Expedição Suinocultura

Um estado de suínos, mas não de suinocultores

Quinto maior produtor de leitões do Brasil, Mato Grosso ainda depende da infraestrutura para ser competitivo

Felipe Rosa/Tribuna do Paraná Atualmente, o Mato Grosso tem 300 mil matrizes suínas, mas apenas metade está na produção tecnificada, o restante é apenas subsistência. | Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Atualmente, o Mato Grosso tem 300 mil matrizes suínas, mas apenas metade está na produção tecnificada, o restante é apenas subsistência.

Nova Mutum e Sorriso (MT) |

  • Gabriel Azevedo, enviado especial

Quinto maior produtor nacional de suínos, com 214 mil toneladas em 2017, o Mato Grosso quer crescer. Assim como fez com os grãos, o terceiro maior estado do país em extensão territorial acredita que é possível impulsionar a produção nos próximos anos. Dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) projetam um aumento de até 70% na atividade nos próximos dez anos. Mas para isso será necessário investimento em infraestrutura e competitividade fiscal.

Segundo o vice-presidente da Famato, Francisco Olavo Pugliesi de Castro, 2,89 milhões de cabeças foram abatidas no ano passado, recorde histórico do estado, que responde por 6% da produção e exportação nacional da proteína. “Até 2008, o estado abatia metade deste volume, crescemos demais. Costumo dizer que o Mato Grosso se torna primeiro em tudo que investe. Somos os maiores produtores de soja, algodão, gado, milho. Se resolvermos realmente apostar, ninguém segura o estado”, afirma.

Felipe Rosa

Presidente da Copermutum, Valdomiro Ottonelli. Cooperativa com 15 associados tem 5 mil matrizes.

O nascimento da suinocultura no Mato Grosso está ligado ao milho. Maior produtor do cereal, com 25,5 milhões de toneladas na safra passada, a atividade surgiu no fim dos anos de 1980 e se profissionalizou ao longo da década seguinte. “Foi uma maneira de diversificar e agregar valor a um produto que não valia nada: o milho”, diz o presidente da Copermutum, Valdomiro Ottonelli. A cooperativa de Nova Mutum, na região Médio-Norte, tem 15 mil produtores e 5 mil matrizes que produzem 11,2 mil leitões por mês.

Felipe Rosa/Tribuna do Paraná

Segundo o vice-presidente da Famato, Francisco Olavo Pugliesi de Castro, 2,89 milhões de cabeças foram abatidas no ano passado, recorde histórico do estado.

Mesmo com a profissionalização, diferente da região Sul, no Mato Grosso é possível contar nos dedos o número de suinocultores. “A atividade aqui ainda é secundária. São produtores que também têm suíno. Não são suinocultores que tem uma pequena lavoura. A suinocultura é apenas alternativa para agregar valor”, conta Ottonelli.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos do estado (Acrismat), Itamar Antônio Canossa, é um dos poucos suinocultores ‘de raiz’ do estado. Natural de Santa Catarina, ele e a família estão no Mato Grosso desde 2001. “Nós sempre fomos suinocultores. Mas aqui, realmente, dá para contar nos dedos os produtores que tem o suíno como principal atividade da propriedade”, afirma.

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Presidente da Associação dos Criadores de Suínos do estado (Acrismat), Itamar Antônio Canossa, é um dos poucos suinocultores ‘de raiz’ do estado.

Dono 2,1 mil matrizes, Canossa produz 4 mil animais por mês, que são vendidos para terminadores da região. Ele conta que, assim como outros, foi atraído pelo baixo custo do insumo. “Mas a realidade se impôs. Se como vantagem nós temos o menor custo de produção do Brasil. Nós temos o animal mais barato do Brasil como desvantagem. No papel, os lucros e as margens empatam”, revela.

Atualmente, o Mato Grosso tem 300 mil matrizes suínas, mas apenas metade está na produção tecnificada, o restante é apenas subsistência. “O crescimento da suinocultura no Mato Grosso depende muito da infraestrutura. O estado consome apenas 20% do que é produzido, o restante precisa sair. E não estamos próximos dos portos e dos mercados consumidores. O ICMS para suínos é de 12%, um dos mais altos do país. O estado também não tem capacidade para abater toda a produção. Hoje mandamos animais vivos para outros lugares”, explica Canossa.

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