De olho

Paraná praticamente encerra plantio de ‘grão de ouro’, mas acende alerta para doença

Mais rentável, soja representa 5,4 milhões de hectares dos 5,9 milhões semeados no Paraná na primeira safra do ciclo 2018-19. Ao todo, 98% das áreas destinadas ao grão já foram cultivadas

JONATHAN CAMPOS/GAZETA DO POVO Plantio de soja já alcançou 98% das áreas destinadas ao grão no Paraná. Faltam apenas cerca de 120 mil hectares dos 5,4 milhões  a serem cultivados, segundo dados do Deral. | JONATHAN CAMPOS/GAZETA DO POVO

Plantio de soja já alcançou 98% das áreas destinadas ao grão no Paraná. Faltam apenas cerca de 120 mil hectares dos 5,4 milhões a serem cultivados, segundo dados do Deral.

  • Giorgio Dal Molin

O estado do Paraná está a um passo de completar o plantio da soja, com um alerta: os focos de possível ferrugem asiática, doença fúngica que compromete as lavouras. Segundo dados divulgados no final desta terça-feira (27) pelo Departamento de Economia Rural do Estado (Deral), 98% do plantio já foi concluído.

Agora, restam apenas algumas poucas áreas em regiões mais ao Sul do estado para concluir essa etapa. “Historicamente é assim. No Sul tem o trigo, então enquanto não tira o cereal do campo, o produtor não pode plantar a soja”, explica Marcelo Garrido, economista do Deral. Ele estima que, se não houver problemas climáticos, em até dez dias o plantio deve ser concluído.

Expedição Safra: Paraná torce por dias equilibrados de sol e chuva

Das regiões que terminaram o plantio, as lavouras mais avançadas estão nas regiões de Cascavel e Toledo, no Oeste, e Umuarama, no Noroeste. “Pelo calendário de zoneamento agrícola, já era permitido o plantio desde 11 de setembro. No ano passado, os produtores demoraram mais para plantar por conta de uma seca muito forte. Nesse ano, o clima úmido contribuiu [para a semeadura]”, explica o analista.

Situação das lavouras

Se tudo correr conforme o previsto, as primeiras colheitas devem acontecer entre o fim de janeiro e início de ferreiro. Até o momento, 97% das lavouras estão em condições boas e 3% em condições médias, conforme o último relatório divulgado pelo Deral.

Apesar disso, o clima úmido também traz focos de possível ferrugem asiática. Segundo Garrido, os produtores irão aumentar o número de aplicações de defensivos nas lavouras para evitar problemas. “Até o momento não há nada que garanta que [a doença] tenha se instalado”, afirma o especialista. Com isso, pelo menos por enquanto, a perspectiva é de safra cheia.

Ameaça de ferrugem

O mapa do Consórcio Antiferrugem, elaborado pela Embrapa Soja, já identificou 22 pontos de ocorrências no Paraná, além de uma no Mato Grosso do Sul, duas em Santa Catarina e quatro em São Paulo. O primeiro foco neste ano foi identificado em Marechal Cândido Rondon, no início de novembro.

Até o mesmo período da safra iniciada no ano passado, eram duas ocorrências no Paraná, uma no Rio Grande do Sul e uma em São Paulo. Apesar disso, o plantio havia começado mais tarde e o clima estava mais seco – o que desfavorece o aparecimento dos focos de ferrugem.

VEJA TAMBÉM: Paraná tem quase um novo foco de ferrugem asiática por dia

“A expectativa agora fica quanto ao clima. A perspectiva é muito boa e tenhamos mesmo um clima úmido. No momento trabalhamos com a estimativa de 19,6 milhões de tonelada [de soja no Paraná], sem motivos para quebra. Claro que problemas pontuais sempre existem, dependendo da região ou da propriedade”, completa Marcelo Garrido.

Na safra 2017-18, o Paraná colheu 19,16 milhões de toneladas do grão.

Siga o Agronegócio Gazeta do Povo

8 RECOMENDAÇÕES PARA VOCÊ

VOLTAR AO TOPO

NOTÍCIAS POR CULTURA