mercado

Frigoríficos no Paraná ganharam mais do que perderam com Carne Fraca

Com duas unidades no Paraná e uma em Minas Gerais, empresa gaúcha Vibra não apresentou inconformidades e ganhou mercado de concorrentes diretos, como a BRF

Marcus Berthold/Vibra Vista externa do novo Centro de Inovação Vibra, em Montenegro (RS) | Marcus Berthold/Vibra

Vista externa do novo Centro de Inovação Vibra, em Montenegro (RS)

Montenegro (RS)* |

  • Giorgio Dal Molin
  • Atualizado em às

Se por um lado a Operação Trapaça da Polícia Federal - segunda etapa da Operação Carne Fraca -, em março, atingiu em cheio as exportações de frango BRF, um concorrente direto com atuação direta no Paraná saiu ganhando com o caso.

Terceira empresa privada do segmento (sem considerar cooperativas), o Grupo Vibra ganhou parte do mercado deixado pela gigante multinacional e por outros frigoríficos. Somente o Paraná teve oito frigoríficos de frango embargados pela União Europeia, sendo três da BRF.

“O estado sempre foi um dos focos da operação [Carne Fraca]. Mas em todo o período, desde o ano passado, não tivemos problemas e nossas exportações não tiveram nenhuma inconformidade”, afirma Gerson Luis Müller, diretor superintendente da Vibra, que tem duas unidades no Paraná - uma em Pato Branco e outra em Itapejara do Oeste, além da unidade de Sete Lagoas (MG).

As unidades paranaenses respondem por mais de dois terços dos mais de 500 mil abates diários do grupo, que foca em 50% o abastecimento ao mercado interno e em 50% para o exterior.

Marcus Berthold//
Vibra

Gerson Luis Müller, diretor superintendente da Vibra (à direita) ao lado de Flávio Rogério Wallauer, diretor Comercial e Marketing da Vibra

O executivo confessa que achou a fiscalização realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) durante o ano passado um pouco exagerada nos frigoríficos, mas que a empresa sempre foi capaz de garantir a biossegurança necessária. “Eu nunca precisei forjar laudos, já que tenho certeza que meus produtos estão a salvo”, disse o superintendente. Por outro lado, a BRF está sendo investigada por essa prática.

Nos últimos meses, as exportações aumentaram 15%, refletindo o crescimento anual da produção. Os abates nos três frigoríficos da empresa saltaram de 470 mil frangos por dia em 2016 para 500 mil em 2017. Como resultado, a receita líquida cresceu 4,8% em 2017, para R$ 1,3 bilhão. Neste ano, a meta diária é de 520 mil frangos. Juntas, a capacidade total das unidades é de 700 mil animais.

Centro de Inovação

Para manter esse crescimento anual, a empresa mira clientes que buscam produtos diferenciados, explica o diretor comercial e de marketing da empresa Flávio Rogério Wallauer, diretor Comercial e Marketing da Vibra.

Para reforçar essas ‘invenções’, a empresa está investindo pesado. Nesta semana, foi inaugurado o Centro de Inovação Vibra (CIV). Com investimento de R$ 5 milhões, e dois anos de elaboração, o CIV funciona junto à sede administrativa da empresa, em Montenegro (RS).

A estratégia é renovar o portfólio de produtos das marcas Nat, Avia e Agrogen (que pertencem ao Grupo Vibra) em 25% até 2022. “A inovação vai desde produtos inovadores, como o Nat Verde, uma bandeja que não suja a mão do cliente”, diz Wallauer, referindo-se aos cortes de frango embalados em atmosfera controlada. Outros exemplos são temperos diferenciados e a criação de animais inteiramente com ração vegetal.

Marcus Berthold/Vibra

Centro de Inovação Vibra (CIV)

Com o CIV, essas inovações devem ter tempo de pesquisa, testes e finalização reduzido em 30%, segundo a empresa. O custo final dos produtos, contudo, é um pouco superior.

“Mas temos público para isso. Há pessoas que evitam ficar tocando a carne. Com essas embalagens, que inclusive não tem cheiro, e pontos de vendas adequados, conseguimos ter mais tempo de validade, ou seja, mais tempo para vender, gerando menos resíduos ambientais”, argumenta o gerente nacional de Vendas, Thiago Püttem.

Apesar do ganho de mercado com as ações recentes, o diretor Luis Müller afirma que o objetivo não é ser a maior empresa do setor: “Sempre buscamos alternativas de crescimento, mas não temos a pressão de crescer a qualquer custo. Não somos jogadores, queremos o melhor desempenho econômico e financeiro”. Ele destaca que as unidades foram compradas ‘aos poucos’, aproveitando as oportunidades do mercado. “Sempre brinco que compramos abatedouros e transformamos em frigoríficos”, conclui.

* O jornalista viajou a convite da empresa.

Siga o Agronegócio Gazeta do Povo

8 RECOMENDAÇÕES PARA VOCÊ

VOLTAR AO TOPO

NOTÍCIAS POR CULTURA