Estudo aponta que o caminho para mais segurança na pequena propriedade é a diversificação. | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Estudo aponta que o caminho para mais segurança na pequena propriedade é a diversificação.| Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

O produtor rural Gilmar Heinzen, de Cafelândia (544 km de Curitiba), viu na suinocultura uma alternativa para lucrar.

Três anos depois, 45% do faturamento da propriedade de 12,5 alqueires vêm do rebanho de 1200 cabeças de suínos que ele cria junto com o cunhado. No local ainda há um aviário e cultivo de soja, milho e trigo.

Gilmar é um exemplo bem sucedido de diversificação das atividades na propriedade rural. O produtor decidiu investir na suinocultura depois que o pai, há cinco anos, passou a trabalhar com o setor e registrar incremento da renda.

Diversificação é o caminho

Uma pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) joga ainda mais luz na diversificação da propriedade rural. Feita com 15 agricultores familiares agroecológicos da região centro-sul do Estado, o estudo apontou que o caminho para mais segurança na pequena propriedade é a diversificação.

“A diversificação influencia diretamente no lucro, em que, a produção de mais um item pode elevar a renda das propriedades rurais em R$ 1775,54 [valor da época em que o trabalho de campo foi realizado, em 2006]”, registra o estudo.,

Criar novas maneiras de geração de renda também impacta na redução dos riscos e custos que o produtor rural precisa arcar no dia a dia da propriedade.

“A sua adoção pode gerar ganhos econômicos diretos e indiretos vinculados, principalmente, à redução dos custos de produção, à obtenção de vantagens ambientais e à redução do impacto econômico oriundo de diversas crises no setor rural. Assim, a diversificação é a melhor forma de evitar as incertezas e vulnerabilidades referentes ao clima, mercado, pragas e doenças.”, aponta o estudo, realizado com produtores dos municípios de São Mateus do Sul, Rio Azul, Porto Vitória e União da Vitória.

Outra vantagem foi ter unido forças com a cooperativa de Cafelândia, a Copacol. Toda a produção de suínos é destinada para lá.

“A gente é associado de uma cooperativa e deixa bem claro as metas e como pode crescer junto com ela. A gente viu na suinocultura uma forma mais barata de entrar numa outra atividade e com uma renda fixa mensal muito boas”, conta Gilmar.

Diante do quadro positivo, há planos de dobrar a produção na propriedade, o sítio São José, distante 4 km do centro de Cafelândia.

“Junto com a cooperativa, projetamos crescer para os próximos cinco anos. Acredito eu que a gente vai poder ampliar para mais 1200 cabeças”, estima o produtor.

A suinocultura foi vista como promissora, segundo Gilmar, como alternativa para incrementar a renda em curto espaço de tempo. Sem depender das mudanças do clima, por exemplo, o produtor percebeu na produção da proteína uma alternativa viável para acelerar o crescimento de geração de divisas na propriedade.

“Como pequeno agricultor, é muito demorado para crescer e a suinocultura nos dá essa chance de incrementar com mais rapidez as nossas atividades e receitas na propriedade”, compara Gilmar.

“A suinocultura cumpre uma função social e de renda podendo ajudar o pequeno produtor a diversificar a propriedade. A atividade se adapta muito bem com outros setores. Tem consórcios de suinocultura com pesca ou pecuária ou avicultura. Não é nada de incompatível”, afirma Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPS), entidade nacional que reúne empresas agroindustriais do setor de carne.

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