar muita gente para fora da atividade”, diz Korth. “É uma situação terrível”.

As inundações forçaram a ADM a interromper a produção de rações numa fábrica em Columbus, também no Nebraska, por que a força das águas simplesmente varreu estradas e linhas férreas.

A Morgan Stanley revisou para baixo as projeções do valor das ações da ADM – uma queda de 6,6%, recuando para US$ 3,13 – especialmente em consequência do mau tempo, segundo o relatório de mercado do analista Vincent Andrews, divulgado na segunda-feira.

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O analista Tom Simonitsch, do banco de investimentos JPMorgan Chase, também rebaixou o valor estimado das ações da ADM para o final de 2019, de US$ 3,50 para US$ 3,34, citando “um elevado risco de que mais inundações ocorram nas áreas já atingidas pela enchente no Meio-Oeste”.

Enquanto isso, a Valero informou que, em função da impossibilidade da retirada do etanol do Meio-Oeste, o mercado da região de Austin, no Texas, passará a vender gasolina não misturada com álcool. Outra companhia, a Flint Hills Resources LLC, está ajustando a produção de gasolina para “enfrentar a perda do etanol”, conforme divulgou a porta-voz Deanna Altenhoff, há uma semana. A Cargill informou que, apesar de todas as suas três fábricas de etanol no Meio-Oeste permanecerem operacionais, está enfrentando dificuldades com o transporte por trem, devido às enchentes.

No Congresso, o senador Chuck Grassley, republicano de Iowa, disse que a inundação impactou quase dois terços dos condados do estado e que os prejuízos à agricultura estão estimados, somente até agora, em US$ 214 milhões.

Para piorar o quadro, o clima pode proporcionar ainda mais maus momentos para os produtores no início desta primavera. Os solos saturados ao longo do Meio-Oeste, da região norte do delta do Mississipi até algumas áreas mais ao sul, devem atrasar o plantio de milho e de soja nas primeiras duas semanas de abril, segundo prevê o meteorologista Dan Hicks, da Freese-Notis Weather em Des Moines, Iowa.

O golpe acontece num momento em que a economia rural já sofre duramente. A renda agrícola líquida neste ano deve ser de US$ 69,4 bilhões, o que significa 44% menos do que o recorde obtido em 2013. Os produtores acumulam dívidas em meio a estoques elevados e baixa demanda, devido à guerra comercial com a China.

O produtor Korth diz que se sente desconectado quando ouve as pessoas falando que, no geral, a economia americana tem ótimos índices. “Todo mundo fala que a economia vai muito bem. Mas, para nós, agricultores, está sendo terrível”.

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