Expedição Suinocultura

Em Goiás, é tempo de correr atrás do prejuízo

Alta do preço do milho deixou suinocultores no vermelho, mas expectativa é de recuperação; confira a entrevista com Iuri Pinheiro, da FAEG, especialista no setor

Felipe Rosa Quando a saca de milho bateu em R$ 35 e os animais eram negociados a R$ 2,80/kg, margem ficou negativa em R$ 1,00 por quilo. | Felipe Rosa

Quando a saca de milho bateu em R$ 35 e os animais eram negociados a R$ 2,80/kg, margem ficou negativa em R$ 1,00 por quilo.

Rio Verde (GO) |

  • Flávio Bernardes, enviado especial

Trabalhar com um prejuízo de até R$ 1,00 por quilo de suíno. Pouco? E se, no total de um ano, a conta no vermelho passar de R$ 155 milhões?

Esse era o cenário que mais temiam os suinocultores de Goiás. O estado responde por 4% da produção brasileira de carne suína – estimada em 3,75 milhões de toneladas - e ocupa a sétima colocação no ranking nacional. E era essa a perspectiva que os produtores goianos tinham no auge da crise provocada pela disparada do preço do milho, quando a saca de 60 kg do cereal bateu em R$ 35 e os animais eram negociados a R$ 2,80/kg.

Agora, ao menos, a expectativa é de recuperação, segundo Iuri Pinheiro, presidente da Comissão de Suinocultura da Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG). Confira a entrevista com o especialista.

Agronegócio Gazeta do Povo: Como o preço do milho tem impactado a suinocultura em Goiás?

Iuri Pinheiro: O preço do milho já vem alto desde o primeiro semestre de 2018, e ele não baixou com a colheita da safrinha, o patamar ainda está elevado, o custo de produção do suíno ainda é alto. As margens agora estão mínimas – mas não estão negativas, pelo menos – porque o preço do suíno subiu um pouco nas últimas semanas, mas até o início do mês passado o produtor estava operando no vermelho, justamente por causa do baixo preço de venda da carne – e do alto custo de produção, relacionado ao milho e farelo de soja. O milho aqui em Goiás está girando em torno de R$ 31 e R$ 33 conforme a região.

Tony Oliveira/Divulgação FAEG

“A demanda por carne suína é bem maior e a gente espera que os valores de venda do suíno aumentem consideravelmente já no final desse mês”, afirma Iuri Pinheiro, da FAEG.

AgroGP: E como fica o preço do suíno, em meio ao consumo interno baixo no Brasil, e com as exportações ainda patinando por causa da Rússia?

IP: No ano passado, a Rússia representou praticamente 40% das exportações do Brasil, mas nos últimos meses o país tem recuperado os volumes de exportação em relação aos mesmos períodos de 2017, em função de outros mercados que se abriram e do aumento de embarques para alguns países, como a China, e alguns do Mercosul. Embora a gente não tenha retomado o mercado russo, a queda acumulada das exportações nesse ano não foi tão grande quanto se esperava. Agora, com essa retomada das exportações, espera-se que 2018 termine com total similar ao do ano de 2017. O preço do suíno tem recuperado nas últimas semanas, pela retomada das exportações e também do consumo interno, mas a gente espera que ele aumente até o fim do ano, de novembro para frente, por causa dos festejos. A demanda por carne suína é bem maior e a gente espera que os valores de venda do suíno aumentem consideravelmente já no final desse mês.

AgroGP: Goiás já tem consumo maior do que em outros estados, girando em torno de 20 kg/habitante/ano. Como vocês conseguiram esse ganho em relação à média nacional?

IP: Estima-se que o volume de consumo de Goiás seja maior que a média nacional, que gira em torno de 15 kg. O motivo é basicamente o hábito alimentar do goiano, que é muito similar ao do mineiro. A carne suína é muito apreciada aqui, não existe tanto preconceito como em outras regiões, especialmente no Nordeste do Brasil. Realmente, o hábito alimentar contribui para o consumo elevado em relação à média nacional.

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