EXPEDIÇÃO SAFRA

No Paraná, clima desfavorável reduz colheita em 600 kg de soja por hectare

Calor excessivo e estiagem comprometeram o desenvolvimento das lavouras de soja no Oeste, Norte e Noroeste do estado, afirma o Deral

Michel Willian/Gazeta do Povo  | Michel Willian/Gazeta do Povo
  • João Rodrigo Maroni, especial para a Gazeta do Povo

A expectativa de quebra da safra nos principais estados produtores de grãos do país deve se confirmar também no Paraná. De acordo com novo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), o estado deve ter uma quebra de 16% na produção de soja. Com isso, o Paraná estima colher 3 milhões de toneladas a menos do que a projeção inicial, que era de 19 milhões de toneladas. Isso se deve, principalmente, à estiagem e ao forte calor que afetaram as regiões produtores do Norte, Norte Pioneiro, Oeste e Noroeste do estado.

Com 42% da área já colhida, os relatos são de prejuízos nas áreas de cultivo de variedade precoces, que pegaram um período de estresse hídrico no final do ano passado, bem na época do plantio. Cidades como Toledo, Cascavel e Francisco Beltrão (região Oeste e Sudoeste) foram alguns dos municípios mais afetados. Já o problema no Norte e Norte Pioneiro foi a alta temperatura em janeiro. A produtividade média no estado este ano deve ser de 3 mil kg/hectare, segundo o Deral. Ano passado, a média foi de 3,6 mil kg/ha.

“O que a gente vê é que a perda foi grande e generalizada, pois a falta de chuva prosseguiu e a perda de produtividade passou para regiões do Norte do Paraná. E não foram só os plantios mais adiantados que foram prejudicados, mas também as áreas plantadas depois da metade de setembro”, analisa a engenheira agrônoma da FAEP Ana Paula Kowalski.

As lavouras paranaenses vão ser as próximas visitadas pela equipe da Expedição Safra, que nesta segunda-feira (25) retoma a estrada, percorrendo as principais regiões produtoras do estado. Estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, por onde a Expedição já passou, trabalham com estimativas próximas a 15% de quebra de safra, e pelo mesmo motivo: falta de chuva.

De acordo com Ana Paula Kowalski, produtores relatam perdas bem mais acentuadas do que as médias no Paraná, como 40% em Campo Mourão e Umuarama e até 20% no Norte do estado. A estiagem não era esperada, diz a agrônoma da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP). “O que se previa era um prolongamento da neutralidade climática. Os que os meteorologistas falavam era que até poderia haver um aumento do número de chuvas, entre novembro e dezembro. Mas isso não ocorreu”, pontua.

Por outro lado, a perspectiva para a safrinha do milho no Paraná é boa. Com a antecipação da colheita da soja por causa do fator climático, o plantio do cereal também foi antecipado e, em se mantendo as condições climáticas atuais favoráveis, a produção deve chegar a 12,8 milhões de toneladas neste ano. Destaca-se o aumento de 4% na área cultivada, chegando a 2,2 milhões de hectares. “Ano passado tivemos uma safrinha muito ruim, com uma produção de 9,2 milhões de toneladas. Então, para esse ano, a expectativa é muito boa”, explica Marcelo Garrido Moreira, economista do Deral.

Expedição na estrada

Michel Willian/Gazeta do Povo

Entre janeiro e abril de 2019, as equipes da Expedição Safra vão percorrer quase 50 mil quilômetros em 12 estados das Regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, conversando com produtores, técnicos e pesquisadores. O roteiro inclui ainda visitas a áreas de produção agrícola no Paraguai, Argentina, Uruguai, México e Estados Unidos.

Além do levantamento quantitativo da safra, verificando tecnologia das lavouras, custos de produção e impacto do clima – o foco de centenas de entrevistas, depoimentos e coleta de dados será entender, e traduzir, os movimentos do mercado e desafios ligados à logística, à comercialização e ao consumo.

Neste ano, o projeto reforça uma discussão temática do projeto, que também passa pelas engenharias, em especial a Agronomia. A parceria com o Sistema Confea-Crea ajudará a dar ainda mais capilaridade à pesquisa de campo da Expedição, visto que o Confea representa 100 mil profissionais da engenharia agronômica no país.

A Expedição Safra 2018/19 é apresentada pelo Sistema Confea/Crea e Mutua. Com patrocínios da Caixa Econômica Federal, Sementes e Fertilizantes Castrolanda, Agrotec, Alta, Solaris e Sociedade Rural do Paraná. O apoio logístico é do Groupe Renault. Veja mais informações sobre o projeto no hotsite da Expedição Safra.

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